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Economia

Dólar recua e Bolsa sobe após vitória democrata nos EUA; Copom decide juros hoje

Moeda americana abriu em queda nesta quarta-feira (4), enquanto o Ibovespa reagiu após seis pregões negativos; investidores aguardam decisão sobre a Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Dólar recua e Bolsa sobe após vitória democrata nos EUA; Copom decide juros hoje

O dólar começou esta quarta-feira (4) em queda diante do real, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, voltou a subir após seis sessões consecutivas de perdas. O movimento ocorreu depois da vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos, que alterou o equilíbrio de forças no Congresso americano. No Brasil, os investidores também aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, prevista para o início da noite.

Por volta das 10h10, o dólar comercial recuava 0,34%, negociado a R$ 5,468. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa avançava 0,98%, aos 167.151 pontos. Os números representam um retrato do início das negociações e podem mudar até o fechamento do mercado. Ao longo da manhã, a moeda americana chegou a registrar mínima de R$ 5,452 e máxima de R$ 5,481.

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A recuperação ocorre depois de uma terça-feira (3) marcada por perdas no mercado brasileiro. Na ocasião, o Ibovespa caiu 1,42%, encerrando o pregão aos 165.528 pontos, enquanto o dólar fechou próximo de R$ 5,49. A instabilidade vinha sendo alimentada por preocupações com a inflação, as contas públicas e os rumos da política econômica após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ibovespa cai quase 1,5% e dólar fecha a R$ 5,49 antes de decisão do Copom

Vitória democrata nos Estados Unidos influencia mercado financeiro

O resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), foi um dos principais fatores acompanhados pelos investidores nesta quarta-feira.

O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, retirando dos republicanos o controle das duas Casas do Congresso.

A mudança representa uma dificuldade adicional para o presidente Donald Trump, que terá de negociar com a oposição para avançar em parte de sua agenda legislativa.

No mercado financeiro, o resultado foi acompanhado por uma desvalorização internacional do dólar e pela recuperação dos índices futuros das bolsas americanas.

O índice DXY, que mede o desempenho da moeda dos Estados Unidos diante de uma cesta de seis divisas importantes, recuava aproximadamente 0,36% durante a manhã.

A queda internacional do dólar contribuiu para o movimento observado no Brasil, embora fatores domésticos também continuem influenciando a cotação.

Ibovespa tenta interromper sequência de seis quedas

A Bolsa brasileira iniciou a sessão desta quarta-feira em recuperação, depois de acumular seis pregões consecutivos de perdas.

Às 10h10, o Ibovespa registrava alta de 0,98%, alcançando 167.151 pontos.

O movimento também acompanhava o desempenho positivo de mercados internacionais e os resultados financeiros divulgados por empresas brasileiras.

Entre os balanços acompanhados pelos investidores estava o do Itaú Unibanco, que apresentou lucro recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As ações de bancos e empresas de varejo contribuíam para a recuperação do índice, enquanto a Petrobras enfrentava pressão relacionada à queda dos preços internacionais do petróleo.

Na terça-feira, o Ibovespa havia encerrado o pregão aos 165.528 pontos, registrando queda de 1,42%.

Apesar da recuperação observada nesta quarta, o desempenho acumulado ainda reflete as incertezas que atingiram o mercado brasileiro nas últimas semanas.

Dólar perde força após avanço no pregão anterior

A moeda americana também apresentou mudança de direção nesta quarta-feira.

Depois de encerrar a terça-feira próxima de R$ 5,49, o dólar começou o novo pregão em queda, acompanhando o enfraquecimento da divisa no exterior.

Por volta das 10h10, a cotação estava em R$ 5,468, recuo de 0,34%.

Na sessão anterior, o dólar havia avançado aproximadamente 0,74%, encerrando as negociações a R$ 5,4863, segundo os dados do mercado à vista.

O comportamento da moeda reflete tanto as mudanças no cenário internacional quanto a avaliação dos investidores sobre os riscos econômicos brasileiros.

Uma eventual queda do dólar pode aliviar pressões sobre produtos importados, combustíveis e matérias-primas negociadas internacionalmente.

Entretanto, oscilações pontuais no câmbio não significam necessariamente uma redução imediata dos preços pagos pelos consumidores.

Copom pode interromper cortes da Selic nesta quarta-feira

No cenário brasileiro, a principal expectativa está concentrada na decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

A reunião começou na terça-feira (3) e termina nesta quarta-feira, quando será definido o novo patamar da Selic.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, depois de cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual.

Antes das eleições presidenciais de outubro, parte expressiva dos analistas esperava que o Banco Central realizasse mais um corte, levando os juros para 13,50%.

Entretanto, a valorização recente do dólar e a revisão das expectativas de inflação e das contas públicas provocaram uma mudança nas projeções.

Uma pesquisa realizada pelo Valor Econômico com 105 instituições financeiras mostrou que 72 esperam a manutenção dos juros em 13,75%, enquanto 33 projetam uma redução para 13,50%.

A decisão deverá ser anunciada após o fechamento do mercado, por volta das 18h30.

Além do percentual definido, investidores acompanharão o comunicado oficial do Copom para identificar possíveis indicações sobre a trajetória dos juros nos próximos meses.

Inflação e contas públicas continuam preocupando investidores

Apesar do desempenho positivo da Bolsa nesta quarta-feira, o cenário econômico brasileiro ainda apresenta fatores de incerteza.

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta semana mostrou elevação das expectativas para a inflação e para a taxa de juros.

A projeção do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 passou de 5,19% para 5,22%.

Para 2027, a estimativa aumentou de 4,34% para 4,76%, acima do limite superior de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.

As projeções para os juros também subiram.

O mercado passou a esperar uma Selic de 13,50% ao final de 2026, enquanto a estimativa para o encerramento de 2027 alcançou 12,50%.

Os números indicam que os analistas passaram a considerar a possibilidade de manutenção dos juros elevados por mais tempo.

Outro ponto observado é a condução das contas públicas, especialmente em relação ao crescimento das despesas e às medidas que poderão ser adotadas pelo governo federal no próximo mandato.

O que a alta da Bolsa e a queda do dólar significam para a economia?

A movimentação dos mercados financeiros pode influenciar diferentes setores da economia, mas seus efeitos não são necessariamente imediatos.

A queda do dólar tende a reduzir o custo de alguns produtos importados e de insumos utilizados por empresas brasileiras.

Por outro lado, uma moeda americana mais barata pode diminuir a receita em reais de exportadores que recebem pagamentos em dólar, dependendo de suas operações e estratégias de proteção cambial.

Na Bolsa, a valorização do Ibovespa representa uma melhora no desempenho conjunto das principais ações negociadas, mas não significa que todas as empresas estejam registrando ganhos.

Já a decisão sobre a Selic influencia diretamente o custo dos empréstimos, dos financiamentos e a rentabilidade de diversas aplicações de renda fixa.

Caso o Copom mantenha os juros em 13,75%, o crédito tende a continuar caro, enquanto investimentos vinculados à taxa básica permanecem com rendimentos elevados, antes de impostos e demais custos aplicáveis.

Próximos passos

Os investidores continuarão acompanhando o comportamento do dólar e do Ibovespa ao longo desta quarta-feira, especialmente diante da repercussão internacional das eleições americanas.

No Brasil, a principal definição ocorrerá no início da noite, quando o Banco Central anunciará sua decisão sobre a Selic.

A expectativa predominante é de manutenção dos juros em 13,75% ao ano, mas a possibilidade de um último corte de 0,25 ponto percentual ainda não foi descartada.

O resultado da reunião e o tom do comunicado oficial poderão influenciar as negociações de quinta-feira (5), especialmente nos mercados de câmbio, juros futuros e ações.

Até o fechamento do pregão, os percentuais de alta da Bolsa e de queda do dólar permanecem sujeitos a alterações.