Frete em Minas Gerais pode ficar até 40% mais caro em 2027; entenda
Transportadoras estudam reajustes de 30% a 40% a partir de janeiro, diante do aumento de impostos sobre o diesel e da pressão dos custos trabalhistas

As empresas de transporte de cargas de Minas Gerais estudam aumentar o preço do frete entre 30% e 40% a partir de janeiro de 2027. A previsão é do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), que aponta o aumento dos impostos sobre o diesel e das despesas operacionais como principais motivos para o possível reajuste.
A alta ainda não está definida, mas pode afetar o preço de produtos transportados pelas rodovias mineiras, como alimentos, materiais de construção e mercadorias destinadas ao comércio.
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Segundo o presidente do Setcemg, Antônio Luís da Silva Júnior, as transportadoras enfrentam dificuldades para manter a rentabilidade. Parte das empresas já opera com prejuízo, e a expectativa da entidade é de que a maioria encerre 2026 sem resultados financeiros positivos.
As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (29) pelo Diário do Comércio, em parceria com a Rádio Itatiaia.
Aumento do diesel deve pressionar o valor do frete
Um dos principais motivos para a previsão de reajuste é o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre o diesel.
O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou uma elevação de 11,1% no valor do imposto, que passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro em fevereiro de 2027.
O combustível representa entre 30% e 40% dos custos operacionais das transportadoras. Segundo o presidente do Setcemg, somente a elevação de 11% no custo do diesel poderia provocar um aumento de aproximadamente 4% no preço do frete.
Essa estimativa considera uma alta equivalente no preço do combustível, que não decorre automaticamente da mudança tributária. Os outros custos do setor também entram na avaliação dos reajustes.
Mudanças tributárias e trabalhistas preocupam empresas
Outro fator apontado pelas transportadoras é a adaptação às novas regras da reforma tributária, cuja transição começou em 2026.
As empresas também citam a reoneração gradual da folha de pagamentos e as mudanças na jornada de trabalho como fontes de pressão sobre as despesas com funcionários.
Segundo o sindicato, algumas operações já registram prejuízos entre 4% e 5%, o que pode levar as empresas a repassar parte dos custos aos clientes.
Produtos podem ficar mais caros para os consumidores
O possível aumento do frete preocupa porque o transporte rodoviário faz parte da cadeia de distribuição de grande parte das mercadorias comercializadas em Minas Gerais.
Quando o valor cobrado pelas transportadoras aumenta, empresas responsáveis pela produção, distribuição e venda dos produtos podem transferir parte dessas despesas ao consumidor.
O impacto, no entanto, dependerá da distância percorrida, do tipo de carga, dos contratos de transporte e da capacidade de cada empresa de absorver os custos.
Por enquanto, o reajuste de até 40% é uma projeção do setor, e não um aumento já aprovado ou aplicado por todas as transportadoras.

