“Estamos à frente das metas”, afirma presidente da Sabesp sobre saneamento até 2029
Em entrevista exclusiva ao NC News durante seminário do LIDE, Carlos Piani detalhou os desafios do Marco do Saneamento, a fiscalização em 371 municípios e os investimentos para melhorar o abastecimento na Baixada Santista.

O presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Piani, afirmou que a companhia está avançando no cumprimento das metas de universalização do saneamento básico em São Paulo e mantém a previsão de atingir os objetivos estabelecidos em contrato até 2029, quatro anos antes do prazo nacional. Em entrevista exclusiva ao NC News, durante o Seminário LIDE Infraestrutura e Saneamento, realizado nesta quarta-feira (4), na capital paulista, o executivo destacou a importância do planejamento, da fiscalização e da continuidade dos investimentos.
Questionado pelo NC News sobre os desafios do Marco Legal do Saneamento e a capacidade da empresa de ampliar os serviços de água e esgoto, Piani afirmou que a Sabesp segue o cronograma estabelecido com o Governo de São Paulo e demonstrou confiança no cumprimento das obrigações contratuais.
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O presidente também comentou os problemas de abastecimento na Baixada Santista, os investimentos previstos para a região e os impactos dos juros elevados sobre os projetos de infraestrutura. Segundo ele, a prioridade da companhia permanece concentrada na universalização dos serviços nos municípios paulistas atendidos pela empresa.
Presidente da Sabesp diz que empresa está à frente das metas
Durante a entrevista, o NC News questionou Carlos Piani sobre os principais obstáculos para cumprir o Marco Legal do Saneamento e sobre o andamento das obras necessárias para ampliar o acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto.
O executivo explicou que o marco nacional estabeleceu diretrizes para o setor, mas que os contratos de concessão também definem obrigações específicas, indicadores de desempenho e mecanismos de fiscalização.
No caso da Sabesp, o contrato firmado após a privatização da companhia, em 2024, estabeleceu a antecipação da universalização para 2029, enquanto o prazo previsto pela legislação federal é 2033.
“Temos metas pactuadas com o Governo do Estado através do nosso contrato de concessão, estamos à frente dessas metas, que é acompanhada mensalmente pela população.”
Piani afirmou que o cumprimento das metas é acompanhado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), responsável pela fiscalização do contrato.
Segundo o presidente, os indicadores são públicos e permitem acompanhar o ritmo de expansão dos serviços. Ele também destacou que o contrato prevê penalidades caso as obrigações não sejam cumpridas.
Fiscalização ficará mais rigorosa nos 371 municípios
Um dos principais desafios apontados por Piani é a mudança na forma de avaliação das metas de universalização.
A partir de 2027, a aferição passará a considerar os resultados individualmente em cada um dos 371 municípios abrangidos pelo contrato de concessão da Sabesp.
Na prática, a nova metodologia tornará mais difícil compensar resultados abaixo do esperado em determinada cidade com avanços registrados em outras localidades.
O presidente reconheceu que a mudança aumenta a complexidade da execução dos projetos, mas afirmou que a companhia possui um planejamento para atender às exigências.
Segundo informações disponibilizadas pela própria Sabesp, os indicadores atualizados até setembro de 2026 mostram resultados acima das metas acumuladas em ligações residenciais urbanas de água e esgoto. Já os indicadores relacionados às áreas rurais e informais e ao tratamento de esgoto ainda apresentam resultados abaixo de suas respectivas metas de referência. Esses dados estão sujeitos à validação regulatória.
A empresa mantém a previsão de investir aproximadamente R$ 70 bilhões até 2029 para ampliar e modernizar os serviços de saneamento nas regiões atendidas.
Baixada Santista terá novos reservatórios e adutoras
Outro assunto abordado pelo NC News foi a situação do abastecimento de água na Baixada Santista, região que registrou episódios de interrupção no fornecimento e dificuldades enfrentadas por moradores.
Questionado sobre as medidas para melhorar o atendimento, Carlos Piani reconheceu que a região acumulou uma carência histórica de investimentos.
“A Baixada, durante muitos anos, ficou carente de investimentos, e estamos a investir bastante na região com novos reservatórios, novas adutoras.”
O presidente explicou que a Sabesp possui um programa de ampliação da infraestrutura de abastecimento, incluindo a implantação de quatro reservatórios com conclusão prevista até o final de 2026.
As intervenções fazem parte de um conjunto mais amplo de investimentos que deverá continuar até 2029.
Segundo Piani, a melhoria da segurança hídrica dependerá da execução gradual dessas obras, considerando que os problemas estruturais acumulados ao longo dos anos não podem ser solucionados imediatamente.
O executivo afirmou que a expectativa é ampliar a capacidade de armazenamento e distribuição de água, reduzindo a vulnerabilidade do abastecimento diante do aumento da demanda.
Juros elevados não impediram investimentos, afirma Piani
Durante o encontro, o presidente também foi questionado sobre os efeitos do cenário econômico e das taxas de juros sobre os investimentos da companhia.
Piani explicou que projetos de infraestrutura exigem planejamento de longo prazo e precisam atravessar diferentes administrações públicas e conjunturas econômicas.
Segundo ele, o atual contrato de concessão possui duração de 35 anos, período que ultrapassa diversos mandatos governamentais.
O executivo reconheceu que os juros elevados representam uma dificuldade para empresas que dependem de financiamentos, mas afirmou que, até o momento, esse cenário não impediu a Sabesp de executar seu programa de investimentos.
De acordo com Piani, a companhia captou mais de R$ 32 bilhões nos últimos dois anos para financiar suas atividades e projetos.
“Passamos por um momento de juros mais altos, isso é uma dificuldade para todas as empresas de infraestrutura, mas, até ao momento, isso não tem sido uma barreira para a Sabesp alcançar os seus investimentos.”
O presidente também declarou que uma eventual redução dos juros contribuiria para diminuir os custos financeiros, mas ressaltou que a empresa pretende manter os compromissos assumidos independentemente das oscilações econômicas.
Sabesp não descarta expansão para outras regiões do Brasil
Além das metas de saneamento em São Paulo, Carlos Piani comentou a possibilidade de a companhia ampliar suas operações para outros mercados.
O presidente afirmou que a prioridade atual é cumprir o contrato de concessão e universalizar os serviços nos municípios atendidos pela Sabesp.
Entretanto, ele não descartou a análise de oportunidades futuras de expansão, desde que estejam alinhadas às condições econômicas e aos compromissos já assumidos.
“Não, de forma alguma. Isso nunca está descartado, mas ele tem que ser avaliado ao contexto da conjuntura quando ele aparecer.”
Segundo Piani, a empresa pretende avaliar eventuais oportunidades individualmente, sem estabelecer neste momento uma estratégia de expansão que comprometa os investimentos previstos para São Paulo.
Entenda as metas do Marco Legal do Saneamento
O Marco Legal do Saneamento, atualizado pela Lei nº 14.026, de 2020, estabelece que, até 2033, pelo menos 99% da população brasileira deverá ter acesso à água potável e 90% deverá contar com coleta e tratamento de esgoto.
Em São Paulo, o contrato de concessão firmado após a privatização da Sabesp antecipou essas metas para 2029 nas áreas abrangidas pelas obrigações contratuais da companhia.
O modelo prevê acompanhamento por indicadores, fiscalização da Arsesp e obrigações específicas de investimento.
A antecipação das metas exige a ampliação das redes de distribuição de água, a construção de estruturas de coleta e tratamento de esgoto e intervenções em áreas que historicamente enfrentam dificuldades de acesso aos serviços.
O cumprimento desses compromissos será avaliado nos próximos anos, especialmente com a adoção de indicadores individualizados por município a partir de 2027.
Assista à entrevista exclusiva do presidente da Sabesp ao NC News
Durante o Seminário LIDE Infraestrutura e Saneamento, realizado em São Paulo, Carlos Piani conversou com o NC News sobre os desafios para universalizar o saneamento até 2029, os investimentos necessários para melhorar o abastecimento na Baixada Santista e as novas exigências de fiscalização nos municípios paulistas.
O presidente também comentou os efeitos dos juros elevados sobre os investimentos e a possibilidade de expansão da Sabesp para outras regiões do país.
Confira abaixo a entrevista com Carlos Augusto Leone Piani, presidente da Sabesp:


