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Política

Ativistas espalham cartazes de Flávio Bolsonaro como “procurado” nos EUA

Material foi distribuído em ruas e estações de metrô de Nova York e pede a deportação do senador; apesar da mensagem, Flávio não tem mandado de prisão e não é considerado foragido.

Ativistas espalham cartazes de Flávio Bolsonaro como “procurado” nos EUA

Ativistas brasileiros espalharam cartazes com a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a palavra “procurado” em ruas e estações de metrô de Nova York, nos Estados Unidos. A manifestação ocorreu durante o fim de semana de Halloween e ganhou repercussão nesta segunda-feira (2), após a divulgação de vídeos nas redes sociais. O grupo pede a deportação do parlamentar, que deixou o Brasil em 27 de outubro, depois de ser derrotado na eleição presidencial.

Os cartazes apresentam acusações contra Flávio e reproduzem o estilo de avisos utilizados para identificar pessoas procuradas pelas autoridades. Entretanto, o material é uma iniciativa de manifestantes e não possui caráter oficial. Apesar de estar sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e ter deixado o país após uma ordem judicial que proibia sua saída, o senador não é considerado formalmente foragido, pois não há mandado de prisão contra ele.

Leia também: PF investiga se Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em jatinho ligado a advogado

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Vídeo mostra cartazes de Flávio Bolsonaro espalhados em Nova York

As imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma mulher brasileira, usando máscara, colocando cartazes com o rosto do senador em diferentes pontos de Nova York, incluindo áreas próximas a estações de metrô.

O material apresenta a palavra “WANTED”, que significa “procurado” em inglês, e reúne acusações relacionadas a supostos crimes contra a democracia brasileira.

Durante a gravação, a manifestante defende a retirada de Flávio Bolsonaro dos Estados Unidos e contesta a alegação do parlamentar de que estaria sofrendo perseguição política.

A publicação também faz críticas ao presidente norte-americano Donald Trump, que autorizou a entrada do senador em território americano.

A identidade da mulher que aparece no vídeo não foi confirmada nas reportagens consultadas. Também não há confirmação sobre a quantidade total de cartazes distribuídos.
A identidade da mulher que aparece no vídeo não foi confirmada nas reportagens consultadas. Também não há confirmação sobre a quantidade total de cartazes distribuídos.

 

Cartazes apresentam acusações contra o senador

O conteúdo dos cartazes atribui a Flávio Bolsonaro suspeitas relacionadas a tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de recursos públicos e crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Essas afirmações fazem parte do material produzido pelos ativistas e não devem ser confundidas com acusações formalmente apresentadas pela Justiça em cada investigação.

O senador é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e operações financeiras relacionadas ao advogado Willer Tomaz.

O outro investiga possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio nega ter cometido irregularidades. Até as informações disponíveis nesta segunda-feira (2), não havia condenação criminal do senador nesses procedimentos.

Flávio Bolsonaro não é considerado foragido da Justiça

Embora os cartazes utilizem a palavra “procurado”, a situação jurídica do parlamentar é diferente daquela apresentada na manifestação.

Em 25 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro e proibiu sua saída do Brasil.

A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal, que apontou risco de evasão no contexto das investigações.

O senador não entregou os documentos no prazo determinado, e seus passaportes brasileiros foram cancelados.

Posteriormente, Flávio deixou o país pela fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos.

Apesar do descumprimento da restrição de viagem, a Polícia Federal esclareceu que a situação não caracteriza automaticamente a condição de foragido.

Para isso, seria necessária uma ordem de prisão não cumprida. Até esta segunda-feira, não havia confirmação de mandado de prisão em vigor contra o parlamentar.

A saída do país poderá ser considerada pelo STF na avaliação de eventuais novas medidas judiciais.

Senador chegou a Miami após passar pela Argentina e pelo Equador

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas.

Segundo os registros divulgados pelas autoridades argentinas, ele cruzou a fronteira com a Argentina às 22h50 e, posteriormente, embarcou em uma aeronave particular.

O voo fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a Flórida.

O avião pousou no aeroporto executivo Miami-Opa Locka às 10h25 de quarta-feira (28).

A viagem aconteceu dois dias depois da confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

Flávio recebeu 48,21% dos votos válidos, enquanto Lula foi reeleito com 51,79%.

Após chegar aos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta contestando o resultado eleitoral e afirmando que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior.

Em uma primeira versão do documento, Flávio se apresentou como o verdadeiro presidente eleito, mas posteriormente substituiu a expressão por “líder do Brasil”. As alegações de fraude eleitoral não foram acompanhadas de provas.

Ativistas também acusam Trump de interferência nas eleições

Além das críticas ao senador, os cartazes e os vídeos divulgados pelos manifestantes apresentam acusações contra o presidente Donald Trump.

Os participantes da ação afirmam que o governo americano teria interferido na eleição brasileira e auxiliado Flávio Bolsonaro a deixar o país.

Não foram apresentadas provas que comprovem a acusação de participação direta do governo americano na organização da viagem.

No sábado (31), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou que Washington tenha ajudado o parlamentar a sair do Brasil.

Rubio, entretanto, confirmou que Trump autorizou a entrada de Flávio em território norte-americano.

O próprio presidente americano já havia reconhecido publicamente a autorização, mas evitou endossar a declaração de Flávio de que seria o verdadeiro vencedor da eleição brasileira.

A autorização de entrada nos Estados Unidos não altera automaticamente as medidas judiciais determinadas pela Justiça brasileira.

Flávio reapareceu em culto religioso na Flórida

Enquanto os cartazes eram divulgados em Nova York, Flávio Bolsonaro participou de um culto evangélico em Fort Lauderdale, na Flórida, no domingo (1º).

O senador estava acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, do irmão Eduardo Bolsonaro e de outros familiares.

Imagens divulgadas pela igreja Celeiro mostram o parlamentar durante a celebração religiosa.

A participação marcou uma das primeiras aparições públicas de Flávio desde sua chegada aos Estados Unidos.

No encontro, o senador agradeceu os votos recebidos na eleição presidencial e voltou a falar sobre sua atuação política.

Até a última atualização, não havia manifestação pública de Flávio especificamente sobre os cartazes espalhados em Nova York.

Próximos passos

As investigações relacionadas a Flávio Bolsonaro continuam em andamento no Supremo Tribunal Federal.

Eventuais medidas adicionais sobre o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes dependerão de decisões das autoridades brasileiras.

Nos Estados Unidos, os cartazes representam uma manifestação política sem efeito jurídico direto. Um eventual procedimento de deportação dependeria das autoridades migratórias americanas e da legislação aplicável.

Não havia confirmação, até esta segunda-feira (2), de que o governo dos Estados Unidos tivesse iniciado um processo para deportar o senador.

A permanência de Flávio no exterior também continua provocando questionamentos sobre o exercício de seu mandato no Senado brasileiro.