Chapa ligada a investidores assume Francana e mira SAF até 2030
A Associação Atlética Francana empossa, nesta segunda-feira (1º), a chapa “Tradição e Futuro” para comandar o clube até 2030. O novo grupo, ligado a investidores, assume com a missão de reorganizar as finanças e preparar a transformação da Veterana em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Clube muda o comando em busca de profissionalização
A eleição acontece na sede social do clube, em Franca, interior de São Paulo, diante de um grupo enxuto de conselheiros, associados e torcedores. Cerca de 20 pessoas acompanham a aclamação da chapa única, em um rito rápido, mas carregado de expectativa sobre o futuro da Francana.
O advogado Fransérgio Garcia assume a presidência, tendo ao lado o empresário Welson Antônio de Souza Júnior, o Juninho do Curtume, como vice. Completam a diretoria executiva Cintia Souza Martins, secretária, e Pedro Augusto Colpani Leme, diretor financeiro, além dos integrantes Danilo Lopes, Daniel Gotardo e Ulisses Prior. O mandato é de quatro anos e vai até 1º de junho de 2030.
O grupo chega amparado por investidores que já orbitam o futebol profissional. Entre eles estão o empresário Ivo Gonçalves, pai de Estêvão, joia revelada pelo Palmeiras e atualmente no Chelsea, e Fransérgio Bastos, que atua no gerenciamento de carreira de atletas. A presença desse capital externo indica uma guinada no modelo de gestão da Veterana, hoje na Série A3 do Campeonato Paulista.
Fransérgio Garcia evita promessas imediatas, mas deixa claro o primeiro passo. “Estamos assumindo a Francana porque temos o apoio desses empresários. Isso já é de conhecimento de todos. Agora vamos entender como o clube está financeiramente e já planejar a próxima temporada”, afirma, ainda no salão social, cercado por conselheiros.
Diagnóstico financeiro e caminho para virar SAF
A nova diretoria considera o diagnóstico das contas condição indispensável para qualquer avanço esportivo. O clube convive, há anos, com limitações orçamentárias, dependência de aportes pontuais e pouca previsibilidade de receita. O objetivo é virar essa chave com planejamento de médio e longo prazo.
Entre as metas centrais está a transformação da Francana em Sociedade Anônima do Futebol, modelo que permite a entrada de investidores com participação societária e separa o clube associativo da empresa que administra o futebol. “Esse é o caminho. Vamos trabalhar para isso e tentar fazer a Francana grande, disputar competições mais importantes”, diz Fransérgio.
A mudança para SAF ainda depende de estudos jurídicos, aprovação dos conselheiros e definição de como será a governança. Internamente, a diretoria evita cravar prazos, mas trabalha com a próxima safra de negociações e contratos como marco para atrair novos parceiros. A presença de investidores ligados ao mercado internacional cria expectativa de receitas futuras com formação e venda de atletas.
O vice-presidente Juninho do Curtume insiste, porém, que o projeto precisa dialogar com a cidade. “Vamos trabalhar com transparência. A Francana é uma paixão de todos da cidade. No basquete deu certo, na Francana também pode dar com uma gestão séria e profissional”, afirma, numa referência ao modelo adotado pelo basquete de Franca, hoje referência nacional.
Foco no acesso e renúncia à Copa Paulista
A primeira decisão esportiva concreta da nova gestão é abrir mão da Copa Paulista no segundo semestre de 2026. A competição, que costuma servir de vitrine para elencos alternativos e testes de jogadores, não entra no planejamento imediato. A diretoria prefere concentrar recursos e energia na montagem de um time competitivo para a Série A3 com alvo definido: conquistar o acesso à Série A2 em 2027.
O movimento sinaliza uma estratégia de menos calendário e mais foco. Ao evitar custos adicionais de elenco, viagens e logística, a Francana busca preservar caixa e reduzir riscos em um momento de transição. O torcedor perde a chance de ver o time em campo no segundo semestre, mas a gestão aposta que esse sacrifício será compensado com uma campanha mais forte no Estadual.
A opção também responde a um cenário de maior exigência esportiva. Nos últimos anos, clubes do interior só conseguem subir de divisão quando combinam investimento planejado, estrutura mínima e gestão profissional. Sem isso, a Série A3 se torna um labirinto de anos seguidos, com elencos montados às pressas e folhas salariais atrasadas.
A nova diretoria tenta se distanciar desse roteiro. A promessa é montar um orçamento fechado, com receitas e despesas claras, e estabelecer metas objetivas até 2027. O acesso à A2 é tratado como etapa intermediária de um plano mais amplo de reposicionar a Francana no cenário estadual e, em médio prazo, disputar campeonatos de maior visibilidade.
Relação com a torcida e próximos capítulos
A posse da chapa “Tradição e Futuro” não mobiliza multidões, mas a diretoria sabe que nada se sustenta sem a volta do torcedor ao estádio. O plano passa por abrir as contas, criar canais de comunicação diretos e envolver a comunidade de Franca em campanhas de sócio-torcedor, ações de marketing local e participação em decisões estratégicas do clube.
O Conselho Deliberativo, que aclamou a chapa por consenso, promete acompanhar de perto o cumprimento das metas. A partir das próximas semanas, a diretoria deve apresentar um relatório preliminar sobre a situação financeira e o esboço do orçamento para 2027, ano-chave no projeto de acesso à Série A2. Até lá, a principal incógnita é a velocidade com que o clube conseguirá sair do papel e transformar discurso em resultados dentro de campo.
