Capotamento grave na BR-356 fere três homens na Serra de Itabirito
Três homens ficam feridos, dois com traumatismo craniano, após capotamento de um Ford Fiesta na manhã deste sábado (25/4), na Serra da BR-356, em Itabirito, na Região Central de Minas. O acidente ocorre em um dos trechos mais críticos da rodovia, conhecido pela sequência de curvas fechadas e pelo histórico de sinistros.
Trecho crítico volta a expor riscos da Serra da Santa
O Ford Fiesta com placas de Brasília (DF) sobe a serra no sentido Nova Lima quando o motorista perde o controle em um segmento sinuoso, próximo à Gruta da Santa e ao acesso ao Pico de Itabirito. O carro capota várias vezes em meio ao paredão de rocha de um lado e ao precipício do outro, cenário que há anos assusta motoristas que seguem em direção a Mariana e Ouro Preto.
Com o impacto, a estrutura do veículo se deforma e parte da carroceria se espalha pela pista simples, que não tem barreira física entre os sentidos opostos. Um dos ocupantes é arremessado para fora do carro e cai no asfalto em estado grave, o que reforça a violência da sequência de capotagens.
Equipes da Brigada Municipal de Itabirito e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegam poucos minutos depois e isolam o trecho para evitar novos acidentes durante o atendimento. O fluxo de veículos fica lento nos dois sentidos enquanto os socorristas atuam em uma área já conhecida por caminhoneiros e moradores como ponto recorrente de sustos e colisões.
Resgate complexo e dados que revelam escala do problema
Os bombeiros encontram um dos passageiros com traumatismo cranioencefálico e sinais de confusão mental. Ele recebe os primeiros cuidados ainda no acostamento, imobilizado e monitorado pelas equipes antes de ser embarcado na Unidade de Suporte Básico do Samu. A gravidade do quadro leva os órgãos de socorro a cogitar o acionamento do helicóptero Arcanjo, do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. A transferência, porém, acaba feita por ambulância, por decisão médica.
O segundo ferido permanece preso no interior do Fiesta, comprimido pela lataria retorcida. Para retirá-lo, a Brigada usa um desencarcerador hidráulico, equipamento que corta metal e permite abrir caminho até a vítima. A porta traseira é seccionada peça a peça para evitar movimentos bruscos e reduzir o risco de agravamento das lesões. Depois do desencarceramento, ele é levado pela Unidade de Resgate, com diagnóstico inicial de traumatismo craniano leve.
O terceiro ocupante sofre apenas escoriações e recusa encaminhamento imediato, mas é orientado a seguir para avaliação médica detalhada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Celso Matos Silva, que recebe todos os feridos. A BR-356 só é liberada totalmente após a retirada do veículo destruído e a limpeza de estilhaços e óleo da pista. “A via foi liberada em ambos os sentidos após a conclusão dos trabalhos de resgate e a retirada do veículo”, informa o Corpo de Bombeiros, que destaca a normalização do tráfego ainda pela manhã.
O caso de hoje se insere em uma estatística que preocupa autoridades e moradores. Entre janeiro e março de 2026, a BR-356 registra 129 sinistros no trecho entre Nova Lima e Mariana, segundo dados oficiais. Desse total, 41 ocorrências, o equivalente a 31%, acontecem em Itabirito. Ao menos 20 pessoas ficam feridas no período, três delas no município, sem registro de mortes até março. Com o capotamento deste sábado, o número de feridos na cidade sobe para seis no acumulado recente.
Nos últimos seis meses, a Serra da Santa é palco de acidentes de grande porte. Em 31 de dezembro de 2025, uma colisão no km 42 envolvendo uma carreta-tanque e quatro carros deixa cinco feridos e provoca interdição da rodovia. A combinação de relevo acidentado, pista simples sem barreira central e fluxo intenso de caminhões mantém o trecho no radar de especialistas em segurança viária.
Pressão por melhorias e atenção redobrada de motoristas
O novo capotamento alimenta a cobrança por intervenções estruturais na BR-356. Técnicos defendem a instalação de barreiras físicas entre os sentidos, a correção de curvas mais fechadas e a ampliação da sinalização, com faixas de desaceleração e reforço de radares em pontos estratégicos. A Serra da Santa funciona como porta de entrada para o circuito das cidades históricas, que atrai turistas de todo o país, muitos sem familiaridade com o traçado da rodovia.
Moradores de Itabirito relatam que, em fins de semana prolongados, ônibus de turismo, caminhões carregados e carros de passeio se misturam em um trecho estreito, com pouca margem para erro. Em dias de tempo seco, como o deste sábado, a falsa sensação de segurança leva motoristas a manter velocidade acima do recomendável, o que torna qualquer perda de controle mais difícil de corrigir.
As equipes que atuam na rodovia insistem no recado de prudência. A orientação é reduzir a velocidade antes das curvas, manter distância segura do veículo à frente e evitar ultrapassagens em trechos de visibilidade limitada. A cada nova ocorrência grave, o debate sobre campanhas educativas e investimentos em engenharia de tráfego ganha força, mas as mudanças efetivas avançam em ritmo mais lento que o fluxo diário de veículos.
O que pode mudar após mais um alerta na BR-356
O acidente deste sábado deve reforçar pedidos de prefeitos da região e de entidades locais por audiências com órgãos estaduais e federais responsáveis pela rodovia. A expectativa de moradores e motoristas é que os dados de 2026 convençam o poder público a acelerar projetos de melhorias, em vez de esperar por um saldo mais trágico.
Enquanto estudos e promessas seguem em discussão, o cotidiano na Serra da Santa continua a depender do comportamento de quem passa por ali. O capotamento do Fiesta, que destrói o veículo e leva três homens ao atendimento de urgência, se soma a uma sequência de alertas ignorados. A pergunta que se impõe na região é se o próximo balanço da BR-356 será acompanhado, enfim, por intervenções concretas, ou por mais um registro de sorte em um cenário que flerta diariamente com o risco.
