Messi sai do banco, decide e Argentina fecha pré-Copa com 3 a 0
A Argentina vence a Islândia por 3 a 0, nesta terça (9), no Jordan-Hare Stadium, em Alabama, e encerra a preparação para a Copa do Mundo de 2026 com atuação decisiva de Lionel Messi. O camisa 10 começa no banco, entra no segundo tempo e participa diretamente dos dois gols que consolidam o resultado, depois de Valentín Barco abrir o placar ainda na etapa inicial.
Messi acalma a ansiedade e muda o jogo
O amistoso ganha contorno de teste final para a atual campeã mundial, mas também de termômetro para a condição física de Messi. Fora do duelo anterior, contra Honduras, o atacante desperta dúvidas na torcida e entre analistas sobre o quanto poderá ser exigido já na fase de grupos do Mundial. A resposta em Alabama não é definitiva, porém indica que a Argentina continua dependente do seu craque e, ao mesmo tempo, confortável nessa dependência.
O time de Lionel Scaloni inicia a partida com uma formação alternativa, mistura titulares consolidados com jogadores em busca de espaço. Valentín Barco, de 19 anos, encarna esse espírito. Aos 7 minutos, ele aproveita sobra na entrada da área islandesa e bate de primeira para fazer 1 a 0. O gol precoce derruba qualquer plano de retranca total dos europeus e permite que a seleção sul-americana controle o ritmo até o intervalo.
A Islândia assusta apenas no começo, aos 3 minutos, quando Gudmundsson dispara pela esquerda e encontra Ellertsson na pequena área. O chute sobe demais e passa por cima do travessão de Rulli. A partir daí, os nórdicos se encolhem. A Argentina ocupa o campo de ataque, troca passes curtos e procura espaços sem se expor a contragolpes perigosos.
Giovani Simeone ainda tem a chance de ampliar aos 40 minutos. Lançado por Barco, limpa a marcação, mas para na saída firme do goleiro Olafsson. O placar magro ao fim do primeiro tempo mantém a Islândia viva no jogo e alimenta a sensação de que falta um protagonista para transformar domínio em vantagem segura.
O ambiente muda depois do intervalo. Scaloni lança mão de nomes mais acostumados a decisões, entre eles Lautaro Martínez. A seleção cria mais, porém esbarra em uma sequência de chances desperdiçadas. Mac Allister acerta a trave esquerda após cruzamento de Lautaro. Pouco depois, o próprio camisa 22 bate cruzado e vê a bola explodir no pé da trave. A noite parece caminhar para um placar curto, desconfortável para um time que se candidata ao título mundial.
Messi entra e altera a lógica. O relógio marca metade da etapa final quando o camisa 10 pisa no gramado de Alabama e assume o centro da cena. No primeiro lance, recebe entre linhas e encontra Lautaro infiltrando pela área. O atacante tenta driblar Olafsson e sofre o pênalti aos 25 minutos. O estádio, tomado por camisas albicelestes, levanta antes mesmo da confirmação da arbitragem.
O próprio Messi cobra. Com a naturalidade de quem já acumula 117 gols pela seleção, desloca o goleiro e faz 2 a 0. A comemoração se mistura a um suspiro coletivo de alívio: o craque está em campo, marca de novo e mostra que segue afiado às vésperas de mais uma Copa. A Islândia baixa a guarda, e a Argentina passa a tratar o amistoso como ensaio de contra-ataques e trocas rápidas de posição.
Thiago Almada aproveita esse cenário aos 41 minutos. Em novo avanço em velocidade, Messi recebe no meio, chama a marcação e encontra De Paul entrando pela direita. O volante rola para trás, e Almada apenas completa para o gol vazio, fechando o placar em 3 a 0 diante de um rival já resignado. O jogo termina com a sensação de que a equipe de Scaloni controla não apenas o resultado, mas a narrativa em torno da própria preparação.
Escaloni testa elenco, mas confirma peso do camisa 10
O amistoso em Alabama serve mais como radiografia da hierarquia do elenco do que como teste tático revolucionário. Scaloni preserva Messi por 45 minutos e distribui minutos entre jogadores em observação, como Barco, Nico Paz e o trio com passagem pelo futebol brasileiro, Flaco López e Agustín Giay, ambos do Palmeiras, além de Thiago Almada, que ganha espaço a cada apresentação.
Os palmeirenses começam como titulares e se alternam em funções distintas. Flaco participa da primeira pressão ofensiva, briga com os zagueiros islandeses e abre espaços para as infiltrações de Barco e Simeone. Giay atua aberto pela direita, sustentando amplitude e permitindo que Lo Celso se aproxime dos atacantes. A rotatividade, porém, escancara uma diferença que se mantém desde 2022: com Messi em campo, o time joga em outro ritmo.
Os números ajudam a dimensionar o cenário. A Argentina encerra a noite com três gols, duas bolas na trave e ao menos quatro oportunidades claras desperdiçadas. A Islândia, que assusta cedo, praticamente não volta a testar Rulli. O domínio territorial é amplo, mas só se converte em tranquilidade no placar quando o camisa 10 assume o comando das ações ofensivas.
Scaloni não esconde, nas últimas entrevistas, que pretende gerir a carga física de seu principal jogador ao longo do torneio. Ao mesmo tempo, sabe que cada minuto de Messi em campo aumenta as chances de a equipe controlar jogos amarrados, como ocorre em Alabama até meados do segundo tempo. A atuação deste 9 de junho reforça essa equação: menos explosão, mais leitura de espaços e capacidade de decidir em poucos toques.
A vitória também sustenta o discurso de favoritismo que cerca a seleção desde o título no Catar. Entre dezembro de 2022 e junho de 2026, a Argentina acumula resultados consistentes, alterna peças, muda formações, mas preserva uma espinha dorsal que inclui nomes como Otamendi, De Paul, Enzo Fernández e Lautaro. O amistoso contra a Islândia, ainda que não ofereça o nível de resistência de uma potência europeia, mostra um elenco confortável em diferentes cenários.
Do outro lado, a Islândia sai de campo com um roteiro conhecido: defesa aplicada, dificuldade para manter a bola e pouco repertório para reagir após sofrer gols. O time nórdico se fecha bem por boa parte da noite, mas tem problemas para conter as diagonais de Barco e as movimentações de Lautaro, sobretudo depois da entrada de Messi. O placar de 3 a 0 traduz a diferença de ambições das duas seleções neste momento.
Favoritismo em alta e estreia em vista
O triunfo em Alabama encerra a fase de testes e abre o capítulo definitivo da campanha argentina na Copa de 2026. A equipe estreia no próximo dia 16, às 22h (de Brasília), contra a Argélia, no Arrowhead Stadium, em Kansas City. O grupo J coloca ainda outros adversários no caminho, mas a largada contra os argelinos deve servir como novo termômetro da estratégia de rodar o elenco sem perder intensidade.
No vestiário, a avaliação é de que o amistoso cumpre o papel de último ajuste. O time sai sem lesionados, consolida opções de banco e vê o principal jogador responder em campo às dúvidas sobre ritmo de jogo. A partir de agora, cada aparição de Messi passa a ser medida também pelo impacto na gestão física ao longo de um torneio de sete partidas em pouco mais de um mês.
A comissão técnica se apoia em um dado relevante: mesmo com atuação parcial, o camisa 10 participa de dois gols e atinge a marca de 117 tentos pela seleção. É um número que reforça a dimensão histórica do atacante e, ao mesmo tempo, impõe uma pergunta prática à Argentina. Até que ponto será possível equilibrar a necessidade de preservar Messi e a evidência, reafirmada em Alabama, de que ele ainda é o atalho mais seguro do time rumo ao gol?
