Semenyo decide para Gana e mira duelo com a Inglaterra
Copa do Mundo
Atacante brilha na estreia de Gana e já foca no confronto chave contra a Inglaterra na próxima fase do torneio.
Antoine Semenyo transforma a estreia de Gana na Copa do Mundo em alívio coletivo nesta quinta-feira, 18/06/2026, em Boston. O atacante de 27 anos participa do lance do gol aos 95 minutos, na vitória por 1 a 0 sobre o Panamá, é eleito o melhor em campo pela Fifa e sai de campo já falando em classificação às oitavas.
Gol no limite muda o rumo do Grupo L
O placar magro vale mais que três pontos para Gana. Coloca a seleção empatada com a Inglaterra na liderança do Grupo L e esquenta o confronto direto entre as duas equipes, também em Boston, na próxima terça-feira.
O Panamá, que passa boa parte do jogo com a bola, volta para casa sem nada. A derrota nos acréscimos complica a vida da equipe de Amir Murillo, Cecilio Waterman e Jiovany Ramos, que agora precisa reagir contra Croácia e Inglaterra para seguir viva.
O lance decisivo nasce num momento em que o empate parece inevitável. Semenyo, aberto pelo lado esquerdo, recebe em velocidade, aciona Brandon Thomas-Asante em passe curto, e o atacante cruza rasteiro para Caleb Yirenkyi completar para o gol, aos 95 minutos. A jogada resume a mudança promovida por Otto Addo no segundo tempo.
Semenyo assume protagonismo das Estrelas Negras
Nascido no sudeste de Londres, com dupla cidadania, Semenyo chega à Copa carregando a etiqueta de estrela: contratado pelo Manchester City em janeiro por R$ 474 milhões, soma 11 gols em 27 partidas pelo clube inglês. A trajetória contrasta com a adolescência cheia de recusas em testes na Inglaterra e a retomada discreta no Bristol City, antes do salto no Bournemouth, onde marca 10 gols em 20 jogos na temporada 2022/2023.
Em Boston, o rótulo se justifica. Escalado inicialmente pela direita, Semenyo é a peça ofensiva mais perigosa de Gana durante quase todo o jogo. Fecha espaços na recomposição, segura a bola quando o time precisa respirar e acelera nos contra-ataques. Quando a partida se arrasta para os acréscimos, ele ainda encontra perna para iniciar o lance da vitória.
Ao deixar o campo eleito melhor jogador da partida, o atacante admite dificuldade para processar o que acontece. “Nem sei como descrever essa emoção. Ficamos todos muito aliviados porque sabíamos o quanto esse jogo era importante”, diz, em entrevista ao site da Fifa.
A fala mistura desabafo e alerta. “Estou muito feliz com a vitória, mas não podemos desacelerar. Temos dois jogos importantes e grandes desafios pela frente”, completa, já com o olhar voltado para a sequência do Mundial.
Otto Addo mexe, Gana aguenta pressão e encontra saída
O roteiro da partida não é confortável para Gana. O Panamá se impõe fisicamente, pressiona a saída de bola e cria chances, incluindo um chute na trave ainda no primeiro tempo. A equipe africana sofre para encaixar passes e perde disputas pelo alto na intermediária.
No intervalo, Otto Addo decide trocar o goleiro: sai Lawrence Ati Zigi, entra Benjamin Asare. A mudança, somada ao ajuste de marcação na frente da área, dá segurança defensiva na etapa final. O técnico ainda aciona Abdul Fatawu e Brandon Thomas-Asante, que elevam a intensidade pelos lados e oferecem novas opções a Semenyo.
O próprio atacante reconhece a dureza do confronto. “Eles tinham alguns jogadores bem grandalhões, para ser sincero, mas a gente gosta desse jogo físico. É disso que a gente se alimenta”, afirma. Segundo ele, o resultado é combinação de resistência e frieza nos minutos finais. “Estou muito feliz por poder dizer que conquistamos essa vitória, mas não podemos tirar o pé do acelerador.”
A postura mais agressiva no segundo tempo não transforma Gana em dominadora, mas muda o peso de cada ataque. Quando o Panamá começa a administrar o empate, o time africano encontra o espaço que procura desde o início. A assistência de Semenyo, o cruzamento de Thomas-Asante e o toque de Yirenkyi recompensam a insistência.
Inglaterra no horizonte e amizades em suspenso
A consequência imediata da vitória é matemática: Gana e Inglaterra lideram o Grupo L com três pontos, enquanto Panamá e Croácia ainda não somam. A consequência simbólica é ainda maior. O duelo entre Semenyo, hoje jogador do City, e uma Inglaterra cercada de companheiros e rivais de Premier League transforma a segunda rodada em evento central do Mundial.
O técnico inglês Steve Clarke, que acompanha a rodada, analisa outro jogo, mas termina por reforçar a ideia de equilíbrio e resposta dos gigantes. “Marrocos fez grande primeiro tempo, e Brasil mostrou experiência para voltar”, afirma, em comentário sobre o grupo dos sul-americanos. O paralelo cabe ao cenário de Gana: seleção que sofre, resiste e encontra o gol quando parece tarde.
Semenyo, por sua vez, enxerga o confronto com a Inglaterra como oportunidade. “Vai ser muito difícil, mas essa vitória nos dá a confiança para buscar a classificação. Temos talento e algo a provar”, diz. A frase revela a ambição de uma geração que mira repetir e superar campanhas históricas de seleções africanas em Mundiais.
No campo pessoal, o encontro tem camada extra. “É claro que eles são meus amigos e há carinho entre nós, mas agora é hora de nos concentrarmos”, afirma, sobre os colegas de Premier League. As provocações pré-Copa, conta ele, ficam para trás. “Tivemos umas brincadeiras antes de partirmos para a Copa do Mundo, mas não acho que vai rolar mais nada. É uma competição séria, então é hora de nos dedicarmos totalmente.”
Impacto em Gana, no City e no futebol africano
O desempenho em Boston confirma o status de Semenyo como uma das faces atuais do futebol africano nas grandes ligas. A atuação reforça, também, o investimento do Manchester City em um jogador que combina força física, velocidade e capacidade de finalização com as duas pernas, perfil semelhante ao de nomes como Jérémy Doku no elenco inglês. Para o clube, cada jogo sólido na Copa ajuda a justificar os R$ 474 milhões desembolsados em janeiro.
Para Gana, o efeito é imediato no vestiário. O gol nos acréscimos reenergiza uma equipe que passa boa parte da estreia acuada, mas segura o resultado e mostra profundidade de elenco, algo raro em campanhas africanas passadas. As mudanças de Otto Addo funcionam, a troca de goleiro reduz o risco de erro decisivo, e a seleção sai de campo com a sensação de ter sobrevivido ao jogo mais traiçoeiro da fase de grupos.
O Panamá, por outro lado, volta a treinar sob pressão. O time que controla a posse e acerta a trave paga caro por uma única falha de posicionamento no fim. A necessidade de pontuar imediatamente pode obrigar o técnico a rever escolhas táticas e mexer na escalação.
O Mundial ainda está no começo, mas a noite de Boston já redesenha o Grupo L. Se Gana segurar o embalo e arrancar ao menos um empate da favorita Inglaterra, abre caminho concreto para as oitavas. Se Semenyo repetir o nível da estreia, reforça a impressão de que vive, aos 27 anos, o auge da carreira e consolida de vez seu lugar entre os atacantes mais influentes desta Copa.
Quem é Antoine Semenyo, destaque de Gana?
Semenyo é atacante de Gana, nascido no sudeste de Londres, com dupla cidadania. Revelado pelo Bristol City, brilhou no Bournemouth e hoje defende o Manchester City.
Quanto o Manchester City pagou por Semenyo?
O City contratou Semenyo em 9 de janeiro de 2026 por R$ 474 milhões. Desde então, ele soma 11 gols em 27 partidas pelo clube inglês.
O que Gana precisa para avançar às oitavas?
A seleção já tem três pontos. Uma vitória sobre a Inglaterra praticamente garante vaga; um empate mantém Gana em boa posição, desde que não tropece contra a Croácia.
