Carlos Prates nocauteia Della Maddalena e mira cinturão meio-médio
Carlos Prates domina Jack Della Maddalena e vence por nocaute técnico na manhã deste sábado (2), na RAC Arena, em Perth, e entra de vez na rota do cinturão meio-médio do UFC. O brasileiro impõe um muay thai agressivo, anula o ídolo local e deixa a Austrália como novo nome forte da categoria até 77,1 kg.
Domínio em casa do rival e aula de muay thai
O clima na RAC Arena favorece Jack Della Maddalena desde a primeira luta do card principal. O australiano chega como favorito, cercado pela pressão de atuar em casa e pela expectativa de dar um passo rumo ao topo da divisão. Carlos Prates entra com menos holofotes, mas carrega a confiança forjada em nocautes e na rotina na equipe Fighting Nerds.
O primeiro assalto começa em ritmo de estudo. Della Maddalena fecha bem a guarda e avança, obrigando o brasileiro a recuar até a grade. Prates responde com chutes potentes nas pernas e no corpo, tentando quebrar a base do rival e forçar brechas. A disputa pelo centro do octógono se equilibra a partir da metade do round, quando o brasileiro passa a usar a envergadura maior para conectar jabs e diretos limpos.
Os segundos finais trazem o único respiro do australiano no solo. Della Maddalena consegue uma queda, mas o relógio trabalha a favor de Prates. O árbitro encerra o assalto antes que o ídolo local encaixe o golpe por cima ou busque uma finalização. O cenário deixa clara a diferença de tranquilidade entre os dois: o brasileiro volta ao córner sereno, enquanto o rival demonstra preocupação.
O segundo round confirma a mudança de eixo da luta. Prates ajusta o tempo e transforma golpes de encontro em arma principal. As joelhadas na curta distância e as cotoveladas em diagonal desmontam o plano do australiano, que tenta derrubar sem sucesso logo nos primeiros minutos. A defesa de queda do brasileiro funciona, e o duelo permanece em pé, exatamente onde ele quer.
O boxe afiado de Prates entra em cena com combinações que misturam jabs, cruzados e chutes baixos. Della Maddalena sente o ritmo e desacelera visivelmente. No fim do assalto, um chute na perna traseira desequilibra o rival, que vai ao chão no momento do gongo. A impressão é de que o nocaute não é questão de acaso, mas de tempo.
Três knockdowns, nocaute técnico e nova força brasileira
O terceiro round transforma a atuação em declaração de intenções. Com o australiano cansado, Prates passa a ditar o ritmo com autoridade. Os chutes continuam minando a base, enquanto as mãos encontram o rosto com precisão. Della Maddalena tenta responder com combinações curtas, mas já não possui explosão nem tempo de reação.
Os knockdowns se acumulam. Em três quedas forçadas ao solo, o brasileiro mostra controle raro: aproxima-se, mede a distância, escolhe os golpes e volta a caminhar em círculo, sem se afobar. A leitura é de um lutador que enxerga a oportunidade de se afirmar como candidato real ao cinturão, não apenas como sensação passageira.
O golpe decisivo nasce de uma arma que vinha sendo construída desde o início. Um novo chute baixo atinge a perna de apoio de Della Maddalena, que desaba e, desta vez, não consegue se levantar. Prates acompanha a queda, entra no ground and pound e obriga o árbitro a interromper a luta. O nocaute técnico sela uma vitória que combina estratégia, potência e frieza.
O resultado em Perth coloca o brasileiro em outro patamar no ranking até 77,1 kg. A categoria vive fase congestionada, com campeões recentes alternando defesas e desafios frequentes de lutadores do topo. Uma vitória dominante sobre um nome estabelecido como Della Maddalena, em plena Austrália, pesa na mesa dos matchmakers do UFC, responsáveis por montar as próximas lutas.
A performance também reforça a presença do MMA brasileiro na elite global em um momento de renovação. Nomes históricos se aproximam do fim da carreira, e o país busca novas figuras capazes de disputar cinturões e carregar eventos principais. Prates se apresenta como um desses candidatos, oferecendo não apenas resultados, mas um estilo agressivo que agrada ao público e à organização.
Noite dura para outro brasileiro e próximos passos de Prates
A mesma noite que projeta Carlos Prates cobra um preço de outro brasileiro no card. No peso meio-pesado, Kevin Christian sofre novo revés e segue sem vencer no UFC após duas apresentações. O lutador começa melhor contra o australiano Junior Tafa, controla a distância com jabs e chutes, mas perde o controle do duelo quando tenta levar a luta para o chão.
Tafa inverte a posição, assume o topo e dispara uma sequência forte de golpes no ground and pound. O árbitro interrompe o combate aos 2 minutos e 42 segundos do primeiro round, decretando o nocaute técnico. O resultado pressiona o futuro de Christian na organização e expõe o nível de exigência do principal evento de MMA do mundo, onde brechas técnicas costumam ser punidas com rapidez.
O UFC Perth também registra vitórias importantes de atletas locais e convidados. Junior Tafa confirma a força dos pesos pesados da Oceania. Steve Erceg supera o veterano Tim Elliott por decisão unânime. Quillan Salkilld surpreende Beneil Dariush com nocaute técnico ainda no primeiro round. A noite entrega uma coleção de nocautes e finalizações que reforça o apelo do evento ao vivo na Austrália.
O impacto imediato, porém, recai sobre o cenário do peso meio-médio. A vitória de Prates desperta debates sobre qual será o próximo passo: um adversário do top 10, uma eliminatória direta ou um confronto contra outro atleta em ascensão. O histórico recente do UFC mostra que atuações dominantes em lutas principais costumam acelerar trajetórias, sobretudo quando combinam entretenimento e alta capacidade de nocaute.
Caso mantenha o ritmo e repita performances como a de Perth, o brasileiro pode chegar a uma disputa de cinturão em prazo relativamente curto, algo entre um e dois anos, dependendo das movimentações da divisão. O muay thai afiado, o controle de distância e a capacidade de decidir lutas por nocaute o colocam no radar dos campeões. A dúvida, agora, não é se Carlos Prates entra na conversa pelo topo, mas contra quem ele dará o próximo passo nessa escalada.
