Após 300 dias, Paulinho volta a ser opção no Palmeiras contra o Santos
Paulinho volta a ser relacionado pelo Palmeiras neste sábado, 2 de maio de 2026, para o clássico contra o Santos, no Allianz Parque. O atacante retorna após 300 dias de recuperação de uma grave lesão na perna direita que exigiu cirurgia e um longo processo de reabilitação física e mental.
Retorno em meio à boa fase e controle rigoroso
O reencontro de Paulinho com uma partida oficial acontece em um dos cenários mais simbólicos possíveis. O Palmeiras lidera o Campeonato Brasileiro com 32 pontos, soma dez vitórias, dois empates e apenas uma derrota, e entra em campo pressionado a manter a regularidade diante de um rival histórico. O camisa 10 reaparece no elenco em um momento em que o clube tenta sustentar a invencibilidade no Allianz Parque e preservar a distância para os concorrentes diretos ao título.
A última vez que o atacante vestiu a camisa alviverde em jogo foi no início de julho de 2025, contra o Chelsea, pelas quartas de final do Mundial de Clubes da Fifa. Na derrota por 2 a 1, ele teve confirmada a necessidade de um novo procedimento cirúrgico na perna direita. Desde então, passa por um processo intenso de recuperação, que mistura fisioterapia diária, treinos controlados e acompanhamento psicológico para lidar com a frustração de ficar fora de campo por quase dez meses.
Paulinho admite que a convocação para o clássico mexe com a cabeça. “Já está sendo um dia marcante e emocionante”, diz o atacante. “Por mais que a gente prepare nossa mente, sempre bate um pouco de ansiedade, o que é normal. A consciência está tranquila por tudo que eu lutei, por tudo que eu batalhei para chegar a esse momento de ser relacionado novamente e estar à disposição do treinador para ajudar o time.”
O plano traçado pela comissão técnica e pelo Núcleo de Saúde e Performance prevê um retorno gradual, sem pressa. Mesmo relacionado, o atacante segue em rotina de controle rígido de carga, com minutos cuidadosamente calculados. “O mês de maio será importante para mim porque vai se concretizar a minha volta aos jogos. Teremos bastante cautela na minutagem e no controle de carga, que é o mais importante para cuidar da lesão”, explica Paulinho. Ele projeta também o período de pausa para a Copa como ponto-chave para completar a transição: “A parada da Copa vai ser muito boa e importante para ajudar a desinflamar o corpo de todo esse processo de nove meses.”
Lesão, bastidores da recuperação e impacto no elenco
O clube trata a volta do camisa 10 como a reta final de um processo que começou logo após a cirurgia. O coordenador do Núcleo de Saúde e Performance, Daniel Gonçalves, descreve os últimos dias como decisivos para a liberação. “O Paulinho progrediu ao longo dos últimos dias. Isso já o permite, diante desta estabilidade e regularidade desde a semana passada, ser convocado e ficar à disposição da comissão técnica nessa fase final de reabilitação”, afirma.
Os exames apontam consolidação da fratura corrigida, mas a área médica mantém a cautela. Gonçalves ressalta que o jogador ainda não atinge o auge físico e biomecânico. “Já existe a recuperação clínica, a consolidação da fratura corrigida pela cirurgia, mas essa fase final exige ainda parâmetros biomecânicos e físicos a serem cumpridos, e por isso o atleta ainda não está na sua plenitude amplamente liberado para jogos”, explica. A ideia é que o retorno ao ritmo de competição se construa ao longo de semanas, combinando treinos de alta intensidade com participações pontuais em jogos.
O coordenador faz questão de frear qualquer expectativa de presença constante imediata. “O fato de ele ser convocado para esse jogo não significa que, a partir de agora, ele será convocado com regularidade. Isso vai depender da progressão de carga, de como ele vai se manifestar quando for utilizado”, afirma. Mesmo se entrar em campo por poucos minutos, Paulinho terá o desempenho monitorado em detalhes, desde a resposta muscular até a recuperação entre atividades. “Jogando um pouco ou não, ele será exigido nos treinamentos durante a semana e tudo isso vai dando a construção e o arcabouço necessários para o Paulinho suportar a temporada de 2026”, conclui.
A volta do atacante amplia o leque de opções para o técnico Abel Ferreira, ainda ausente à beira do campo, e reforça um elenco que já disputa a ponta da tabela. Na última temporada, Paulinho soma 16 partidas e três gols pelo Palmeiras, números que ajudam a explicar a expectativa da torcida pela sua recuperação completa. A presença no banco, mesmo sem garantia de entrada, muda o clima nos corredores do clube e nas arquibancadas do Allianz Parque.
O próprio jogador enfatiza o papel do ambiente interno durante os meses de afastamento. “É um sentimento de muita gratidão por todo o estafe, por todo o Núcleo de Saúde, o grupo de atletas, a comissão técnica, todos que de alguma forma tentaram me ajudar durante esse processo”, diz. Ele conta que tenta se manter próximo do vestiário em meio às sessões de tratamento: “Foi muito difícil para mim, em determinados momentos tentei me fazer pertencente ao grupo mesmo afastado dos jogos, dos treinamentos, e tenho muita gratidão por essa galera que me ajudou nisso.”
Clássico, título e o que está em jogo com a volta do camisa 10
O clássico contra o Santos ganha novo ingrediente com o nome de Paulinho na lista de relacionados. No treino desta sexta-feira, 1º de maio, na Academia de Futebol, o elenco encerra a preparação com atividades táticas, foco em marcação, posicionamento e construção de jogadas. Em campo reduzido, auxiliares cobram intensidade e ajustes finos, enquanto alguns jogadores aprimoram cruzamentos, finalizações e cobranças de falta na parte final.
O líder do Brasileirão entra em campo para defender a campanha de 32 pontos e a vantagem na parte alta da tabela. A presença do camisa 10, ainda que limitada, funciona como mensagem para o elenco e para os rivais: o Palmeiras recupera peças importantes para a sequência da temporada. O talento do atacante, somado à experiência em jogos grandes, oferece uma alternativa a mais em um elenco que precisa se manter competitivo em todas as frentes.
A reabilitação bem conduzida também reforça o discurso do clube em torno do cuidado com a saúde dos jogadores. O caso de Paulinho se converte em exemplo interno de paciência e de trabalho coletivo entre departamento médico, comissão técnica e atleta. Em um calendário que empilha jogos e viagens, a decisão de segurar a volta por quase 300 dias indica uma mudança de postura em relação a retornos apressados, comuns em temporadas recentes no futebol brasileiro.
O atacante sabe que o reencontro com o gramado não encerra a história. O corpo ainda responde a meses de esforço para recuperar força, mobilidade e confiança. A cabeça, por sua vez, precisa se adaptar à rotina de viagens, concentração e pressão por resultados. “Amanhã vai ser um dia em que poderei agradecer a todos de uma forma muito verdadeira. Acho que essa união, não só do grupo, mas de todo o estafe do Palmeiras, faz com que a gente tenha muito sucesso e esteja sempre na estrada a buscar os títulos”, afirma.
O clássico desta noite pode marcar apenas alguns minutos em campo ou a permanência de Paulinho no banco, ainda em observação. Para o Palmeiras, no entanto, o simples fato de tê-lo novamente à disposição já significa um passo adiante na caminhada pelo Brasileirão e pelos demais objetivos de 2026. As próximas semanas dirão se o camisa 10 volta a ser protagonista ou se ainda precisa conviver com limitações. A única certeza, neste momento, é que o processo de reconstrução chega enfim ao estágio em que o jogador volta a escrever a própria história dentro de campo.
