A ação que Warren Buffett nunca vendeu e pode render US$ 848 milhões em 2026
Coca-Cola permanece entre os maiores investimentos da Berkshire Hathaway após décadas e deve garantir uma fortuna em dividendos à companhia agora liderada por Greg Abel.

Uma aposta feita por Warren Buffett há quase quatro décadas continua rendendo uma fortuna à Berkshire Hathaway. A Coca-Cola, uma das empresas mais tradicionais da carteira de investimentos do bilionário, deve garantir US$ 848 milhões em dividendos à companhia em 2026. O valor chama atenção porque supera metade dos aproximadamente US$ 1,3 bilhão investidos originalmente na compra das ações.
Mesmo após a saída de Buffett do comando executivo da Berkshire Hathaway, a participação na fabricante de bebidas permanece na carteira sob a liderança de Greg Abel, seu sucessor. A decisão reforça a estratégia de manter investimentos em empresas consolidadas, capazes de gerar lucros e distribuir parte dos resultados aos acionistas durante décadas.
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A Berkshire detém 400 milhões de ações da Coca-Cola, participação construída a partir de 1988. Desde então, os papéis se valorizaram e passaram a representar uma importante fonte de receita recorrente para o conglomerado. Em 2026, a Coca-Cola anunciou seu 64º aumento anual consecutivo de dividendos, ampliando os pagamentos aos investidores.
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Como Warren Buffett transformou US$ 1,3 bilhão em uma fonte de renda milionária
A história do investimento começou em 1988, quando Warren Buffett identificou na Coca-Cola características que considerava fundamentais para uma empresa de longo prazo: uma marca reconhecida mundialmente, produtos de consumo recorrente e capacidade de manter resultados mesmo em períodos de instabilidade econômica.
A Berkshire Hathaway investiu aproximadamente US$ 1,3 bilhão na aquisição de ações da companhia. Com os desdobramentos dos papéis ao longo dos anos, a participação chegou a 400 milhões de ações, quantidade que permanece na carteira.
O investimento ganhou uma dimensão ainda maior por causa dos dividendos, valores distribuídos pelas empresas aos acionistas como forma de remuneração pela participação no negócio.
Em fevereiro de 2026, a Coca-Cola anunciou o aumento do dividendo trimestral de US$ 0,51 para US$ 0,53 por ação. Com isso, o pagamento anualizado passou a US$ 2,12 por papel.
Considerando as 400 milhões de ações mantidas pela Berkshire Hathaway, a distribuição corresponde a uma receita anual estimada de US$ 848 milhões, desde que o valor anunciado seja mantido durante todo o ano.
Isso significa que, apenas com os dividendos previstos para 2026, a Berkshire poderá receber aproximadamente 65% do valor desembolsado originalmente para adquirir sua participação na Coca-Cola.
O cálculo não inclui a valorização das ações nem os dividendos recebidos em anos anteriores.
Coca-Cola aumenta dividendos há 64 anos consecutivos
A fabricante de bebidas ocupa uma posição especial no mercado financeiro americano. Em 2026, a Coca-Cola completou 64 anos consecutivos de aumentos nos dividendos pagos aos acionistas.
Esse histórico coloca a empresa no grupo conhecido como Dividend Kings, expressão utilizada para identificar companhias que aumentaram seus pagamentos por pelo menos 50 anos consecutivos.
A regularidade é considerada um diferencial por investidores interessados em construir patrimônio e receber renda periódica.
Entretanto, a manutenção desse histórico depende da capacidade da empresa de continuar produzindo resultados suficientes para sustentar os pagamentos.
Em 2025, a Coca-Cola distribuiu US$ 8,8 bilhões em dividendos aos acionistas. Segundo informações divulgadas pela própria companhia, o montante acumulado desde janeiro de 2010 alcançou US$ 101,9 bilhões.
A distribuição contínua é um dos motivos pelos quais a empresa permanece entre os investimentos de maior duração da Berkshire Hathaway.
Por que Greg Abel mantém a aposta de Buffett?
A permanência da Coca-Cola na carteira também representa a continuidade de uma estratégia que marcou a trajetória de Warren Buffett à frente da Berkshire Hathaway.
Greg Abel assumiu o cargo de presidente-executivo da companhia em janeiro de 2026, após Buffett deixar a função. O investidor permaneceu como presidente do conselho de administração.
Embora a mudança de liderança tenha aberto espaço para decisões sobre a composição dos investimentos, a Coca-Cola continua entre as principais participações acionárias do conglomerado.
O negócio apresenta características valorizadas pela Berkshire, como reconhecimento internacional da marca, presença em diferentes mercados e capacidade de gerar caixa.
Outro fator é o custo histórico da participação. Como a Berkshire adquiriu suas ações por um valor muito inferior ao preço atual de mercado, os dividendos recebidos representam um retorno expressivo sobre o investimento original.
Manter os papéis permite à companhia continuar recebendo pagamentos periódicos sem precisar vender parte da participação.
Ações da Coca-Cola superam desempenho do mercado em 2026
Além dos dividendos, as ações da Coca-Cola apresentam valorização expressiva neste ano.
Segundo levantamento publicado em 3 de novembro, os papéis acumulavam alta de aproximadamente 37% em 2026, enquanto o índice S&P 500 registrava avanço de cerca de 12% no mesmo período.
O desempenho reflete, entre outros fatores, a resistência dos negócios da fabricante de bebidas em um ambiente de inflação e pressão sobre os custos.
No terceiro trimestre, a Coca-Cola registrou crescimento de 7% na receita em comparação com o mesmo período do ano anterior. O lucro operacional avançou 12%, enquanto a margem operacional passou de 32% para 33,4%.
A melhora indica que a empresa conseguiu ampliar sua rentabilidade mesmo diante de desafios econômicos.
O resultado também ajuda a explicar o interesse de investidores por companhias tradicionais em um mercado no qual boa parte das atenções está concentrada nas empresas de tecnologia e inteligência artificial.
O que esse investimento ensina sobre dividendos?
A trajetória da Berkshire Hathaway com a Coca-Cola mostra como a combinação de tempo, valorização patrimonial e distribuição de lucros pode transformar um investimento em uma fonte significativa de renda.
No entanto, existe uma diferença importante entre o retorno obtido por Buffett e aquele disponível para investidores que pretendem comprar ações da empresa atualmente.
O rendimento de US$ 848 milhões resulta de uma participação construída há décadas, com um custo de aquisição muito inferior ao valor atual dos papéis.
Para quem compra ações hoje, o retorno percentual dos dividendos deve ser calculado considerando o preço atual de mercado, e não o valor pago originalmente pela Berkshire.
Em 3 de novembro de 2026, as ações da Coca-Cola encerraram o pregão americano cotadas a US$ 94,80, com rendimento anualizado de dividendos próximo de 2,2%.
Isso significa que a empresa pode continuar sendo uma fonte de renda para investidores, mas não oferece aos novos acionistas o mesmo retorno proporcional alcançado pela Berkshire sobre seu investimento histórico.
Também é importante considerar riscos como oscilações no preço das ações, mudanças nos resultados financeiros e eventuais alterações na política de distribuição de dividendos.
O que esperar da Coca-Cola nos próximos meses?
A continuidade da valorização das ações dependerá dos próximos balanços, da evolução das vendas e da capacidade da companhia de preservar suas margens de lucro.
Investidores também acompanharão os próximos anúncios de dividendos, especialmente depois de mais um aumento anual aprovado em 2026.
Para a Berkshire Hathaway, a Coca-Cola permanece como um exemplo de investimento de longo prazo que combina valorização das ações e recebimento recorrente de lucros.
A participação construída por Warren Buffett continua relevante sob a gestão de Greg Abel, mostrando como uma decisão tomada há quase 40 anos ainda pode produzir resultados financeiros expressivos.


