Nota fiscal MEI: Confira tudo o que muda na emissão em 2027
Reforma tributária permitirá usar a declaração anual como documento fiscal em operações com consumidores pessoas físicas; emissão de notas para empresas continuará obrigatória, conforme as regras aplicáveis.

Os microempreendedores individuais (MEIs) terão novas regras para emissão de documentos fiscais a partir de 1º de janeiro de 2027. Com a implementação de outra etapa da reforma tributária, será permitido utilizar a Declaração Anual Simplificada do Microempreendedor Individual (DASN-SIMEI) como documento fiscal eletrônico em determinadas vendas e prestações de serviços realizadas diretamente a consumidores pessoas físicas. A mudança busca reduzir a burocracia e facilitar o cumprimento das obrigações fiscais dos pequenos negócios.
A novidade está prevista no Decreto nº 13.140/2026 e na Resolução nº 195/2026 do Comitê Gestor do Simples Nacional, publicados em outubro. Apesar da flexibilização, a nova regulamentação não elimina a obrigação de emitir notas fiscais em todas as operações. Nas transações com outras empresas, por exemplo, a exigência continuará existindo, respeitadas as exceções legais.
Leia também: Crise em banco do Paraguai bloqueia dinheiro e ameaça paralisar comércio na fronteira com o Brasil
As mudanças fazem parte da adaptação dos pequenos empreendedores ao novo sistema tributário brasileiro, que substituirá gradualmente tributos sobre o consumo pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Para quem trabalha como MEI, a principal orientação é entender quando a emissão da nota continua obrigatória e quais operações poderão utilizar a declaração anual.
MEI terá dívidas federais perdoadas e poderá faturar até R$ 140 mil por ano
MEI será obrigado a emitir nota fiscal em 2027?
A obrigatoriedade dependerá do tipo de operação e de quem estiver comprando o produto ou contratando o serviço.
Pelas regras atualmente aplicáveis, o MEI é dispensado de emitir nota fiscal nas operações com consumidores pessoas físicas, salvo quando houver solicitação do documento ou outra exigência legal específica.
A partir de janeiro de 2027, a Resolução CGSN nº 195 permitirá que a DASN-SIMEI seja utilizada como documento fiscal eletrônico nas vendas de mercadorias e prestações de serviços destinadas a consumidores finais pessoas físicas que não possuam CNPJ.
Isso significa que o microempreendedor poderá cumprir determinadas exigências de documentação fiscal utilizando uma declaração que já faz parte de suas obrigações anuais.
Entretanto, a medida não deve ser interpretada como autorização para deixar de emitir qualquer documento fiscal em todas as situações.
Nas operações com pessoas jurídicas, a emissão de nota fiscal continuará obrigatória, ressalvadas as situações previstas na legislação, como quando a empresa compradora emite uma nota fiscal de entrada.
Declaração anual poderá substituir documento fiscal em determinadas operações
A principal novidade é a ampliação da finalidade da Declaração Anual Simplificada do Microempreendedor Individual.
Atualmente, a DASN-SIMEI é utilizada para informar à Receita Federal o faturamento bruto obtido pelo MEI durante o ano anterior.
O documento deve ser entregue anualmente, inclusive pelos microempreendedores que não tiveram faturamento no período.
Com a nova regulamentação, essa mesma declaração poderá ser utilizada como documento fiscal eletrônico para fins específicos nas operações destinadas ao consumidor final pessoa física.
A medida pretende evitar que pequenos empreendedores precisem cumprir exigências adicionais de emissão de documentos relacionados à reforma tributária em situações contempladas pela norma.
A mudança, porém, não elimina a obrigação de apresentar a declaração anual.
O prazo regular de entrega continua sendo 31 de maio de cada ano. O descumprimento pode resultar em multas e outras consequências administrativas.
Quando a emissão de nota fiscal continua obrigatória?
A nova regra estabelece diferenças importantes entre operações realizadas com pessoas físicas e aquelas destinadas a empresas.
Nas vendas para consumidores pessoas físicas, o MEI poderá utilizar a DASN-SIMEI como documento fiscal eletrônico nas condições previstas pela regulamentação.
Já quando o comprador for uma empresa com CNPJ, a emissão da nota fiscal continuará obrigatória, observadas as exceções legais.
Por exemplo, um microempreendedor que presta serviços de manutenção para uma empresa deverá continuar emitindo o documento fiscal correspondente à operação.
O mesmo vale para um comerciante MEI que vende mercadorias para outra pessoa jurídica, salvo nas situações em que a legislação permitir a emissão de nota de entrada pelo comprador.
As regras também poderão variar conforme a atividade exercida e as exigências fiscais aplicáveis à operação.
Por isso, é importante não confundir a possibilidade de utilizar a declaração anual com uma dispensa geral de emissão de notas.
Como o MEI pode emitir nota fiscal atualmente?
Os procedimentos de emissão variam conforme a atividade desenvolvida pelo microempreendedor.
Quem presta serviços utiliza a Nota Fiscal de Serviços eletrônica (NFS-e) de padrão nacional, cuja emissão gratuita está disponível pelo sistema do governo federal.
O uso do Emissor Nacional tornou-se obrigatório para os MEIs prestadores de serviços sujeitos à emissão de NFS-e em setembro de 2023.
Para emitir o documento, o empreendedor deve acessar o sistema nacional, realizar a identificação e preencher as informações exigidas sobre o serviço prestado.
Já os MEIs que comercializam mercadorias seguem as regras de documentação fiscal aplicáveis às operações com produtos.
Uma das ferramentas disponíveis é a Nota Fiscal Fácil (NFF), sistema desenvolvido para simplificar a emissão de documentos fiscais por pequenos negócios, conforme a disponibilidade e as condições aplicáveis.
É importante destacar que a obrigatoriedade de utilização da NFS-e nacional, iniciada em 1º de novembro de 2026 para microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional, não representa uma nova exigência para os MEIs prestadores de serviços, que já utilizavam o sistema desde 2023.
O que muda com a reforma tributária?
A reforma tributária prevê a substituição gradual de impostos sobre o consumo por um novo modelo baseado principalmente no IBS e na CBS.
O IBS será de competência compartilhada entre estados e municípios, enquanto a CBS será administrada pela União.
A transição exigirá adaptações nos sistemas de emissão de documentos fiscais e nas informações utilizadas pelas empresas para registrar suas operações.
Para os microempreendedores individuais, o governo federal anunciou medidas específicas de simplificação, considerando a menor estrutura administrativa desses negócios.
O objetivo é reduzir custos relacionados ao cumprimento de obrigações fiscais e evitar que a modernização do sistema tributário aumente excessivamente a burocracia.
A possibilidade de utilizar a DASN-SIMEI como documento fiscal eletrônico faz parte desse conjunto de medidas.
As regras também preservam mecanismos de acompanhamento das operações pela administração tributária.
Qual é a diferença entre MEI e nanoempreendedor?
A nova regulamentação também estabelece condições específicas para os chamados nanoempreendedores.
Essa categoria reúne pessoas físicas que desenvolvem atividades econômicas de pequeno porte e apresentam faturamento dentro dos limites definidos pela reforma tributária.
Diferentemente do MEI, o nanoempreendedor poderá ficar dispensado da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e da emissão de determinados documentos fiscais eletrônicos relacionados aos novos tributos sobre o consumo.
A dispensa está condicionada ao cumprimento dos critérios legais e não significa que toda atividade econômica de pequeno valor ficará automaticamente livre de obrigações fiscais.
O MEI, por outro lado, continua sendo uma categoria formalizada com CNPJ, recolhimento mensal de tributos e obrigações específicas.
O tratamento diferenciado busca adequar as exigências fiscais ao porte e à capacidade econômica de cada atividade.
O que o microempreendedor precisa fazer antes de 2027?
As novas disposições da Resolução CGSN nº 195 começam a produzir efeitos em 1º de janeiro de 2027.
Até lá, os microempreendedores devem continuar seguindo as regras vigentes para emissão de documentos fiscais e entrega de declarações.
Também é importante manter os dados cadastrais atualizados, acompanhar a situação do CNPJ e verificar os procedimentos exigidos para cada atividade.
Quem presta serviços deve conferir o acesso ao Emissor Nacional da NFS-e. Já os comerciantes precisam observar as regras aplicáveis à emissão de notas fiscais de mercadorias.
A Receita Federal e o Comitê Gestor do Simples Nacional poderão divulgar orientações operacionais complementares para esclarecer a aplicação das mudanças.
Os empreendedores podem acompanhar as atualizações pelo Portal do Empreendedor, pelo Portal do Simples Nacional e pelos canais oficiais da Receita Federal.
A principal mudança prevista para 2027 é a possibilidade de aproveitar a declaração anual como documento fiscal eletrônico em determinadas operações com pessoas físicas, sem eliminar as demais responsabilidades tributárias do MEI.


