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Israel ordena retirada de civis no Líbano após veto do Hezbollah a trégua

O Exército de Israel ordena nesta sexta-feira (5) a retirada imediata de moradores de áreas do sul do Líbano, em meio à intensificação dos ataques. A medida vem após o Hezbollah rejeitar um acordo de cessar-fogo condicionado à suspensão total de seus disparos.

Escalada após trégua frustrada

As ordens de saída circulam principalmente pelo Telegram, em árabe, e miram cidades e vilarejos próximos à fronteira. O porta-voz militar israelense Avichai Adraee afirma que moradores dessas áreas devem deixar as casas e manter “distância de pelo menos 1.000 metros em áreas abertas”, afastados de instalações civis e militares que possam ser alvo. Em novo aviso, cerca de uma hora depois, ele orienta que outros residentes se desloquem “para o norte do rio Zahrani”.

A comunicação direta com a população libanesa ocorre dias após governos de Israel e do Líbano concordarem em implementar um cessar-fogo, mediado por potências estrangeiras. O entendimento, porém, depende da “cessação completa” dos disparos do Hezbollah e da retirada de seus combatentes do sul do país, região onde o grupo xiita mantém presença há décadas. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, rejeita publicamente o arranjo e mantém ataques contra alvos israelenses, o que abre caminho para a atual ofensiva.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordena que as tropas intensifiquem a incursão em território libanês, numa tentativa de conter o grupo e forçar sua retirada da fronteira. A decisão, tomada após reuniões com o comando militar, marca uma mudança de ritmo em relação aos dias de trégua relativa que se seguem ao anúncio do pacto. Na prática, o governo israelense busca pressionar o Hezbollah no campo de batalha enquanto o impasse diplomático persiste.

Mortes, deslocamentos e alerta internacional

A rede estatal libanesa NNA relata que pelo menos quatro pessoas morrem em ataques israelenses nesta sexta. Nas últimas semanas, o país registra dezenas de mortes em sucessivos bombardeios, em um dos períodos mais letais desde o início da atual onda de confrontos. Organismos internacionais acompanham o avanço das operações com preocupação. A ONU se diz “alarmada” com o impacto humanitário, diante do aumento de civis mortos, feridos e deslocados.

A ordem de retirada para além de 1.000 metros das áreas visadas pretende reduzir o número de vítimas, segundo o Exército israelense. Na prática, famílias precisam abandonar casas, comércios e plantações em poucas horas, muitas vezes sem meios de transporte suficientes. Em alguns vilarejos, deslocar-se para o norte do rio Zahrani significa caminhar vários quilômetros até encontrar abrigo temporário em escolas, prédios públicos ou casas de parentes.

O Hezbollah apresenta sua recusa ao cessar-fogo como resistência à pressão israelense e à exigência de retirada do sul do Líbano, que considera seu principal bastião. O grupo argumenta que não aceita uma trégua “condicional” e mantém o discurso de resposta a ataques israelenses. A postura dificulta a ação de mediadores estrangeiros, que tentam convencer as partes a respeitar um congelamento das hostilidades para evitar uma guerra em escala maior.

Desde os anos 1980, o sul do Líbano se torna um palco recorrente de confrontos entre Israel e o Hezbollah. A memória da guerra de 2006, que deixa mais de 1.000 mortos em pouco mais de um mês, segue viva entre moradores que agora voltam a reunir pertences às pressas. A diferença, hoje, é a velocidade com que as ordens chegam por aplicativos de mensagem e a precisão dos ataques, que podem atingir alvos em questão de minutos após a identificação.

Risco de ampliação do conflito

A intensificação das operações israelenses amplia o risco de que o confronto ultrapasse a fronteira entre Israel e Líbano. Mais ataques podem arrastar outros atores regionais e tensionar relações com países que abrigam forças de paz na região, como integrantes da missão da ONU no sul libanês. Para diplomatas ouvidos reservadamente em capitais ocidentais, a combinação de veto ao cessar-fogo e avanço militar cria “um terreno fértil para erros de cálculo”.

Moradores libaneses nas áreas alvo são os primeiros a pagar o preço da escalada. Quem não consegue sair permanece sob risco maior de ser atingido por bombardeios ou ficar sem acesso rápido a serviços de saúde. Em comunidades rurais, a perda da colheita de uma temporada representa meses de incerteza financeira. O deslocamento forçado também pressiona cidades vizinhas, já marcadas por crises econômica e política.

Israel, por sua vez, aposta que a pressão militar enfraquece o Hezbollah e reduz a capacidade do grupo de lançar foguetes contra seu território. A estratégia carrega custos políticos e diplomáticos, sobretudo se o número de civis mortos no Líbano seguir em alta. O Hezbollah usa essas imagens para reforçar sua narrativa de resistência e manter apoio entre parte da população libanesa e da base regional que o vê como contrapeso a Israel.

Próximos movimentos e incertezas

As próximas horas se tornam decisivas para saber se a pressão internacional consegue conter a escalada. Em bastidores, países mediadores tentam resgatar algum formato de cessar-fogo que seja aceitável para o governo libanês, para Israel e, sobretudo, para o Hezbollah. Sem a adesão do grupo, qualquer trégua permanece frágil. Analistas veem espaço para ajustes, como prazos graduais para retirada de combatentes e mecanismos de monitoramento mais robustos.

No terreno, famílias avaliam se deixam suas casas imediatamente ou aguardam novas orientações, num equilíbrio tenso entre segurança e sobrevivência. A ofensiva ordenada por Benjamin Netanyahu indica que Israel está disposto a manter e até aumentar a pressão militar, mesmo diante das advertências da ONU. A pergunta que permanece, para moradores do sul do Líbano e para chancelerias ao redor do mundo, é se a janela para uma saída negociada ainda está aberta ou se o Oriente Médio caminha para mais uma fase prolongada de guerra aberta.

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