Argélia vira sobre a Jordânia e segue viva na Copa de 2026
Copa do Mundo
Seleção africana conquista vitória importante e mantém chances na competição, enquanto a Jordânia se despede do torneio.
A Argélia vence a Jordânia por 2 a 1, de virada, na madrugada desta terça-feira (22), no Levi’s Stadium, na Califórnia, e segue viva na Copa de 2026. A seleção africana chega a 3 pontos no Grupo J e empata com a Áustria na briga pela vaga no mata-mata, enquanto a estreante Jordânia está eliminada após duas derrotas.
Virada preserva Argélia na briga por vaga
O resultado mantém a Argélia respirando depois da estreia traumática contra a Argentina, derrota por 3 a 0 com hat-trick de Lionel Messi. A equipe precisava vencer; o empate praticamente tiraria as chances de classificação. O triunfo recoloca jogadores como Riyad Mahrez e o jovem Amine Gouiri no centro da disputa por um lugar nas oitavas.
O grupo chega à última rodada com a Argentina isolada na liderança e, na prática, dona de uma vaga. Argélia e Áustria, ambas com 3 pontos, jogam entre si pela segunda. A Jordânia, que perde por 3 a 1 dos austríacos na estreia e agora cai por 2 a 1, se despede sem pontuar, mas leva para casa a experiência da primeira participação em Copas.
Jordânia assusta, mas Argélia controla reação
O jogo em Santa Clara começa tenso. A Argélia tenta se impor com a bola, puxa o jogo por Mahrez e pelo lateral Rayan Aït-Nouri, mas erra demais no último passe. A Jordânia se fecha, espera o erro e aposta na velocidade de Musa Al-Taamari e Ali Olwan para contra-atacar.
A estratégia funciona. Em uma escapada rápida pela direita, Olwan encontra espaço entre os zagueiros, a defesa argelina afrouxa a marcação e o chute rasteiro supera o goleiro. O gol complica ainda mais a situação da Argélia, que vinha de goleada na estreia e entra em campo sob pressão.
A equipe africana sente o golpe por alguns minutos. A Jordânia, embalada, chega a criar chances para ampliar, em chutes de média distância e cruzamentos perigosos. “A Argélia sofreu para vencer a Jordânia nesta segunda-feira. Mesmo superior, a seleção africana saiu atrás no placar, levou ataques perigosos que poderiam ter aumentado o placar, mas conseguiram se recompor e virar a partida para a vitória por 2 a 1 no Levi’s Stadium”, descreve texto da redação de O Globo.
O gol sofrido, porém, desperta a Argélia. Mahrez passa a achar espaços, abre a defesa adversária pelo lado direito e arrasta a marcação. Em jogada trabalhada pela esquerda, Aït-Nouri chega à linha de fundo e cruza para a área. Benbouali se antecipa à zaga e empata de cabeça, ainda no primeiro tempo.
O empate acalma a Argélia e expõe a falta de repertório ofensivo da Jordânia em jogo de imposição física. O segundo tempo tem roteiro parecido: posse africana, resistência árabe e contra-ataques esporádicos. Em uma das poucas brechas, Mahrez encontra Gouiri em diagonal. O atacante domina na entrada da área, ajeita e bate cruzado, virando o placar.
O 2 a 1 coloca a Argélia na zona de conforto que buscava desde o início. A Jordânia ainda tenta reagir com entrada de Mahmoud Al-Mardi, um dos destaques apontados por quem conhece o futebol local, mas o time sente o desgaste físico e não encontra força para um último empate.
Eliminação expõe limites e legado jordaniano
A queda precoce da Jordânia na Copa, sem pontos após dois jogos, não apaga o processo que leva o país ao Mundial. Nos bastidores, o desempenho da seleção carrega a marca de um trabalho brasileiro interrompido às vésperas do título nacional. Ney Franco, o preparador físico Robson Gomes e o auxiliar Thiago Larghi comandam o Al Hussein, um dos principais clubes locais, de agosto de 2025 ao fim de abril de 2026.
Com a comissão brasileira, o time faz campanha de 23 jogos, 17 vitórias, três empates e três derrotas no Campeonato Jordaniano e chega às quartas da Champions League Two da Ásia, a segunda competição de clubes mais importante do continente. Mesmo assim, o trio é demitido poucos dias antes da confirmação do título.
“A decepção foi grande por estarmos há dois dias de um jogo único das quartas da Copa e há cinco dias de enfrentarmos uma equipe rebaixada e se nós ganhássemos, poderíamos ser campeões com antecedência do campeonato da Jordânia. E há 12 dias da conquista se não fosse campeão antes”, conta Robson Gomes. Ainda assim, ele se considera parte direta do troféu. “Todas as pessoas falaram que a conquista foi da comissão técnica comandada pelo Ney, pelo Thiago e pelo Robson. Nós trabalhamos em 90% da competição. Ao mesmo tempo que não pegamos as medalhas, ficamos felizes por tudo que aconteceu. Fazemos parte desta conquista e somos os legítimos campeões.”
O trabalho impacta diretamente a seleção que disputa a Copa de 2026. Oito dos 26 convocados jordanianos passam pelas mãos da comissão. “Foi um privilégio trabalhar com oito dos 26 convocados. Isso tudo graças ao trabalho desenvolvido pelo Ney Franco e o Thiago Larghi durante as competições que disputamos”, diz Gomes, hoje no Atlético-GO. Entre eles estão o goleiro Yazeed Abu Laila e o atacante Mahmoud Al-Mardi, além do promissor Odeh Fakhouri, de 21 anos.
Robson vê neles a base de uma geração. “Posso destacar o goleiro Abu Laila, com sua experiência fora do país, uma liderança e qualificação técnica, e o Al-Mardi, que entrou no segundo tempo do primeiro jogo. É um jogador coringa e faz gol, muito interessante a característica ofensiva e defensiva”, avalia. Ele também aponta Al-Taamari como “principal jogador” do país e elogia Ali Olwan, que já marca gol na estreia diante da Áustria, além de projetar Fakhouri como possível “um dos principais jogadores da história da Jordânia” quando acumular rodagem internacional.
O preparador físico acompanha à distância a campanha na Copa e não se ilude com o tamanho do desafio. “Acompanhamos de perto todo o envolvimento do país para a Copa do Mundo. Nós sabíamos que por ser a primeira vez da participação da Jordânia, ela teria dificuldades, principalmente em uma competição tão expressiva como essa. Essa dificuldade ficou demonstrada em um primeiro momento contra a Áustria”, afirma. Os 3 a 1 na estreia e agora o 2 a 1 para a Argélia confirmam a leitura.
Argélia mira Áustria; Jordânia pensa no futuro
O resultado em Santa Clara reorganiza o tabuleiro do Grupo J. A Argentina, que vence a Argélia por 3 a 0 e bate também a Áustria, caminha para fechar a fase na liderança. Argélia e Áustria se enfrentam em confronto direto pela segunda vaga, com tudo em aberto. A seleção africana chega fortalecida pela virada, pela atuação mais equilibrada de Mahrez e pela resposta emocional depois do baque da estreia.
A Jordânia encara outro Everest: enfrenta a Argentina, atual campeã e favorita, em seu último jogo. A partida vale pouco na tabela, mas muito na construção da identidade futebolística do país. A exposição diante de Messi e companhia, somada à experiência de Mundial, tende a acelerar debates internos sobre formação, centros de treinamento e profissionalização, já apontados por quem acompanha o dia a dia local.
No curto prazo, a eliminação frustra sonhos de uma campanha histórica e de maior projeção internacional imediata. No médio, o caminho aberto por técnicos estrangeiros e pela geração que disputa a Copa pode pesar na balança de futuras decisões. Para a Argélia, a noite no Levi’s Stadium vira ponto de virada literal e simbólica: o 2 a 1 sobre a Jordânia mantém vivo um projeto que parecia abalado desde o encontro com Messi e empurra a decisão, agora, para 90 minutos de nervos à flor da pele contra a Áustria.
A Jordânia é aliada de Israel?
A Jordânia mantém relações diplomáticas formais com Israel desde 1994. O relacionamento é complexo, marcado por cooperação em segurança e água, mas também por tensões políticas.
É seguro viajar para a Jordânia hoje?
A Jordânia é considerada relativamente segura para turistas em comparação com vizinhos. Recomenda-se acompanhar alertas de viagem oficiais e evitar áreas de fronteira sensíveis.
Quem é o povo da Jordânia?
A população jordaniana é majoritariamente árabe, de maioria muçulmana sunita, com minorias cristãs e refugiados palestinos, sírios e iraquianos compondo um mosaico diverso.
A Jordânia é um país rico?
A Jordânia é um país de renda média, com poucos recursos naturais. Enfrenta desafios como desemprego e dependência de ajuda externa, apesar de ter setores de serviços dinâmicos.
