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CBF decide e Neymar não viaja para amistoso contra o Egito

A CBF confirma nesta quinta-feira (4) que Neymar não viaja com a Seleção Brasileira para o amistoso contra o Egito, em Cleveland. O atacante permanece em Nova Jersey focado na recuperação da lesão para tentar voltar ainda na fase de grupos da Copa do Mundo.

Comissão técnica prioriza recuperação e evita desgaste

A decisão encerra a expectativa sobre a presença do camisa 10 ao lado do grupo na viagem a Cleveland. A comissão técnica entende que, sem condições de atuar e sem treinos programados na cidade do amistoso, o deslocamento de cerca de uma hora e meia de voo entre Nova Jersey e Ohio significaria apenas desgaste extra para o jogador de 34 anos.

O planejamento mantém Neymar na base da Seleção em Basking Ridge, em Nova Jersey, onde o Brasil se prepara para a Copa do Mundo. Nesta semana, a equipe realiza dois treinamentos antes de enfrentar o Egito: um nesta quinta-feira e outro na manhã de sexta. No início da noite, a delegação embarca para Cleveland, enquanto o atacante segue na rotina de recuperação no centro de treinamento.

A leitura interna na CBF é que cada dia conta para acelerar o retorno do principal nome da equipe. O departamento médico considera a partida de sábado importante para ajustes táticos de Carlo Ancelotti, mas não enxerga benefício esportivo em levar um jogador que não pode entrar em campo e ainda precisa controlar carga física.

Tratamento intensivo em Nova Jersey e prazo mantido

Neymar cumpre um cronograma rígido desde que realizou ressonância magnética no dia 27 de maio, em Teresópolis. O exame apontou a lesão que o tirou dos primeiros amistosos da preparação. No dia seguinte, o médico da Seleção, Rodrigo Lasmar, estabelece um prazo de duas a três semanas para recuperação completa, janela que se mantém como referência dentro da comissão técnica.

O atacante trabalha diariamente com fisioterapeutas e preparadores físicos. Nesta quinta, ele passa por exercícios na academia e na piscina, seguindo a sequência de fortalecimento e controle de dor. A CBF informa que, durante a viagem da equipe para Cleveland, o jogador segue em regime de tratamento intensivo em Nova Jersey, com fisioterapia e aumento gradual da carga de trabalhos físicos.

A expectativa é de evolução visível nos próximos dias. Se não houver intercorrências, Neymar inicia atividades no campo a partir de segunda-feira (8). Os primeiros movimentos serão voltados à parte física, com corrida controlada, mudanças de direção e pequenos gestos com bola. A simples ida ao gramado é tratada como marco importante dentro do processo de recuperação e reforça a ideia de que o prazo inicial segue de pé.

Dentro da delegação, o cenário considerado mais provável é que o camisa 10 esteja apto para a segunda rodada da fase de grupos, contra o Haiti, na Filadélfia. A estreia do Brasil na Copa está marcada para 13 de junho, diante do Marrocos, também nos Estados Unidos. A possibilidade de utilização de Neymar já nesse primeiro jogo não está descartada publicamente, mas é vista como menos provável nos bastidores.

Amistoso sem Neymar muda teste de Ancelotti

A ausência no amistoso contra o Egito obriga Carlo Ancelotti a ajustar mais uma vez o desenho ofensivo da Seleção. O amistoso de sábado passa a servir como laboratório para alternativas sem o camisa 10, algo que a comissão técnica tenta desenvolver desde o início do ciclo para reduzir a dependência do atacante.

O treinador testa formações com pontas mais agudos, meias de maior chegada à área e variações de esquema. A partida em Cleveland ocorre em clima de observação fina. A comissão técnica avalia desempenho individual e coletivo já projetando a estreia contra o Marrocos, adversário mais físico, e o duelo seguinte com o Haiti, em que a tendência é de maior volume ofensivo.

Nos bastidores, dirigentes e membros da comissão técnica reforçam que a prioridade é preservar o jogador para os jogos oficiais. O risco de acelerar etapas e perder o atacante em momento decisivo da competição é visto como inaceitável. A escolha de mantê-lo em Nova Jersey, longe da exposição do ambiente de jogo e da ansiedade pré-partida, faz parte dessa estratégia de proteção.

A CBF também tenta conter a especulação em torno da real condição clínica do atleta. A linha oficial é clara: o planejamento segue o prazo estabelecido desde o primeiro exame e não há, por enquanto, sinal de agravamento da lesão. Internamente, a avaliação é que a gestão de minutos e deslocamentos pode ser tão importante quanto qualquer exercício de fisioterapia.

Pressão, expectativa e próximos capítulos

A decisão de poupar Neymar da viagem a Cleveland tende a ampliar o debate público sobre a dependência da Seleção em relação ao camisa 10. A ausência nos amistosos serve de lembrança de 2014 e 2018, quando problemas físicos do atacante marcam as campanhas brasileiras em Copas. A diferença agora está na tentativa declarada de evitar qualquer precipitação.

Torcedores acompanham cada boletim médico e imagem de treino em busca de sinais de recuperação. A comissão técnica procura blindar o grupo e, ao mesmo tempo, reforçar o discurso de confiança no elenco. A mensagem interna é de que o time precisa estar pronto para estrear sem Neymar, mas trabalhar para tê-lo em plenas condições a partir da segunda rodada.

O domingo (7) reserva algumas horas de folga para os jogadores com familiares em Nova Jersey, logo após o retorno de Cleveland. Neymar permanece sob supervisão, mas também ganha espaço para aliviar a tensão do período de tratamento. A partir da segunda-feira, cada sessão de treino em campo vira termômetro para a presença do atacante na Copa.

A Seleção cruza a reta final de preparação sob uma equação conhecida: preservar hoje para tentar decidir amanhã. O amistoso com o Egito oferece respostas sobre o time sem o principal astro. A Copa do Mundo dirá se a aposta de segurar Neymar fora do avião para Cleveland se transforma em minutos decisivos com ele em campo.

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