Áustria vence Jordânia, encerra jejum de 36 anos e larga bem no Grupo J
A Áustria vence a Jordânia por 3 a 1 nesta quarta-feira (17), em Santa Clara, e encerra um jejum de 36 anos sem triunfos em Copas. O jogo marca ainda o primeiro gol jordaniano na história dos Mundiais e coloca os austríacos em posição privilegiada no Grupo J da Copa de 2026.
Vitória que pesa mais do que três pontos
O resultado vira marco imediato para duas seleções em estágios opostos. A Áustria volta a sorrir em uma Copa do Mundo depois de ficar quatro edições fora e de passar 36 anos sem vitória, desde o 2 a 1 sobre os Estados Unidos em 1990. A Jordânia estreia em Mundiais, perde, mas enfim escreve seu nome no placar da principal competição do futebol.
O contexto do Grupo J reforça o peso da noite californiana. A chave reúne também a atual campeã mundial, Argentina, e a Argélia. Em um grupo com dois adversários acostumados a grandes palcos, abrir a campanha com três pontos deixa a Áustria em vantagem estratégica e obriga a Jordânia a reagir imediatamente para não se ver encurralada logo na primeira participação em Copas.
Schmid abre caminho, Olwan faz história e gol contra decide
O time asiático entra em campo sem o peso da tradição, mas sem medo. Com menos de um minuto, o ala Ihsan Haddad finaliza para fora e dá o primeiro susto em Alexander Schlager. Aos 16, Odeh Al-Fakhouri acelera em contra-ataque e obriga o goleiro austríaco a uma defesa difícil, que silencia a torcida europeia por alguns segundos.
O domínio territorial, porém, é austríaco. A equipe de vermelho circula a bola, prende a Jordânia no próprio campo e amadurece o gol. Aos 20 minutos, Romano Schmid recebe na intermediária, ajeita o corpo e acerta chute firme de fora da área. A bola viaja no canto, sem chance para Yazeed Abulaila, e abre o 1 a 0 com um golaço que muda o clima no estádio em Santa Clara.
A resposta da Jordânia é imediata e cheia de personalidade. Ali Olwan testa forte e acerta o travessão, em lance que faz os torcedores jordanianos levarem as mãos à cabeça. Pouco depois, o centroavante invade a área e solta uma bomba para nova defesa de Schlager; no rebote, Musa Al-Taamari para no bloqueio de Philipp Lienhart. A equipe asiática cresce e termina o primeiro tempo pressionando, com Al-Taamari driblando dois marcadores, já nos acréscimos, antes de finalizar fraco pela esquerda.
A volta para o segundo tempo recoloca a Jordânia no jogo de forma definitiva. Aos 5 minutos, um lançamento em profundidade encontra Olwan em velocidade. O camisa 9 entra na área, limpa o marcador com um corte seco e bate no canto. O 1 a 1 entra para a história como o primeiro gol do país em Copas do Mundo e transforma a partida em Santa Clara.
A Áustria sente o golpe, mas não se desmonta. Carney Chukwuemeka aparece na área e quase recoloca a equipe na frente, travado pela defesa. Em seguida, Marko Arnautovic chega a balançar as redes, mas o lance é anulado por toque de mão de Stefan Posch na origem da jogada, decisão que aumenta a tensão em campo e nas arquibancadas.
O empate persiste até os 31 do segundo tempo, quando o roteiro muda em um detalhe cruel. Marcel Sabitzer cruza da esquerda buscando Arnautovic. Antes da bola chegar ao centroavante, o zagueiro Yazan Al-Arab tenta cortar e desvia contra o próprio gol. O 2 a 1 devolve o controle emocional à Áustria e abate a Jordânia, que via a noite histórica ganhar contornos dramáticos.
Nos acréscimos, Arnautovic tem chance clara cara a cara, mas chuta em cima de Abulaila. O goleiro quase se complica em saída com os pés e por pouco não entrega o terceiro. No último lance, a defesa jordaniana comete pênalti e o camisa 7 austríaco assume a responsabilidade. Ele bate com categoria, desloca o goleiro e fecha o placar em 3 a 1, garantindo uma estreia que rompe o longo jejum de vitórias austríacas em Mundiais.
Impacto no Grupo J e no futebol jordaniano
A vitória recoloca a Áustria no mapa competitivo das Copas. Terceira colocada em 1954 e quarta em 1934, a seleção passa décadas longe do protagonismo. Depois da eliminação na fase de grupos em 1998, com dois empates e uma derrota, o país passa quatro edições sem se classificar. O triunfo em Santa Clara funciona como afirmação de um projeto que mira, ao menos, as oitavas de final em 2026.
O resultado também mexe com o desenho do Grupo J. Com três pontos na estreia, a Áustria ganha margem para encarar a Argentina em Dallas, na segunda-feira (22), às 14h (de Brasília), sem desespero por resultado. Uma derrota diante da atual campeã não seria fatal, desde que o time confirme o favoritismo contra a Argélia na última rodada.
Para a Jordânia, o 3 a 1 tem sabor ambíguo. No placar, a seleção estreia com derrota e entra na segunda rodada pressionada. Na memória, Ali Olwan e seus companheiros garantem um feito que nenhum jogador do país havia alcançado desde que a Copa foi criada, em 1930. O primeiro gol jordaniano em Mundiais dá lastro simbólico a um projeto de desenvolvimento do futebol local, ainda distante dos principais centros, mas disposto a competir em alto nível.
A atuação corajosa em Santa Clara reforça essa narrativa. A Jordânia cria chances claras, acerta o travessão, testa Schlager em pelo menos três defesas difíceis e só se rende após um lance infeliz de seu zagueiro. O desempenho oferece argumentos para a comissão técnica manter a proposta ofensiva, mesmo sob risco calculado, diante de rivais mais experientes.
Próximos desafios e o que está em jogo
A agenda da próxima semana coloca os dois times diante de decisões precoces. A Áustria volta a campo na segunda-feira (22), às 14h, em Dallas, para enfrentar a Argentina de Lionel Messi, atual campeã mundial. O duelo serve como teste de fogo para medir até onde o time austríaco pode ir em 2026 e se a vitória sobre a Jordânia é ponto de partida ou apenas alívio após 36 anos sem triunfos.
A Jordânia tenta respirar na terça, às 0h, novamente em Santa Clara, contra a Argélia. Um novo tropeço pode reduzir a participação histórica a três jogos protocolares. Uma reação, mesmo que modesta, mantém viva a possibilidade de classificação e consolidaria o gol de Olwan não apenas como lembrança isolada, mas como início de um ciclo mais ambicioso. O Mundial nos Estados Unidos começa a desenhar seus primeiros enredos, e o Grupo J já oferece uma certeza: tradição pesa, mas não corre sozinha.
