Ultimas

Ataque de Eduardo a Zema acirra racha na direita em 2026

Eduardo Bolsonaro defende, neste sábado (13), o rompimento completo com o Partido Novo após declarações de Romeu Zema sobre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O embate expõe fissuras na direita às vésperas da eleição presidencial de 2026.

Zema mira Flávio e aciona disputa por liderança na direita

O conflito ganha corpo depois de uma entrevista de Romeu Zema ao portal Brasil Paralelo. O ex-governador de Minas, hoje pré-candidato ao Planalto pelo Novo, afirma ter ficado “indignado” com as notícias que ligam Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Na mesma fala, Zema endurece o tom: “Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela”.

A declaração atinge em cheio o senador Flávio Bolsonaro, apontado há meses como um dos nomes centrais da chapa presidencial da direita em 2026. As mensagens vazadas entre o parlamentar e Vorcaro alimentam suspeitas e alimentam o discurso ético de adversários, que exploram o caso como símbolo de promiscuidade entre política e grandes interesses financeiros.

Eduardo reage nas redes sociais poucas horas depois da publicação da sabatina. Em um post neste 13 de junho de 2026, acusa Zema de agir por cálculo eleitoral e inveja. “Que postura vagabunda, critica o Flávio apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim rompia geral com o @partidonovo30”, escreve. Ele também tenta relativizar o peso de Vorcaro no cenário político dois anos atrás. “E em 2024 quem sabia quem era Vorcaro? E qual era a contrapartida que o Flávio poderia oferecer em 2024, além de sofrer perseguição?”, questiona.

Antes da escalada pública, Zema circula em conversas de bastidor como favorito para a vaga de vice em uma eventual chapa liderada por Flávio. O ex-governador carrega o trunfo de ter sido reeleito em Minas Gerais em 2022 e de comandar o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores, número que seduz estrategistas bolsonaristas desde o fim da última eleição presidencial.

Bolsonarismo fecha fileiras e testa novo nome para vice

A reação de Eduardo reorganiza o tabuleiro. Ao atacar Zema e sugerir o rompimento com o Novo, ele pressiona aliados a escolherem lado e abre espaço para outro nome no posto de vice. A deputada federal Júlia Zanatta, filiada ao PL de Santa Catarina, passa a ser tratada como opção preferencial do grupo mais próximo da família Bolsonaro.

Em post no início da semana, Eduardo já vinha testando sua alternativa. “Basta ver a sua lealdade, pautas que muito bem defende no Congresso e, claro, o esperneio da esquerda”, escreve ao elogiar a deputada. Na sexta-feira (12), volta ao tema e afirma que quer ver Flávio na Presidência, com Zanatta na linha de sucessão. “Quero ver o Flávio Bolsonaro presidente, alguém querer fazer o impeachment dele para entrar a Júlia Zanatta. Agora, bota um vice igual ao Zema, que você tanto ama, para ver como será…”, provoca.

O recado mira também o discurso pragmático de parte da direita, que enxerga em Zema um candidato com imagem mais moderada e maior apelo em segmentos urbanos. Eduardo enfrenta essa leitura com um argumento moral. “Onde você enxerga voto eu enxergo caráter”, responde, em rede social, a um jornalista que defendia a construção de uma chapa com o ex-governador mineiro.

Enquanto o tom sobe, a campanha de Flávio ainda tenta manter pontes com aliados tradicionais. Dirigentes do PP, por exemplo, garantem publicamente que há “possibilidade zero” de o partido abandonar o senador na corrida de 2026. Ao mesmo tempo, a cúpula do PL avalia o custo de uma ruptura definitiva com o Novo, que, apesar de pequeno, agrega quadros com bom desempenho em capitais e centros de classe média, onde a disputa por voto é mais acirrada.

A assessoria de Romeu Zema é procurada para comentar os ataques de Eduardo, mas não responde até a publicação deste texto. Em ocasiões anteriores, o ex-governador já havia expressado desconforto com a aproximação de Flávio com Vorcaro. Em entrevista coletiva durante a Marcha dos Municípios, em Brasília, em 2024, diz continuar “muito decepcionado” com o caso e reforça uma linha de independência em relação ao ex-banqueiro.

Racha ameaça alianças e embaralha xadrez de 2026

As críticas atuais seguem o mesmo roteiro. Zema afirma que o país “precisa de um presidente com credibilidade” e tenta se distanciar do personagem que chama de “banqueiro bandido”. Lembra que, embora more na mesma cidade de Vorcaro, nunca se reúne com ele. “Ele foi atrás de pessoas que viu que seria bem recebido. Minha forma de atuar é o oposto do que ele pratica. Até estranho que ele nunca tenha procurado o governo de Minas”, diz.

A ofensiva reforça a estratégia do Novo de explorar uma bandeira de ética na política, marca do partido desde sua fundação, em 2015. A legenda perdeu fôlego nacional após 2018, mas ainda tenta se diferenciar do PL e de siglas do centrão, que acumulam denúncias de corrupção e acordos para loteamento de cargos federais. Em 2022, o Novo elegeu apenas 3 deputados federais, contra 99 do PL, mas preserva vitrine com a gestão em Minas e algumas prefeituras estratégicas.

No curto prazo, o impasse aumenta o risco de fragmentação da direita. Uma ruptura formal entre PL e Novo em torno do nome de Flávio pode abrir espaço para candidaturas paralelas, inclusive com Zema encabeçando um projeto próprio e competitivo. A divisão tende a dificultar a construção de uma frente única contra o campo lulista, que trabalha para manter a base unida após oito anos de polarização intensa.

Em termos práticos, o episódio força todos os atores a reverem seus cálculos. O entorno de Flávio mede o ganho de fidelidade e alinhamento ideológico ao apostar em Júlia Zanatta contra a perda de amplitude eleitoral que um palanque com Zema poderia oferecer. Dirigentes do Novo avaliam se ainda faz sentido sustentar qualquer diálogo com um grupo que os ataca em público e associa o partido a uma suposta falta de caráter, enquanto tenta manter sua bandeira de integridade.

Próximos movimentos definem mapa de alianças da eleição

Os próximos meses serão decisivos para saber se o racha se consolida ou se recua para os bastidores. As convenções partidárias, previstas para o segundo semestre de 2026, funcionam como prazo máximo para a definição de chapas, vices e federações. Até lá, novas pesquisas de intenção de voto e o desempenho de Flávio e Zema em agendas públicas vão pesar na mesa de negociação.

A crise desta semana opera como teste de estresse para o projeto de reunificação da direita. Se prevalecer a lógica da lealdade pessoal, como defende Eduardo, a tendência é a montagem de uma chapa mais estreita, com forte apelo à base bolsonarista, mas menor alcance no eleitorado indeciso. Se a pressão por amplitude falar mais alto, Zema pode voltar à mesa, ainda que com a relação pessoal desgastada e a necessidade de reconstruir pontes.

No centro desse impasse, o caso Vorcaro segue como fantasma. As mensagens vazadas entre o senador e o ex-banqueiro alimentam dúvidas sobre a exposição de Flávio a novos desgastes, inclusive judiciais, ao longo da campanha. A forma como a direita lida com esse tema, e com a crítica interna de figuras como Zema, ajuda a desenhar que tipo de coalizão chega mais forte a outubro de 2026: uma aliança costurada pela conveniência eleitoral ou um pacto que consiga conciliar voto, programa e cobranças por ética no poder.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *