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Após tentativa de adiar júri, Jairinho recua e mantém defesa

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, recua após tentar destituir sua equipe de defesa e mantém o júri sobre a morte de Henry Borel, nesta segunda-feira (25), no Rio. A manobra ocorre dias depois de o principal advogado do réu sofrer um infarto e expõe a tensão em torno do caso, que apura homicídio triplamente qualificado do menino de 4 anos.

Manobra em plenário e ameaça de transferência de presídio

O movimento de Jairinho se dá em um momento decisivo do processo, que chega a uma nova sessão do júri na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Na abertura dos trabalhos, o ex-vereador afirma ser “impossível” seguir com o julgamento após o infarto do advogado Fabiano Lopes, responsável por liderar a estratégia da defesa nos últimos anos.

Ele anuncia à juíza Elizabeth Machado Louro que destitui a equipe que ainda o representa, numa tentativa de forçar o adiamento do júri. Argumenta que não teve tempo hábil para realinhar a tese com os demais defensores e pede a suspensão da sessão. A magistrada reage com firmeza. Indica que o julgamento seguirá e cogita transferir o réu do presídio de Bangu 8, onde estão ex-autoridades, para Bangu 1, unidade de segurança máxima. Diante da possibilidade, Jairinho recua. Em poucos minutos, volta atrás, reabre o canal com os próprios advogados e aceita continuar com o time que havia acabado de dispensar.

Juíza nega novas perícias e mantém cronograma

A juíza Elizabeth Louro já vinha sinalizando resistência a novas tentativas de protelar o processo. Antes do embate desta segunda-feira, ela nega pedidos da defesa para realizar novas perícias e ampliar o acesso a provas digitais, como mensagens e arquivos de celulares apreendidos. Ao indeferir as solicitações, remarca a sessão do júri para 25 de maio de 2026, mantendo o curso do caso cinco anos após a morte de Henry, registrada em março de 2021.

O processo se arrasta entre recursos, impugnações e embates periciais desde que o menino morre no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e com Jairinho, na Barra da Tijuca. Laudos oficiais apontam múltiplas lesões, compatíveis com agressões. Investigadores afirmam que o casal encena uma emergência doméstica e tenta sustentar a versão de um acidente. Com o desenrolar do inquérito, os dois passam a responder por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

Pressão pública e disputa de narrativas

O caso Henry Borel ganha dimensão nacional desde os primeiros meses de 2021. A morte de uma criança de 4 anos, dentro de casa, sob responsabilidade da mãe e de um então vereador carioca, causa repulsa e ocupa o noticiário por meses. Manifestações se repetem em frente ao Tribunal de Justiça, à Câmara de Vereadores e ao condomínio onde a família vivia. O nome de Henry estampa faixas, camisetas e cartazes que pedem justiça.

A repercussão ajuda a manter o processo sob holofotes e aumenta o peso político do julgamento. Jairinho, que já exerce mandatos e circula em bastidores da política municipal por anos, passa de figura influente a réu símbolo de violência contra crianças. A cada movimento da defesa, familiares de Henry, entidades de proteção à infância e grupos ligados à pauta de violência doméstica acompanham de perto. Dentro do plenário, promotores e advogados travam uma disputa milimétrica em torno de laudos, cronogramas e depoimentos. Fora dele, redes sociais multiplicam interpretações, trechos de audiências e vídeos antigos do ex-vereador.

Impacto jurídico e mensagem ao sistema de Justiça

A decisão de manter o júri mesmo após a manobra de destituir a defesa reforça um recado do Judiciário contra estratégias vistas como protelatórias. Ao não aceitar nova interrupção e ao mencionar a hipótese de transferência para Bangu 1, a juíza sinaliza que não pretende alongar um processo que já ultrapassa cinco anos entre investigação, denúncias e recursos. A postura tende a influenciar outros casos de grande repercussão, em que sucessivos pedidos de adiamento são usados para empurrar julgamentos por meses ou anos.

Para o Ministério Público e para movimentos que atuam na área de direitos da criança, a continuidade do júri representa um avanço concreto. Mantém viva a expectativa de uma resposta penal efetiva em um caso emblemático de violência doméstica. Também pressiona defesas a concentrarem esforços na discussão de provas, e não em brechas processuais. Para Jairinho e Monique, o custo político e pessoal cresce a cada audiência. Além da possibilidade de penas que podem superar 30 anos de prisão, ambos carregam a marca pública associada às acusações de tortura e homicídio de uma criança.

O que está em jogo daqui para frente

O prosseguimento do júri nesta segunda-feira abre mais um capítulo de um processo que se torna símbolo de como o sistema brasileiro lida com crimes contra crianças. Nos próximos dias, o tribunal ouve testemunhas, analisa laudos médicos, perícias e reconstruções de horários. As versões de defesa e acusação voltam a ser confrontadas diante de jurados leigos, responsáveis pelo veredicto final.

O desfecho ainda é incerto, mas a mensagem do tribunal é clara: o caso não sai da pauta. A forma como o júri responde à morte de Henry Borel pode influenciar futuros julgamentos de violência doméstica e de abusos cometidos por agentes públicos. Também deve alimentar o debate sobre a duração de processos penais no país e sobre os limites de manobras destinadas a adiar decisões. A pergunta que permanece, enquanto o plenário segue atento, é se a Justiça conseguirá dar uma resposta à altura da comoção que a morte de um menino de 4 anos provoca desde 2021.

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