Mulher paga R$5,5 mil por cirurgia no útero que nunca aconteceu e denuncia golpe no DF
Paciente contraiu empréstimo para custear o procedimento, enfrentou sucessivos adiamentos e acusa mulher já citada em denúncias de falso mutirão de cirurgias plásticas

Uma mulher que aguardava uma cirurgia para retirada do útero afirma ter perdido R$ 5,5 mil após confiar em uma promessa de atendimento mais barato no Distrito Federal. O procedimento nunca foi realizado pela pessoa que intermediava a operação, e o dinheiro não foi devolvido. A denúncia envolve Tayna Regina Oliveira Castro, que também é apontada por outras pacientes como responsável por um suposto esquema de falsas cirurgias plásticas.
O caso foi revelado pelo Metrópoles nesta sexta-feira (6). A paciente, que preferiu não divulgar sua identidade, contou que precisava retirar o útero após ser diagnosticada com um mioma que provocava sangramentos intensos. A indicação médica ocorreu em julho deste ano, mas os valores cobrados na rede particular estavam fora de suas condições financeiras.
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Foi nesse período que ela recebeu a indicação de Tayna, que teria oferecido uma alternativa para realizar a cirurgia por um preço menor. A mulher aceitou a proposta, mas passou a enfrentar uma sequência de remarcações, mudanças de hospitais e promessas que não se concretizaram.
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Paciente se preparou para cirurgia
A mulher seguiu as orientações, preparou-se para a cirurgia e fez jejum. Tayna teria ido buscá-la em casa e a acompanhado até o hospital. Ao chegar à unidade, porém, a paciente descobriu que não havia operação agendada e que receberia apenas atendimento na emergência.
Em outra tentativa, a cirurgia foi transferida para uma clínica particular. Mais uma vez, não existia agendamento confirmado. Além disso, a paciente descobriu que o procedimento custaria R$ 9 mil, valor diferente daquele que havia sido prometido.
Após os sucessivos problemas, ela desistiu da primeira negociação e conseguiu recuperar o dinheiro que havia pago inicialmente.
Nova promessa terminou em prejuízo de R$ 5,5 mil
Cerca de um mês depois, Tayna voltou a procurar a paciente afirmando ter encontrado outra oportunidade para realizar a retirada do útero. Dessa vez, o procedimento seria feito em um hospital particular que também aparecia nas promessas relacionadas ao suposto mutirão de cirurgias de mama.
Para convencer a mulher, a intermediadora teria apresentado imagens do quarto onde ela ficaria durante a recuperação e afirmado que já havia trabalhado no estabelecimento.
A paciente então realizou uma transferência de R$ 5.500 por Pix, acreditando que o pagamento seria destinado a uma empresa de anestesia vinculada ao hospital.
Mesmo depois da transferência, a cirurgia voltou a ser adiada. O hospital indicado também mudou outras duas vezes, sem que o procedimento fosse realizado.
A mulher decidiu procurar atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e conseguiu finalmente passar pela operação na rede pública.
Mulher desenvolveu anemia e precisou deixar o trabalho
Durante o período em que aguardava a cirurgia, a paciente continuou enfrentando sangramentos provocados pelo mioma. Segundo seu relato, o quadro evoluiu para anemia e exigiu internações hospitalares.
As complicações também prejudicaram sua rotina profissional. Devido ao mal-estar frequente, ela precisou interromper temporariamente suas atividades.
Além dos problemas de saúde, a mulher enfrentou dificuldades financeiras. Para conseguir pagar o procedimento prometido, havia contratado um empréstimo.
Depois de realizar a cirurgia pelo SUS, passou a cobrar a devolução dos R$ 5,5 mil. Segundo ela, Tayna apresentou diferentes justificativas para adiar o pagamento.
A paciente também procurou diretamente o hospital onde acreditava que seria operada. Conforme seu relato, a empresa informou que não havia recebido o dinheiro e que não conhecia a intermediadora.
A denunciante afirma que, depois de insistentes cobranças, Tayna teria admitido que utilizou o valor para outros fins. Até a divulgação do caso, a paciente não havia conseguido recuperar a quantia.
Suspeita também é citada em denúncias de falso mutirão de cirurgias
O nome de Tayna Regina Oliveira Castro já havia aparecido em outra denúncia envolvendo mulheres que buscavam procedimentos cirúrgicos no Distrito Federal.
Nesse caso, dezenas de pacientes relataram ter recebido ofertas de cirurgias de redução das mamas e colocação de próteses de silicone por meio de um suposto projeto social associado ao SUS.
As interessadas eram orientadas a pagar valores entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, sob a justificativa de que os recursos seriam utilizados na compra de materiais necessários aos procedimentos.
O projeto era apresentado como uma iniciativa ligada ao Outubro Rosa, com cirurgias inicialmente previstas para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Entretanto, as pacientes relataram cancelamentos e alterações frequentes nos locais de atendimento.
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as denúncias relacionadas ao falso mutirão como suspeita de estelionato. Na ocasião, Tayna negou ser golpista e afirmou que também havia sido induzida a erro pelas informações recebidas sobre o projeto.


