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Caiado patina, e Zema aparece à frente em pesquisa para 2026

Ronaldo Caiado segue em baixa na disputa presidencial de 2026. Pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira, 27, mostra o ex-governador atrás de Romeu Zema, Lula e Flávio Bolsonaro.

PSD testa força após saída de Ratinho Jr.

O levantamento, encomendado pelo BTG Pactual e realizado pela Nexus entre 24 e 26 de abril, mede o fôlego inicial de Caiado como aposta nacional do PSD. O ex-governador de Goiás assume a pré-candidatura há menos de um mês, após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr., que era o favorito interno para encabeçar a chapa do partido.

No principal cenário testado, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, aparece com 4% das intenções de voto, contra 3% de Caiado. Os dois estão dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, mas muito longe dos líderes. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega a 41%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) marca 36%.

Em outro cenário simulado pela pesquisa, Zema sobe para 5% e Caiado vai a 4%. Lula mantém 41% e segue numericamente à frente de Flávio, que registra 36%. A disputa pela terceira via, hoje, parece mais um rodapé estatístico do que um polo competitivo.

O resultado surge no momento em que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tenta defender a viabilidade do novo nome do partido. No início de abril, ele declarou que, se Caiado chegar a 15% das intenções de voto, “está ótimo”. A frase deixa implícito o reconhecimento de que, por ora, o teto do goiano está distante do pelotão de frente.

Cenário de polarização aperta espaço para o centro

A pesquisa recoloca a eleição de 2026 sob o signo da polarização entre lulismo e bolsonarismo. Lula, mesmo após mais de um ano de governo e sob pressão econômica, lidera com folga os cenários testados. Flávio Bolsonaro herda a vaga do pai e confirma a resiliência do bolsonarismo como força nacional.

Nesse ambiente, Caiado tenta se vender como um conservador moderado, com trânsito no agronegócio e no centro político, mas ainda não rompe a barreira da baixa visibilidade nacional. Zema, que deixa o governo de Minas com discurso liberal e antipetista, aparece numericamente à frente, mesmo fora dos principais holofotes federais.

Os números também expõem o desafio estratégico de Kassab. O PSD vinha acalentando o nome de Ratinho Jr. como opção competitiva, ancorado em boa avaliação no Paraná e em vínculos sólidos com o empresariado. A desistência do paranaense, no fim de março, obrigou o partido a acelerar a escolha de Caiado, deixando pelo caminho o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que defendia uma disputa interna mais longa.

Ao optar pelo goiano, o PSD aposta em um quadro com forte lastro no interior e no agronegócio, mas com pouca tradição em campanhas nacionais. O Nexus ouviu 2.028 eleitores por telefone em todo o País entre sexta-feira, 24, e domingo, 26. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01075/2026.

Os percentuais de Caiado e Zema, ainda em patamar baixo, têm impacto direto nas negociações por alianças. Partidos de centro e centro-direita avaliam não apenas a rejeição e a taxa de conhecimento, mas a capacidade de tração mínima para compor palanques regionais. Hoje, tanto o PSD quanto o entorno de Zema conversam em posição defensiva, sem poder impor condições robustas.

Pressão sobre Caiado e cálculo de Kassab

Os dados da Nexus aumentam a pressão sobre Caiado dentro do próprio PSD. O parâmetro de 15% mencionado por Kassab funciona, na prática, como um teste de sobrevivência. Se o goiano não encostar nesse patamar até o início oficial da campanha, dirigentes regionais podem cobrar um recuo ou uma mudança de rota.

No curto prazo, a direção do partido tende a dobrar a aposta na exposição nacional do ex-governador. A ordem é colocá-lo em agendas de alto impacto, com foco em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e em eventos do agronegócio, onde ele costuma circular com mais desenvoltura. O desafio é transformar presença em voto, em um cenário em que a disputa continua marcada pela memória de Lula e de Jair Bolsonaro.

Para Zema, os números funcionam como lembrança de que ainda há espaço no campo da direita não bolsonarista, mas esse espaço é estreito. A eventual consolidação de Flávio Bolsonaro como herdeiro político do pai pode empurrar o mineiro para negociações de bastidor, seja como puxador de votos em Minas, seja como potencial aliado em uma chapa majoritária.

O quadro nacional, por enquanto, mantém Lula e Flávio isolados na dianteira. A esquerda aposta na força da máquina federal e na recuperação econômica gradual. A direita radical se ancora na rejeição ao PT e no discurso de desgaste institucional. No meio, siglas como PSD, MDB, União Brasil e PSDB tentam costurar uma alternativa que ainda não se traduz em porcentagens significativas.

Corrida entra em fase de ajustes e testes

A divulgação da pesquisa abre uma fase de ajustes finos nas pré-campanhas. O PSD terá de decidir até quando mantém o discurso de candidatura própria em caráter inegociável ou se admite, mais à frente, uma composição com um dos polos. Kassab, conhecido pela flexibilidade nas alianças, calibra o tom ao acompanhar cada novo levantamento.

Caiado, por sua vez, enfrenta a necessidade de ampliar sua base para além do eleitorado conservador do Centro-Oeste. Sem crescer no Sudeste e no Nordeste até o fim do ano, corre o risco de virar apenas moeda de troca em uma negociação maior. Zema também precisa decidir se entra de vez na disputa nacional ou se preserva capital político para ciclos futuros.

As próximas pesquisas mostram se o patamar atual é apenas um retrato inicial, prejudicado pelo baixo conhecimento dos nomes, ou se revela um teto precoce para os candidatos de centro e centro-direita. A resposta a essa pergunta ajuda a definir se 2026 terá novamente uma eleição de dois polos ou se algum terceiro caminho consegue, enfim, sair do papel.

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