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São Paulo

Jovem procura acompanhante, recebe ameaças de facção e perde R$ 2,2 mil

Morador de Monte Aprazível fez dois pagamentos via Pix após receber vídeos de armas e ameaças contra familiares; criminoso ainda exigiu mais R$ 2 mil.

Jovem procura acompanhante, recebe ameaças de facção e perde R$ 2,2 mil

Um jovem de 26 anos perdeu R$ 2.250 após tentar contratar uma acompanhante pela internet e passar a receber ameaças de um homem que dizia pertencer a uma organização criminosa. O caso aconteceu em Monte Aprazível, no interior de São Paulo, e foi registrado na Polícia Civil na terça-feira (3).

Segundo o boletim de ocorrência, o rapaz entrou em contato com mulheres anunciadas em um site de acompanhantes de São José do Rio Preto, mas não obteve resposta. Pouco tempo depois, recebeu mensagens de um desconhecido afirmando que as profissionais teriam sofrido prejuízos financeiros por causa dos contatos realizados.

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O suspeito passou a exigir dinheiro e ameaçar a vítima e seus familiares. Para intimidar o jovem, enviou vídeos de armas de fogo e afirmou conhecer seu endereço. Assustado, o rapaz realizou duas transferências via Pix, mas as cobranças continuaram mesmo após os pagamentos.

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Criminoso ameaçou ir até a casa do jovem

De acordo com o relato apresentado à polícia, a situação começou no domingo (1º), quando o morador de Monte Aprazível acessou um site para procurar serviços de acompanhante.

Ele enviou mensagens a algumas anunciantes, mas não conseguiu fechar a contratação.

Cerca de duas horas depois, recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de um homem desconhecido.

O interlocutor afirmou integrar uma facção criminosa e alegou que o contato feito anteriormente teria causado prejuízos às acompanhantes.

O suspeito exigiu um pagamento para resolver a suposta pendência.

A cobrança veio acompanhada de ameaças. O homem afirmou conhecer informações pessoais da vítima, incluindo seu endereço e dados de familiares.

Em determinado momento, enviou vídeos mostrando armas de fogo e mensagens nas quais dizia estar a caminho da residência do rapaz.

Com medo de sofrer alguma agressão, o jovem decidiu transferir o dinheiro exigido.

Vítima fez dois pagamentos e perdeu R$ 2.250

O primeiro pagamento realizado pela vítima foi de R$ 750.

Depois disso, o suspeito voltou a exigir dinheiro, levando o jovem a fazer uma segunda transferência, desta vez de R$ 1.500.

Os valores foram enviados por Pix para duas contas bancárias diferentes, conforme as informações apresentadas no registro policial.

Ao todo, o prejuízo chegou a R$ 2.250.

Mesmo depois de receber o dinheiro, o homem não encerrou as ameaças.

No dia seguinte, voltou a procurar o jovem e exigiu mais R$ 2 mil. Dessa vez, alegou que o valor seria destinado à compra de cestas básicas e à assistência de mulheres ligadas a integrantes de uma organização criminosa que teriam morrido.

A vítima não realizou o novo pagamento.

Diante da continuidade das intimidações, decidiu procurar a polícia e registrar a ocorrência.

Polícia investiga crime de extorsão

O caso foi registrado como extorsão na Central de Flagrantes de São José do Rio Preto.

A vítima informou possuir registros das conversas, vídeos enviados pelo suspeito, capturas de tela e comprovantes das transferências bancárias.

Esse material poderá auxiliar a Polícia Civil na identificação dos responsáveis pelas ameaças e dos titulares das contas utilizadas para receber os pagamentos.

Até a última atualização, nenhum suspeito havia sido identificado publicamente ou preso.

A investigação deverá esclarecer se o homem realmente possui ligação com alguma organização criminosa ou se utilizou o nome de uma facção apenas para intimidar a vítima.

Entenda como funciona o golpe da falsa acompanhante

A abordagem relatada pelo jovem apresenta características de uma modalidade de extorsão conhecida como golpe da falsa acompanhante.

Nesse tipo de crime, os suspeitos costumam utilizar anúncios publicados na internet para atrair possíveis vítimas.

Depois do contato inicial, outra pessoa pode aparecer alegando que o interessado causou prejuízos financeiros a uma profissional ou a uma suposta agência.

A cobrança geralmente vem acompanhada de ameaças, informações pessoais e exigências de transferências bancárias imediatas.

O objetivo é provocar medo e convencer a vítima a realizar pagamentos para evitar uma agressão que os criminosos afirmam estar prestes a acontecer.

A estratégia também pode explorar o receio de exposição da vida privada, dificultando a decisão de denunciar o caso.

Em outubro, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu uma investigação sobre um esquema semelhante e indiciou cinco pessoas por extorsão. A apuração apontou o uso de anúncios falsos, mensagens intimidatórias e contas bancárias para receber dinheiro das vítimas.

Não há informação de que esse grupo tenha relação com o episódio registrado em Monte Aprazível.

O que fazer ao receber ameaças e cobranças por WhatsApp?

A orientação é não realizar pagamentos apenas com base em mensagens ameaçadoras e procurar a polícia para relatar a situação.

É importante preservar o número utilizado pelo suspeito, as conversas, os áudios, os vídeos recebidos e os comprovantes de eventuais transferências.

Esses registros podem ajudar os investigadores a reconstruir a abordagem e identificar os envolvidos.

Quem já realizou um Pix e suspeita de fraude também deve comunicar imediatamente a instituição financeira e solicitar a análise da operação pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável.

O mecanismo pode auxiliar na tentativa de recuperação dos recursos, mas não garante a devolução do dinheiro.

Caso exista ameaça imediata à integridade física, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.

Investigação deve apurar destino do dinheiro

A Polícia Civil deverá analisar os elementos apresentados pela vítima e verificar a origem das mensagens.

As contas que receberam as transferências também poderão ser investigadas para identificar possíveis participantes do crime.

O caso permanece em apuração. Até o momento, não há confirmação pública de prisões ou recuperação dos R$ 2.250 transferidos pelo jovem.