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Brasília

A velocidade com que você caminha pode revelar seu risco de morte, aponta estudo

Pesquisa acompanhou mais de 4 mil pessoas durante quase 12 anos e encontrou relação entre o ritmo dos passos e a mortalidade, mesmo após considerar doenças e hábitos de vida

A velocidade com que você caminha pode revelar seu risco de morte, aponta estudo

A maneira como uma pessoa caminha pode revelar informações importantes sobre sua saúde e até ajudar a identificar riscos para os próximos anos. Pesquisadores descobriram que participantes com maior velocidade de caminhada apresentaram menor risco de morte durante um acompanhamento de quase 12 anos. Os resultados foram publicados em 23 de outubro de 2026 na revista científica JAMA Network Open.

A pesquisa analisou 4.067 pessoas do Reino Unido, com idade média de 69 anos. Durante o período de acompanhamento, 739 participantes morreram. Mesmo depois de considerar fatores como idade, condições de saúde e hábitos de vida, os cientistas encontraram uma associação entre caminhar mais rápido e apresentar menor risco de mortalidade.

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O trabalho foi conduzido por pesquisadores de instituições como a Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e o Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm). A descoberta reforça a possibilidade de utilizar a velocidade da caminhada como um indicador simples da condição física, especialmente entre pessoas mais velhas.

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Quanto mais rápida a caminhada, menor foi o risco observado

Os pesquisadores avaliaram a velocidade dos participantes de duas maneiras. A primeira foi um teste realizado em ambiente clínico, no qual cada pessoa precisava caminhar uma distância de 2,44 metros. A segunda utilizou um sensor colocado no pulso durante nove dias, capaz de registrar o ritmo dos passos nas atividades cotidianas.

No teste clínico, a velocidade média registrada foi de aproximadamente 1,2 metro por segundo, equivalente a 4,3 quilômetros por hora.

Já nas atividades diárias, o ritmo típico ficou próximo de 75 passos por minuto. Nos momentos de caminhada mais acelerada, os participantes chegaram a aproximadamente 112 passos por minuto.

A análise mostrou que um aumento equivalente a um desvio padrão na velocidade medida durante o teste clínico esteve associado a um risco de morte 23% menor.

Nas medições realizadas durante a rotina, a redução relativa do risco ficou entre 17% e 18%, dependendo do indicador utilizado.

Esses percentuais representam associações estatísticas entre diferentes velocidades de caminhada e o risco de morte. Não significam que qualquer pessoa consiga reduzir seu risco individual nesses valores simplesmente aumentando o ritmo dos passos.

Por que a velocidade da caminhada pode revelar tanto sobre a saúde?

Caminhar parece uma atividade simples, mas exige o funcionamento conjunto de diferentes sistemas do organismo. Músculos, articulações, equilíbrio, coordenação e capacidade cardiovascular precisam trabalhar de maneira integrada para manter o movimento.

Por isso, mudanças na velocidade habitual podem refletir alterações na condição física e na capacidade funcional de uma pessoa.

Uma caminhada mais lenta pode estar relacionada, por exemplo, à perda de força muscular, a limitações de mobilidade ou a doenças que dificultam a realização de atividades cotidianas.

Isso não significa, porém, que toda pessoa que anda devagar esteja doente ou apresente risco elevado de morte. A velocidade varia conforme a idade, as condições físicas e as características individuais.

O interesse dos pesquisadores está justamente na possibilidade de transformar uma atividade comum em uma informação complementar para avaliações de saúde.

Relógios e sensores podem ajudar a identificar riscos?

Um dos aspectos importantes da pesquisa foi a comparação entre o teste tradicional de caminhada e as informações registradas por sensores durante o dia a dia.

Os resultados mostraram que os dois métodos tiveram capacidade semelhante de distinguir participantes com maior ou menor risco de morte ao longo do acompanhamento.

Isso indica que dispositivos capazes de registrar movimentos podem fornecer informações úteis para estudos populacionais, sem depender exclusivamente de testes realizados em consultórios ou laboratórios.

Entretanto, o estudo também identificou uma diferença importante: quando os pesquisadores acrescentaram os dados de caminhada a modelos que já consideravam fatores conhecidos de mortalidade, o ganho na capacidade de previsão foi pequeno.

Portanto, os resultados não demonstram que relógios inteligentes possam prever individualmente quanto tempo uma pessoa viverá.

Andar mais rápido significa viver mais?

Essa é a principal ressalva dos pesquisadores. O estudo é observacional, o que significa que os cientistas acompanharam características e resultados de saúde dos participantes, sem realizar um experimento para determinar se aumentar a velocidade da caminhada prolongaria a vida.

Dessa forma, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito.

Pessoas que caminham mais rapidamente podem apresentar melhores condições gerais de saúde, maior força muscular ou menos limitações físicas. Essas características também podem estar relacionadas ao menor risco de mortalidade encontrado na pesquisa.

Outro ponto importante é que aproximadamente 74% dos participantes eram homens. Além disso, o grupo estudado era, em média, mais saudável e fisicamente ativo do que a população geral, o que limita a aplicação dos resultados a outros perfis.

O que a descoberta muda na avaliação da saúde?

Os resultados ampliam as evidências de que a capacidade de caminhar pode oferecer informações relevantes sobre o envelhecimento e o funcionamento do organismo.

Na prática, testes simples de velocidade podem complementar outras avaliações utilizadas por profissionais de saúde, especialmente no acompanhamento de idosos e pessoas com dificuldades de mobilidade.

Os pesquisadores ressaltam, contudo, que a velocidade da caminhada não deve ser interpretada isoladamente. Idade, histórico de doenças, hábitos e outros indicadores continuam sendo fundamentais para uma avaliação adequada.

A principal contribuição da pesquisa é mostrar que tanto uma caminhada curta, realizada em ambiente clínico, quanto o ritmo registrado durante atividades comuns podem ajudar a compreender diferenças no risco de mortalidade.

Mais do que estabelecer uma velocidade ideal para viver mais, o estudo reforça que a forma como o corpo se movimenta pode revelar aspectos importantes da saúde que nem sempre são percebidos no cotidiano.