S&P 500 7.580 ↓ -1,82%Nasdaq 25.437 ↓ -2,86%Dow Jones 51.770 – 0,00%Ibovespa 167.922 ↓ -0,75%FTSE 100 10.725 ↓ -0,04%DAX 25.859 ↑ +0,16%Nikkei 63.082 ↓ -0,33%Dólar R$ 5,44 ↓ -0,04%Euro R$ 6,10 – 0,00%Bitcoin R$ 423.218 ↓ -0,57%S&P 500 7.580 ↓ -1,82%Nasdaq 25.437 ↓ -2,86%Dow Jones 51.770 – 0,00%Ibovespa 167.922 ↓ -0,75%FTSE 100 10.725 ↓ -0,04%DAX 25.859 ↑ +0,16%Nikkei 63.082 ↓ -0,33%Dólar R$ 5,44 ↓ -0,04%Euro R$ 6,10 – 0,00%Bitcoin R$ 423.218 ↓ -0,57%
Saúde

Vitaminas para cabelo não aceleram crescimento dos fios e podem causar queda

Especialistas alertam que suplementos só costumam ajudar quando há deficiência nutricional; excesso de vitaminas e minerais pode provocar problemas de saúde.

Vitaminas para cabelo não aceleram crescimento dos fios e podem causar queda

As vitaminas e os suplementos vendidos com a promessa de acelerar o crescimento do cabelo não apresentam benefícios comprovados para pessoas que já possuem níveis adequados de nutrientes. Apesar da popularidade de cápsulas, gomas mastigáveis e fórmulas capilares nas redes sociais, especialistas alertam que esses produtos não fazem os fios crescerem mais rapidamente e, quando consumidos em excesso, podem até contribuir para a queda de cabelo.

A explicação está no funcionamento natural do organismo. O crescimento capilar depende de fatores genéticos, hormonais, nutricionais e do ciclo de vida dos folículos. Segundo especialistas ouvidas pelo Metrópoles em reportagem publicada nesta segunda-feira (2), vitaminas e minerais são importantes para a formação e a manutenção dos fios, mas consumir doses extras desses nutrientes não significa acelerar seu crescimento. A suplementação pode ser necessária quando existe uma deficiência identificada, desde que acompanhada por um profissional de saúde.

Leia também: Encontrou uma cobra dentro de casa? Veja o que fazer e o erro que pode colocar sua vida em risco

Suplementos viram febre no Google: veja o que os brasileiros mais procuram e o que realmente funciona

Por que vitaminas não fazem o cabelo crescer mais rápido?

O cabelo possui um ciclo natural de crescimento, que envolve fases de desenvolvimento, transição, repouso e queda. A duração dessas etapas varia conforme características individuais, principalmente fatores genéticos e hormonais.

Os nutrientes participam de processos importantes para a formação dos fios, mas não conseguem modificar livremente a velocidade determinada pelo funcionamento dos folículos capilares.

A farmacodermatologista Paula Sian explica que as vitaminas podem contribuir para a qualidade e a estrutura do cabelo, especialmente quando corrigem uma deficiência nutricional.

Isso, entretanto, não significa que os fios passarão a crescer mais rapidamente apenas porque a pessoa começou a consumir suplementos.

A Academia Americana de Dermatologia também orienta que vitaminas e minerais sejam utilizados para tratar problemas capilares quando houver uma necessidade identificada. Para pessoas com níveis nutricionais adequados, doses adicionais não apresentam benefícios consistentes e podem provocar efeitos indesejados.

Biotina realmente ajuda no crescimento dos fios?

A biotina, também conhecida como vitamina B7, é um dos ingredientes mais comuns em suplementos comercializados para cabelos, pele e unhas.

Ela participa de processos metabólicos importantes e contribui para o funcionamento normal do organismo.

Entretanto, a deficiência de biotina é considerada rara entre pessoas saudáveis que possuem uma alimentação variada.

Segundo informações dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), existem poucas evidências científicas que sustentem a promessa de crescimento capilar com o uso de suplementos de biotina em pessoas sem deficiência.

Uma revisão científica publicada em 2024 também identificou limitações importantes nos estudos sobre o assunto. Entre os trabalhos analisados, o ensaio clínico de maior qualidade não encontrou diferença significativa no crescimento dos cabelos entre os participantes que receberam biotina e aqueles que utilizaram placebo.

Isso não significa que a vitamina seja desnecessária para o organismo, mas que suplementá-la sem indicação não oferece os resultados frequentemente prometidos em propagandas.

Excesso de vitaminas pode provocar queda de cabelo

Além de não garantir crescimento mais rápido, o consumo indiscriminado de suplementos pode causar efeitos contrários aos desejados.

Um dos exemplos é a vitamina A. Embora seja essencial para diferentes funções do organismo, seu consumo em quantidades excessivas pode provocar hipervitaminose, condição associada a alterações na pele e à queda capilar.

O excesso de selênio também pode contribuir para a perda dos fios.

Já o consumo exagerado de zinco pode provocar desequilíbrios nutricionais, incluindo deficiência de cobre, além de outros problemas de saúde.

Esses nutrientes estão presentes em alimentos e em diferentes suplementos vendidos sem necessidade de prescrição.

Por isso, pessoas que combinam multivitamínicos com fórmulas específicas para cabelo podem consumir doses repetidas de determinadas substâncias sem perceber.

A recomendação dos especialistas é evitar a automedicação e procurar orientação antes de iniciar o uso contínuo desses produtos.

Biotina também pode interferir em exames de sangue

Outro risco associado à suplementação em doses elevadas envolve a interferência em exames laboratoriais.

A biotina pode alterar os resultados de determinados testes utilizados para avaliar a função da tireoide e investigar problemas cardíacos.

Dependendo da metodologia empregada pelo laboratório, a substância pode provocar resultados falsamente elevados ou reduzidos.

Essa interferência pode dificultar a interpretação dos exames e comprometer a avaliação médica.

Por isso, pacientes que utilizam suplementos com biotina devem informar o médico e o laboratório antes da coleta.

A necessidade de suspender o produto temporariamente deve ser avaliada pelo profissional responsável, de acordo com a dose utilizada e o tipo de exame solicitado.

Quando os suplementos capilares realmente podem ajudar?

A suplementação pode trazer benefícios quando a queda ou o enfraquecimento dos cabelos está relacionado à falta de nutrientes.

A deficiência de ferro, por exemplo, pode contribuir para a queda capilar, especialmente quando está associada à anemia.

Dietas muito restritivas, perda rápida de peso e ingestão insuficiente de proteínas também podem prejudicar o crescimento e a manutenção dos fios.

A nutricionista Camilla Simões explica que, diante de uma deficiência nutricional importante, o organismo prioriza funções essenciais à sobrevivência.

Nesse processo, a formação e a manutenção do cabelo podem ser prejudicadas.

Nessas situações, corrigir a deficiência pode ajudar a restabelecer o funcionamento adequado dos folículos e favorecer a recuperação capilar.

Entretanto, a indicação depende da identificação do problema. Nem toda queda de cabelo ocorre por falta de vitaminas, e a suplementação não substitui o tratamento de outras causas.

Queda e quebra de cabelo são problemas diferentes

Uma confusão frequente envolve a diferença entre queda capilar e quebra dos fios.

A queda acontece quando o cabelo se desprende do folículo, estrutura localizada no couro cabeludo responsável pela formação dos fios.

Já a quebra ocorre quando a fibra capilar se rompe ao longo do comprimento.

Procedimentos químicos, como alisamentos e descolorações, além do uso excessivo de chapinhas e secadores em altas temperaturas, podem danificar a estrutura do cabelo.

Como a parte visível do fio é formada por células sem atividade metabólica, os nutrientes ingeridos não conseguem reparar diretamente uma fibra que já foi danificada.

Nesses casos, mudanças nos cuidados capilares, redução de agressões químicas e térmicas e uso de produtos adequados podem ajudar a diminuir a quebra.

Tomar vitaminas, porém, não resolve automaticamente um problema provocado por danos externos.

Minoxidil também não funciona como uma vitamina

O minoxidil é um medicamento utilizado no tratamento de determinados tipos de queda de cabelo, incluindo a alopecia androgenética.

Sua atuação é diferente da dos suplementos nutricionais.

O medicamento pode prolongar a fase de crescimento dos folículos e favorecer o aumento da quantidade ou da espessura dos fios em pacientes com indicação adequada.

Isso não significa que ele aumente necessariamente a velocidade de alongamento de cada fio.

A resposta ao tratamento varia conforme a causa da queda, as características individuais e a forma de utilização.

O minoxidil também pode provocar efeitos adversos, especialmente quando utilizado por via oral, e deve ser empregado com acompanhamento médico.

Outros tratamentos, como a finasterida, também podem ser indicados em situações específicas, dependendo do diagnóstico e das características do paciente.

Como descobrir a causa da queda de cabelo?

A queda capilar pode ter diferentes origens, incluindo alterações hormonais, fatores genéticos, problemas na tireoide, estresse físico, doenças do couro cabeludo e deficiências nutricionais.

Também pode ocorrer após infecções, cirurgias, períodos de grande perda de peso ou mudanças hormonais, como no pós-parto.

Para identificar a causa, o dermatologista avalia o histórico clínico, a distribuição da perda dos fios, as condições do couro cabeludo e a presença de outros sintomas.

Quando necessário, podem ser solicitados exames laboratoriais para investigar anemia, deficiência de ferro, alterações da tireoide ou outros problemas.

A avaliação é especialmente importante quando a queda acontece de maneira intensa, persiste por várias semanas ou provoca falhas visíveis no couro cabeludo.

Com o diagnóstico correto, o tratamento pode ser direcionado à origem do problema, evitando gastos com produtos que não atendem às necessidades do paciente.

O que realmente ajuda a manter os cabelos saudáveis?

Uma alimentação equilibrada, com ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais, contribui para o funcionamento normal dos folículos capilares.

Também é importante evitar dietas extremamente restritivas e reduzir agressões frequentes aos fios, como procedimentos químicos excessivos e exposição constante a altas temperaturas.

Pessoas que apresentam queda persistente devem procurar avaliação dermatológica em vez de iniciar diferentes suplementos por conta própria.

A orientação dos especialistas é que vitaminas e minerais sejam utilizados quando houver uma necessidade real, identificada por avaliação clínica e, quando indicado, exames.

Embora suplementos possam corrigir deficiências e favorecer a recuperação de cabelos afetados por problemas nutricionais, não existe comprovação de que cápsulas ou gomas acelerem o crescimento natural dos fios saudáveis.

Leia também

Mais em Saúde →