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Brasil vira sobre a Argentina, mantém invencibilidade na VNL em Brasília

A seleção brasileira masculina de vôlei vence a Argentina de virada por 3 a 2 neste domingo (14), em Brasília, e fecha a primeira semana da Liga das Nações invicta. O triunfo mantém o time na parte de cima da tabela e reforça a confiança em ano de calendário carregado para a modalidade.

Virada em clima de clássico sul-americano

O ginásio em Brasília vive clima de Copa do Mundo. As arquibancadas se dividem entre camisas verdes e amarelas e bandeiras azul e branca, mas o barulho pende para o lado brasileiro. Em quadra, a Argentina larga na frente, domina os dois primeiros sets e abre 2 a 0 com parciais de 25/18 e 26/24. A reação brasileira começa no detalhe, ponto a ponto, até se transformar em virada: 25/19, 25/23 e 15/9 no tie-break.

O placar final de 3 a 2 coroa uma atuação de resistência e ajuste tático. A equipe começa irregular, sofre na recepção e vê a Argentina explorar bem o saque e as bolas rápidas pelo meio. A partir do terceiro set, o Brasil estabiliza o passe, sobe o paredão no bloqueio e passa a controlar o jogo, especialmente nas bolas de segurança pelas pontas. A virada em cinco sets mantém a seleção invicta na primeira semana da Liga das Nações em casa, depois da vitória sobre a Sérvia e de outros dois resultados positivos na capital federal.

Brasília vira palco da arrancada brasileira

O roteiro da noite reforça o peso simbólico do clássico. Brasil e Argentina carregam para a quadra uma rivalidade que atravessa o futebol e se espalha por todas as modalidades coletivas. No vôlei masculino, a seleção brasileira chega ao confronto com a responsabilidade de sustentar o protagonismo internacional, enquanto os argentinos enxergam na Liga das Nações uma chance de encurtar a distância. O jogo em Brasília acende ainda mais essa disputa, com cinco sets intensos em pouco mais de duas horas.

O início argentino surpreende. A seleção celeste se impõe no saque, pressiona o passe brasileiro e abre margem confortável no primeiro set. No segundo, o equilíbrio aparece, mas a Argentina mantém a frieza nos pontos decisivos e fecha em 26/24. O Brasil sente a pressão e a necessidade de resposta diante de um público que enche o ginásio em um domingo à noite, em pleno início de temporada de seleções.

O terceiro set marca a virada de postura. O sistema defensivo brasileiro começa a funcionar, as coberturas aparecem e o bloqueio cresce no momento certo. A equipe passa a administrar melhor os contra-ataques e diminui os erros não forçados, que haviam dado dezenas de pontos aos rivais nos dois primeiros sets. A vitória por 25/19 recoloca o Brasil no jogo e reacende a arquibancada, que empurra a seleção em cada rally longo.

No quarto set, o equilíbrio é absoluto. A Argentina tenta conter a reação, varia o saque e busca acelerar as jogadas na rede, mas o Brasil se mantém firme. O placar avança parelho até o fim, quando a seleção brasileira encaixa uma sequência curta de saque e fecha em 25/23, levando a decisão para o tie-break. No set desempate, o time da casa assume a dianteira desde o início, aproveita a queda física argentina e não permite reação, selando o 15/9 que transforma a noite em festa.

Impacto na Liga das Nações e na temporada

A vitória deste domingo encerra a primeira semana da Liga das Nações com 100% de aproveitamento para o Brasil. Em um torneio que reúne 18 seleções e distribui 12 jogos para cada equipe na fase classificatória, começar com quatro triunfos seguidos em casa significa abrir vantagem importante rumo ao mata-mata. Apenas os oito melhores avançam às quartas de final, em duelo único, o que torna cada set disputado na fase inicial um ativo valioso.

O desempenho em Brasília também alimenta a confiança da nova base da seleção. O grupo passa por renovação desde o ciclo olímpico anterior e ainda busca encaixe. Em partidas como a deste domingo, com pressão de clássico e desvantagem no placar, a resposta emocional vira termômetro para o trabalho do técnico e da comissão técnica. A virada depois de um 2 a 0 contra indica um time capaz de ajustar o jogo em tempo real e de suportar cenários adversos contra rivais diretos.

No cenário internacional, o resultado pesa mais do que os dois pontos somados na tabela. A Argentina ocupa há anos o posto de adversário incômodo, tecnicamente qualificado, que costuma alongar os confrontos e explorar qualquer oscilação brasileira. Manter a escrita de vitórias em decisões apertadas ajuda o Brasil a segurar o espaço entre as potências da modalidade, ao lado de Polônia, França e Rússia, que somam dois títulos cada na história da VNL. O título brasileiro de 2021, conquistado na bolha de Rimini em plena pandemia, ainda ecoa no circuito, mas já não basta para blindar o time de questionamentos.

Calendário duro e pressão por resultados

A Liga das Nações, criada em 2018 para substituir a antiga Liga Mundial, se consolida como principal termômetro anual das seleções. A fase classificatória se espalha por três semanas, em diferentes países, com deslocamentos constantes e pouco tempo de treino. Para o Brasil, que sai de Brasília com quatro vitórias e moral elevada, o desafio passa a ser manter intensidade e saúde física em uma maratona que ainda reserva oito jogos antes do mata-mata.

Os próximos compromissos trazem rivais diretos na briga pelas primeiras posições e também seleções que lutam por vaga olímpica e pontuação no ranking. Cada rodada redesenha o quadro de forças às vésperas das grandes competições do calendário, como o Campeonato Mundial e os Jogos Olímpicos. A comissão técnica monitora minutos em quadra, alterna formações e testa jovens ponteiros e centrais, enquanto o núcleo mais experiente segura a responsabilidade nos momentos de maior pressão.

O clássico deste domingo deixa uma mensagem clara para os concorrentes: o Brasil ainda responde sob pressão e não entrega jogo grande com facilidade. A invencibilidade na primeira semana não resolve as dúvidas sobre consistência ao longo da temporada, mas cria uma base sólida para trabalhar. A partir daqui, a questão que acompanha a seleção é simples e central para o ano: o time consegue transformar viradas emocionantes como a de Brasília em regularidade suficiente para brigar pelo topo da VNL e chegar forte às próximas grandes decisões?

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