Após ameaças de morte e estupro, Ana Elisa cita Marielle Franco e diz que não será silenciada
Deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais reage a ataques racistas, defende seu direito de atuar na política e recebe manifestações de solidariedade

A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, afirmou neste domingo (8) que não aceitará tentativas de silenciamento após denunciar ameaças de morte, estupro e ataques racistas. Em uma publicação nas redes sociais, a jovem política citou a trajetória de Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro em 2018, para defender a participação das mulheres na política.
A manifestação ocorre após Ana Elisa divulgar mensagens violentas recebidas por e-mail e rebater críticas à escolta policial que passou a acompanhá-la. Segundo a deputada eleita, as ameaças comprometeram sua segurança e sua liberdade, tornando necessária a adoção de medidas de proteção.
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Na publicação deste domingo, a parlamentar destacou que sua eleição representa a escolha dos eleitores e afirmou que não abrirá mão do direito de expressar suas opiniões. A jovem também relacionou os ataques sofridos à violência política contra mulheres, especialmente aquelas que enfrentam discriminação racial.
Ana Elisa, deputada eleita em MG, denuncia ameaças de morte e ataques racistas
Ana Elisa cita Marielle Franco e reage às ameaças
Ao comentar os ataques, Ana Elisa fez referência a Marielle Franco, assassinada em março de 2018, e destacou as dificuldades enfrentadas por mulheres que ocupam cargos políticos.
“Como nos ensinou Marielle Franco, ocupar espaços de poder também significa enfrentar estruturas que tentam nos silenciar”

A deputada eleita também ressaltou que sua chegada à Câmara dos Deputados não representa um privilégio concedido por outras pessoas, mas o resultado de uma eleição democrática. Segundo ela, divergências políticas não justificam desrespeito, intimidações ou tentativas de impedir sua participação nos debates públicos.
Ana Elisa reforçou que pretende exercer seu mandato independentemente das pressões e encerrou sua manifestação com uma mensagem de resistência.
“Não serei interrompida. Não serei silenciada”
A referência a Marielle ocorre em um contexto de denúncias de ataques contra mulheres negras na política brasileira. A ex-vereadora do PSOL foi assassinada junto com o motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro, em um crime que se tornou referência nacional nas discussões sobre violência política.
Deputada eleita denuncia ameaças de morte e violência sexual
As intimidações contra Ana Elisa começaram ainda durante a campanha eleitoral de 2026. Em setembro, quando disputava uma vaga na Câmara dos Deputados, a então candidata relatou ter recebido mensagens com ofensas racistas, ameaças de estupro e assassinato.
Segundo informações divulgadas anteriormente pelo NC News, um dos remetentes se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco, mencionou uma organização racista dos Estados Unidos e utilizou informações pessoais da candidata para demonstrar que sabia como localizá-la.
Familiares de Ana Elisa também foram mencionados nas mensagens. O caso foi registrado na Polícia Civil de Minas Gerais para investigação.
Em outubro, após sua eleição, novas denúncias levaram o Ministério da Justiça a solicitar a atuação da Polícia Federal. O pedido incluiu a identificação dos responsáveis e a colaboração de plataformas digitais.
Justiça determina investigação de ameaças de morte contra deputada eleita Ana Elisa
No sábado (7), a parlamentar voltou a tratar publicamente do assunto. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, mostrou um e-mail com ameaças explícitas de violência sexual e morte.
Ana Elisa afirmou que passou a viver com medo e explicou que a necessidade de proteção alterou sua rotina. A deputada eleita também rebateu publicações que questionavam o uso de escolta policial.
Escolta policial e câmeras de segurança
Diante das ameaças, Ana Elisa passou a contar com escolta policial e monitoramento por câmeras em sua residência. Segundo a parlamentar, as medidas são necessárias para preservar sua integridade física.
A deputada eleita também criticou a divulgação de informações sobre sua residência e afirmou que gostaria de manter a liberdade de circular sem precisar de proteção permanente.
A adoção da escolta provocou questionamentos nas redes sociais. Ana Elisa rebateu as críticas e negou ser contrária ao policiamento, explicando que sua posição contra a violência policial não significa oposição ao trabalho dos agentes de segurança.
A parlamentar afirmou que as ameaças representam um risco concreto e que a proteção não deve ser confundida com um benefício político.
PT e adversário político manifestam solidariedade
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma nota de solidariedade à deputada eleita no sábado (7). A legenda repudiou os ataques racistas e misóginos e cobrou providências para garantir sua segurança.
O partido também destacou que divergências políticas não justificam ameaças, discriminação ou violência contra representantes eleitos.
A situação provocou manifestações de apoio além do partido de Ana Elisa. O ex-prefeito de Divinópolis e deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, também se pronunciou em defesa da petista.
Mesmo com diferenças políticas, Gleidson criticou os ataques à escolta policial e defendeu a necessidade de proteção à futura parlamentar. Ele também manifestou preocupação com as ameaças dirigidas às mulheres na política.
Quem é Ana Elisa Santos Silva?
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva foi eleita deputada federal pelo PT nas eleições de outubro de 2026.
Aos 21 anos, recebeu 524.219 votos e se tornou a mulher mais jovem eleita para a Câmara dos Deputados por Minas Gerais.
Sua eleição ampliou sua projeção política nacional, mas também foi acompanhada de denúncias de intimidação, ataques racistas e ameaças contra ela e seus familiares.
A jovem deverá assumir o mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2027.
Violência política contra mulheres é crime
A legislação brasileira estabelece mecanismos específicos para combater a violência política contra mulheres. A Lei nº 14.192, de 2021, prevê medidas para prevenir e punir práticas destinadas a impedir ou dificultar a participação feminina na política.
A norma inclui situações de ameaça, perseguição, constrangimento e humilhação motivadas por discriminação de gênero, raça ou etnia, quando utilizadas para prejudicar campanhas eleitorais ou o exercício de mandatos.
A legislação prevê pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa, para o crime de violência política contra a mulher, sem prejuízo de outras responsabilizações previstas em lei.
No caso de Ana Elisa, a identificação dos responsáveis e o enquadramento jurídico das ameaças dependem das investigações e da análise das autoridades competentes.
Próximos passos
A expectativa é de que as autoridades avancem na identificação dos responsáveis pelas ameaças denunciadas por Ana Elisa. Até o momento, as informações consultadas não permitem confirmar uma conclusão definitiva das investigações.
Enquanto isso, a deputada eleita segue com medidas de proteção e prepara sua chegada à Câmara dos Deputados em 2027.
A manifestação deste domingo reforça a posição pública da parlamentar de que as ameaças não deverão interromper sua atuação política.


