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Neymar fará ressonância em Nova Jersey e vive contagem regressiva para a Copa

Neymar passa por ressonância magnética na próxima segunda-feira (8), em Nova Jersey, para avaliar a recuperação da lesão na panturrilha direita. O exame define os próximos passos antes da Copa do Mundo.

Exame decisivo em meio à preparação do Brasil

O camisa 10 da seleção brasileira segue afastado dos gramados desde o diagnóstico da lesão, em 27 de maio, durante a preparação em Teresópolis. Nesta semana, a comissão técnica decide mantê-lo em Nova Jersey, enquanto o restante do elenco viaja para Cleveland, onde enfrenta o Egito neste sábado (6), no último amistoso antes da estreia no Mundial.

A opção por não deslocar o jogador entre os dois estados norte-americanos se apoia em um cálculo simples. A viagem de cerca de uma hora e meia em cada trecho representa um desgaste considerado desnecessário para um atleta em recuperação. O foco passa a ser absoluto no tratamento, sem mudança de rotina, sem aeroporto e sem hotel novo a dois dias do exame.

Na entrevista coletiva desta sexta-feira (5), o técnico Carlo Ancelotti confirma o plano e deixa claro o peso da ressonância marcada para segunda. “Acho que é bastante clara. Está fazendo um ótimo trabalho individual. Creio que amanhã (corrigindo: segunda-feira) vai fazer uma ressonância e, se tudo estiver bem, poderá treinar com o grupo na próxima semana”, afirma o treinador, ao explicar a situação do atacante.

Desde que deixou o centro de exames em Teresópolis visivelmente abatido, no fim de maio, Neymar convive com uma espécie de relógio em contagem regressiva. O prazo projetado pelo departamento médico, divulgado pelo médico Rodrigo Lasmar, varia entre duas e três semanas de recuperação. A ressonância agora em Nova Jersey verifica se esse cronograma se cumpre ou se será necessário rever planos a menos de um mês da estreia.

Rotina de fisioterapia e impacto no planejamento da Seleção

Sem condições de treinar com os companheiros nos últimos dias, Neymar ocupa a maior parte do tempo entre academia, sala de fisioterapia e trabalhos de fortalecimento muscular. A carga física aumenta de forma gradual, com atividades controladas para evitar qualquer sobrecarga na região lesionada da panturrilha direita. Cada sessão entra em um relatório diário enviado à comissão técnica e ao departamento médico.

O protocolo segue à risca a recomendação interna desde a confirmação do problema. A ordem é não correr riscos. Mesmo que o amistoso contra o Egito tenha peso simbólico na preparação, a comissão técnica entende que o time pode abrir mão do craque neste momento para tentar tê-lo inteiro quando os jogos passarem a valer. O Mundial é o horizonte de todas as decisões.

O impacto esportivo é direto. Sem o principal atacante, Carlo Ancelotti testa alternativas de formação e distribuição em campo. Outros jogadores ofensivos ganham minutos, assumem responsabilidades e disputam espaço em um cenário em que, ao menos por alguns dias, a seleção precisa se acostumar a jogar sem a referência técnica do número 10. A forma como o time se comporta diante do Egito também entra na conta dos ajustes.

Para o torcedor, a dúvida central não é o amistoso, mas a Copa. A seleção já viveu edições de Mundial marcadas por problemas físicos de Neymar, como em 2014, com a fratura na vértebra, e em 2018, com lesões recorrentes no pé. Agora, a panturrilha volta a colocar o craque diante de uma corrida contra o tempo, o que aumenta a tensão em torno de qualquer boletim médico, exame ou imagem do jogador em treinamento.

O discurso oficial, porém, é de cautela acompanhada de otimismo. A CBF informa que a evolução nos primeiros dias de tratamento é considerada positiva. A expectativa na comissão técnica segue sendo contar com Neymar durante a Copa, desde que os exames confirmem a cicatrização adequada da lesão e a resposta física ao aumento de carga ao longo da próxima semana.

Próximos passos e o limite entre pressa e prudência

O exame de segunda-feira funciona como uma espécie de divisor de águas na preparação do Brasil. Se a ressonância magnética mostrar evolução consistente, Neymar deve ser liberado para retomar os treinos com o grupo nos dias seguintes, ainda com monitoramento restrito de tempo em campo e intensidade. Nesse cenário, ele entra de vez no desenho tático para a Copa, com chance real de estar em campo já nos primeiros jogos.

Um resultado que indique cicatrização incompleta, porém, muda o tabuleiro. A comissão técnica seria obrigada a alongar o período de trabalhos individualizados, rever datas e, em última instância, considerar ajustes de escalação e de esquema. O Brasil teria de preparar alternativas definitivas para o Mundial, não apenas soluções temporárias para amistosos.

Os próximos dez dias ganham peso desproporcional em relação a todo o ciclo de preparação. Cada treino, cada boletim médico e cada imagem de Neymar em campo alimenta análises e expectativas. O atacante, por sua vez, precisa equilibrar a ansiedade pela volta com a disciplina de quem não pode acelerar um processo biológico que depende de tempo, repouso relativo e carga controlada.

Em Nova Jersey, longe dos holofotes do amistoso em Cleveland, a seleção aposta em silêncio, fisioterapia e controle de detalhes para ter seu principal jogador na melhor condição possível no Mundial. A resposta que sairá da máquina de ressonância magnética na segunda-feira não encerra a história, mas define qual roteiro o Brasil seguirá na reta final de preparação para a Copa.

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