Australiano morre em ataque de tubarão durante caça submarina
Um australiano de 39 anos morre neste domingo (24) após ser atacado por um tubarão durante uma caça submarina na Grande Barreira de Corais, em Queensland. O homem sofre um ferimento grave na cabeça e não resiste antes de chegar ao hospital.
Ataque em recife isolado expõe risco da caça submarina
O ataque ocorre em Kennedy Shoal, um recife raso a cerca de 45 quilômetros da costa do Estado de Queensland, no nordeste da Austrália. O local é conhecido entre pescadores e mergulhadores pela abundância de peixes de recife e pela presença constante de tubarões, atraídos pela oferta de alimento.
O homem integra um grupo de quatro pessoas em um barco que passa o dia na região. Segundo a inspetora Elaine Burns, do Serviço de Polícia de Queensland, ele está submerso, praticando caça submarina, quando o tubarão avança. “Acreditamos que o homem estava praticando caça submarina quando foi atacado e morreu devido a um grave ferimento na cabeça. Ele foi retirado da água por outra pessoa que estava com ele no momento do ataque”, afirma a policial.
O companheiro de barco puxa a vítima de volta para a embarcação e aciona os serviços de emergência por rádio. O grupo tenta retornar à costa o mais rápido possível, mas leva mais de uma hora até alcançar a rampa do porto mais próximo. As equipes médicas aguardam em terra e tentam manobras de reanimação, porém o homem é declarado morto ainda na rampa da embarcação.
A polícia mantém, por enquanto, em sigilo a identidade da vítima. Amigos e familiares começam a ser ouvidos pelas autoridades, que buscam reconstituir a experiência da equipe no mar e o histórico de mergulho do australiano. Os investigadores também colhem relatos dos outros três ocupantes do barco para entender em que profundidade ele mergulha, quanto tempo permanece na água e em que ponto exato do recife o ataque ocorre.
País convive com média anual de 20 ataques de tubarão
O caso em Kennedy Shoal não é isolado. A Austrália registra, em média, cerca de 20 ataques de tubarão por ano, segundo dados de centros de pesquisa marinha e registros oficiais. A maior parte resulta em ferimentos, não em mortes. Afogamentos ainda superam, com folga, as fatalidades causadas pelos animais.
Este é o segundo ataque fatal de tubarão no país em maio de 2026. Em 16 de maio, um homem de 38 anos morre após ser atacado em uma ilha próxima a Perth, na Austrália Ocidental. As duas mortes em pouco mais de uma semana reacendem o debate sobre segurança em atividades de alto risco, como caça submarina e surfe em áreas remotas.
No início do ano, em janeiro, dezenas de praias na costa leste, inclusive em Sydney, fecham temporariamente depois de quatro ataques de tubarão em apenas dois dias. Na ocasião, autoridades atribuem a sequência a uma combinação de água turva, provocada por chuvas fortes, e maior concentração de peixes perto da costa, cenário que facilita a aproximação dos predadores e reduz a visibilidade tanto para humanos quanto para os próprios animais.
Especialistas em comportamento marinho reforçam que o risco de ataques permanece relativamente baixo diante do volume de banhistas, surfistas e mergulhadores que frequentam o litoral australiano todos os anos. Ao mesmo tempo, lembram que a caça submarina carrega um componente adicional de perigo, porque o mergulhador costuma carregar peixes feridos ou sangrando, o que pode atrair tubarões curiosos ou em busca de alimento.
Em muitos pontos da costa, autoridades locais discutem o equilíbrio entre a proteção da biodiversidade marinha, especialmente na Grande Barreira de Corais, e medidas de controle consideradas invasivas, como redes de contenção e abate de tubarões. Organizações ambientais defendem que a prioridade seja monitorar as áreas de maior risco, informar melhor os usuários do mar e adaptar atividades humanas aos padrões naturais dos animais.
Investigações, prevenção e incertezas para a próxima temporada
A polícia de Queensland ainda tenta determinar a espécie de tubarão envolvida no ataque em Kennedy Shoal. A identificação depende de relatos detalhados dos sobreviventes, da análise dos ferimentos e de eventuais registros de câmeras de ação que possam ter sido usadas durante a caça submarina. Até agora, nenhuma hipótese é confirmada publicamente.
As autoridades marítimas avaliam se emitem novos alertas ou orientações específicas para pescadores e mergulhadores que atuam em recifes afastados da costa. Em episódios anteriores, governos estaduais já adotam, de forma temporária, restrições a esportes aquáticos em determinadas faixas horárias, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer, quando a atividade de tubarões costuma aumentar.
O caso volta a pressionar órgãos públicos, operadores turísticos e associações de pesca a rever protocolos de segurança. Em embarcações de pequeno porte, a presença de kits de primeiros socorros avançados, planos claros de evacuação e comunicação por rádio eficiente pode determinar a diferença entre a vida e a morte quando o resgate demora mais de uma hora.
Pesquisadores da Grande Barreira de Corais acompanham os desdobramentos e alertam para a necessidade de combinar estatísticas frias com informação acessível. A percepção de risco tende a crescer após episódios fatais em sequência, mesmo quando os dados mostram que encontros letais continuam raros. Essa tensão entre medo, turismo e preservação deve marcar a preparação para o verão do Hemisfério Sul.
A investigação policial e os relatórios dos serviços de emergência ainda vão detalhar, nas próximas semanas, cada minuto do ataque e da tentativa de resgate em Kennedy Shoal. As respostas que surgirem podem orientar novas regras para a caça submarina e influenciar a forma como australianos e visitantes encaram o mar em um dos ecossistemas mais famosos do planeta.
