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Saúde

Comprimido diário mantém câncer de pulmão avançado controlado por sete anos em mais da metade dos pacientes

Estudo com o medicamento lorlatinibe aponta resultado inédito em pacientes com alteração genética específica; tratamento, porém, custa cerca de R$37 mil por mês e ainda não está disponível no SUS

Comprimido diário mantém câncer de pulmão avançado controlado por sete anos em mais da metade dos pacientes

Um medicamento administrado em forma de comprimido, uma vez ao dia, apresentou resultados inéditos no tratamento de um tipo de câncer de pulmão avançado. Após sete anos de acompanhamento, 55% dos pacientes que receberam lorlatinibe permaneceram vivos e sem progressão da doença, segundo dados atualizados de um estudo clínico.

A pesquisa acompanhou 296 pessoas com câncer de pulmão de não pequenas células avançado e que apresentavam uma alteração genética chamada ALK. Os resultados fazem parte do estudo clínico CROWN, de fase 3, e foram publicados em setembro de 2026 na revista científica Annals of Oncology.

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O avanço é considerado relevante porque o câncer de pulmão é o tipo de tumor que mais provoca mortes no Brasil, entre homens e mulheres. No entanto, o medicamento não é indicado para todos os pacientes: sua eficácia está relacionada à presença dessa alteração genética, encontrada em aproximadamente 3% a 7% dos casos do tipo mais comum da doença.

Como funciona o medicamento

O lorlatinibe pertence à categoria das chamadas terapias-alvo, desenvolvidas para bloquear mecanismos específicos que estimulam o crescimento das células cancerígenas.

Nos pacientes com alteração no gene ALK, o organismo produz uma proteína que envia sinais contínuos para a multiplicação das células tumorais. O medicamento atua bloqueando essa proteína e interrompendo o estímulo ao crescimento do câncer.

Uma das características do tratamento é a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, estrutura que protege o cérebro e dificulta a entrada de diversas substâncias. Isso é importante porque o câncer de pulmão pode provocar metástases cerebrais.

O resultado também representa uma evolução em relação a tratamentos anteriores. Segundo especialistas, os medicamentos desenvolvidos em gerações anteriores já haviam ampliado o período de controle da doença, mas os dados atuais mostram um avanço expressivo entre pacientes com a alteração ALK.

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