Beiranvand fecha o gol, Irã segura Bélgica e Grupo G segue em aberto
Copa do Mundo
Goleiro Beiranvand brilha e mantém empate sem gols entre Irã e Bélgica, deixando o Grupo G indefinido na Copa 2026.
Irã e Bélgica empatam em 0 a 0 nesta domingo (21), às 16h (de Brasília), no SoFi Stadium, em Inglewood, e mantêm o Grupo G da Copa de 2026 completamente aberto. A partida fica marcada por uma atuação monumental do goleiro iraniano Alireza Beiranvand, por um gol anulado do Irã pelo VAR e pela expulsão do zagueiro belga Ngoy no segundo tempo.
Retranca iraniana trava a Bélgica e valoriza o ponto
O resultado leva as duas seleções a 2 pontos em duas rodadas e adia qualquer definição para a madrugada de 27 de junho. A Bélgica, que chega aos Estados Unidos pressionada após a queda ainda na fase de grupos em 2022, volta a tropeçar e segue sem vencer. O Irã, tradicional coadjuvante em Copas, ganha fôlego na tentativa de avançar pela primeira vez às oitavas de final.
No gramado sintético e sob teto fechado do SoFi Stadium, o desenho tático fica nítido desde o início. A Bélgica se instala no campo ofensivo, com Kevin De Bruyne, Trossard e Lukaku tentando cercar a área adversária, enquanto o Irã se encolhe em linhas muito baixas. Amir Ghalenoei alterna entre um 6-3-1 e um 5-4-1, praticamente uma muralha humana na frente de Beiranvand.
A estratégia incomoda o time europeu e trava o ritmo da partida. A Bélgica gira a bola, tenta triangulações pelos lados, mas encontra sempre um pé iraniano no meio do caminho. O Irã aceita viver sem a posse, espera o erro e sai em velocidade com Mehdi Taremi, único atacante fixo, cercado por meias que se desdobram entre defender e contra-atacar.
Gol anulado, milagre no gol e cartão vermelho
A primeira grande intervenção dos goleiros surge logo no início. Depois de um escanteio, a bola sobra para Kanaani dentro da área. O chute forte obriga Courtois a se esticar para evitar o gol iraniano. É o aviso de que o jogo não se limita à retranca.
Aos 24 minutos, o plano de Ghalenoei parece funcionar à perfeição. Hajsafi cobra falta da intermediária, rasteira, em jogada ensaiada. Taremi invade pelo meio, recebe livre e bate de esquerda, rasteiro, vencendo Courtois. O estádio explode em verde e branco, mas a comemoração dura pouco. O árbitro argentino Dario Herrera é chamado ao monitor, e o VAR indica impedimento milimétrico do camisa 9. O 1 a 0 vira lembrança em segundos.
O lance mexe com o clima da partida. O Irã prova que consegue ameaçar mesmo com poucos jogadores à frente. A Bélgica acelera, aumenta o volume de cruzamentos e finalizações. Começa, então, o duelo particular entre os atacantes europeus e Beiranvand.
Aos 33 anos, 89 jogos pela seleção e passagens discretas por Royal Antwerp, com 12 partidas, e Boavista, com 9, o goleiro escreve uma de suas maiores atuações em Copas. Sofre uma pancada de Lukaku em dividida aérea, mas segue em campo. Defende chute rasteiro de Trossard, segura bola alçada de Meunier, se impõe pelo alto. O intervalo chega com o placar zerado e 21 finalizações belgas ao fim do jogo no horizonte.
O segundo tempo reforça o roteiro. A Bélgica adianta ainda mais a marcação, tenta acelerar a troca de passes. O Irã recua, espreme os espaços, aceita o sofrimento. Aos 13 minutos, vem o momento que entra no pacote de melhores defesas da Copa. De Bruyne acha espaço na linha de fundo pela direita e cruza para o meio da área. A bola desvia e cai perfeita para De Cuyper, quase na pequena área, com o goleiro caído. Beiranvand, porém, se ergue num reflexo improvável e espalma com a mão esquerda. “Alireza fez seis defesas durante o jogo, a principal delas na segunda etapa em finalização De Cuyper após jogadaça de Kevin de Bruyne”, descreve o ge. “O goleiro iraniano voou para fazer uma defesaça, uma das intervenções mais difíceis da Copa do Mundo”, segue o portal.
O drama belga aumenta aos 21 minutos. Ngoy falha no domínio na intermediária defensiva, Taremi se antecipa e partiria cara a cara com Courtois. O zagueiro agarra o iraniano e derruba o contra-ataque. Herrera não hesita e mostra o cartão vermelho direto. A Bélgica, que já encontra dificuldades contra o ferrolho asiático, perde um defensor e precisa reorganizar toda a linha de trás.
Esperança iraniana, pressão belga e grupo em ebulição
Com um jogador a mais, o Irã abandona parcialmente o 6-3-1 e passa a respirar no ataque. Ezatolahi arrisca de fora da área aos 35 minutos e obriga Courtois a outra intervenção. A Bélgica, empurrada pela necessidade, deixa espaços ao tentar acelerar a transição ofensiva.
Nos minutos finais, o jogo vira teste físico e emocional. Rudi Garcia, pressionado pela campanha irregular, mexe na equipe para manter o time agressivo, mesmo em inferioridade numérica. Ghalenoei, por sua vez, gasta tempo com substituições e reforça ainda mais o setor defensivo. O empate já não parece tão mau negócio para os iranianos.
Aos 40 minutos, De Cuyper recebe novamente pela esquerda, entra na área e bate cruzado. Beiranvand se estica outra vez e salva o Irã com a sétima defesa difícil da noite. A reação dos jogadores belgas é de desespero; a dos iranianos, de comemoração a cada bola cortada. O apito final sela o 0 a 0 mais barulhento do Grupo G.
O resultado deixa a chave em ebulição. Irã e Bélgica somam 2 pontos e saldo de gols zerado. Nova Zelândia e Egito, que empatam na estreia em 2 a 2 e 1 a 1 contra Irã e Bélgica, respectivamente, chegam à segunda rodada com 1 ponto cada. Todos continuam vivos, todos podem avançar ou cair na rodada final.
O que está em jogo na última rodada
O empate em Inglewood não resolve a vida de ninguém, mas redefine prioridades. Para o Irã, o ponto ganho contra uma seleção que foi quartas de final em 2014 e semifinal em 2018 tem peso histórico. A equipe asiática enfrenta o Egito em Seattle, à 0h de 27 de junho (horário de Brasília), dependendo de uma combinação de resultados que ainda pode incluir vitória simples e atenção ao saldo.
A Bélgica viaja a Vancouver para encarar a Nova Zelândia, no mesmo horário, com a obrigação política e esportiva de vencer. Depois do fiasco de 2022, quando cai na primeira fase, mais uma eliminação precoce tende a acelerar debates internos sobre renovação, uso de veteranos e o próprio trabalho de Rudi Garcia. A atuação de De Bruyne, ainda cérebro do time, contrasta com a dificuldade coletiva em transformar posse de bola em chances realmente claras.
No campo simbólico, o jogo reforça uma tendência recente em Copas: seleções de segundo escalão competem com gigantes armadas em blocos baixos, linhas de cinco ou seis jogadores e goleiros em noite inspirada. A frase de um treinador rival, dita em outro contexto e registrada pela CNN Brasil, ecoa no SoFi Stadium: “Queria poder jogar com 3 goleiros”. O Irã não precisa de três; com um, fecha o gol e mantém vivo o sonho de fazer história.
A rodada final do Grupo G promete tensão até o último minuto. Um gol em Seattle ou Vancouver pode redesenhar toda a classificação. Se avançar, o Irã certamente olhará para este 0 a 0 com a Bélgica como o jogo que cimenta sua identidade: defesa feroz, goleiro em estado de graça e a sensação de que, desta vez, a passagem às oitavas não é apenas um delírio distante.
Qual é o melhor time do Irã?
Persepolis e Esteghlal, ambos de Teerã, são os clubes mais tradicionais e vitoriosos do país, com frequentes títulos nacionais e presença em competições asiáticas.
Quem patrocina a seleção do Irã?
Os acordos de patrocínio mudam de ciclo em ciclo; para saber os patrocinadores atuais, é preciso consultar os canais oficiais da federação iraniana.
Quantas Copas do Mundo o Irã já jogou?
Até o torneio de 2022, o Irã disputou seis Copas do Mundo. A edição de 2026 é a sétima participação de sua seleção no Mundial.
