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Caso Henry: acusação diz que Monique não foi manipulada por Jairinho

O assistente de acusação Cristiano Medina afirma, em plenário do Tribunal do Júri no Rio de Janeiro, que a tese de que Monique Medeiros foi manipulada por Jairo Souza Santos, o ex-vereador Dr. Jairinho, é falsa. A manifestação ocorre no julgamento da morte do menino Henry Borel, que avança em 2026 sob forte pressão da opinião pública por uma definição sobre os responsáveis pelo crime.

Acusação rompe narrativa de vítima e recoloca Monique no centro do caso

Em um julgamento que já se arrasta por anos e domina o noticiário desde 2021, a fala de Medina altera o clima no tribunal. Ao rejeitar a ideia de que Monique seria apenas uma mãe fragilizada, submetida ao controle psicológico de Jairinho, o assistente de acusação tenta desmontar a principal linha de defesa construída em favor dela.

Medina se apoia em depoimentos, trocas de mensagens recuperadas e laudos anexados ao processo, que tramitam na Justiça fluminense desde a denúncia do Ministério Público, apresentada em 2021. Para ele, o conjunto das provas mostra uma mulher que sabe o que acontece dentro do apartamento na Barra da Tijuca, na madrugada de 8 de março de 2021, quando Henry, então com 4 anos, é levado sem vida a um hospital particular da zona oeste.

“Não há manipulação que explique omissões reiteradas e versões contraditórias diante de um menino morto”, afirma o assistente de acusação, em referência às mudanças de relato atribuídas a Monique ao longo da investigação e do processo. A acusação sustenta que a tentativa de retratá-la como vítima de um relacionamento abusivo desvia o foco das responsabilidades objetivas pela morte da criança.

O caso chega ao júri mais de cinco anos após a morte de Henry, em meio a uma sucessão de recursos, pedidos de revogação de prisão preventiva, manifestações nas redes sociais e disputas de versões entre defesa e acusação. Em 2021, o inquérito policial já apontava indícios de agressões anteriores e incompatibilidades entre as lesões descritas no laudo de necropsia e a explicação inicial de um suposto acidente doméstico.

Monique e Jairinho respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura e falsidade ideológica, em um processo com milhares de páginas e dezenas de anexos. O julgamento, iniciado em 2026, ocupa o Tribunal do Júri por vários dias seguidos, com audiências que se estendem por mais de 8 horas diárias, sob acompanhamento de emissoras de TV e transmissão minuto a minuto em sites e redes sociais.

Impacto no tribunal, na opinião pública e no rumo da responsabilização

A declaração de Medina mexe no equilíbrio entre defesa e acusação porque atinge um ponto sensível: quem, afinal, sabia o quê e em que momento. Ao rejeitar a tese de manipulação, o assistente de acusação tenta isolar Jairinho como autor das violências físicas, mas preserva a imputação de responsabilidade penal a Monique, especialmente por omissão e por suposta participação na construção de versões apresentadas à polícia e aos médicos.

Nos últimos anos, a narrativa de que Monique seria vítima de um relacionamento abusivo ganha força em manifestações públicas, em análises de especialistas e em campanhas nas redes sociais. A defesa insiste em que ela age sob intenso controle emocional e psicológico do então companheiro, um político com trânsito nas estruturas do poder municipal e estadual. Medina confronta esse enredo e diz que as evidências de troca de mensagens e de comportamento antes e depois da morte de Henry não sustentam a imagem de uma mãe totalmente dominada.

O embate não é apenas técnico. A forma como o tribunal encara o papel de Monique influencia diretamente a percepção social sobre o caso e sobre a própria Justiça criminal. Se a tese de manipulação é aceita, crescem as chances de uma condenação mais concentrada em Jairinho, com eventual absolvição ou pena menor para ela. Se o entendimento de Medina prevalece, a responsabilização tende a se estender de forma mais dura à mãe da criança, o que pode provocar reações divididas na opinião pública.

Desde 2021, a morte de Henry mobiliza manifestações em frente a fóruns, assembleias legislativas e até em Brasília, com faixas pedindo “justiça para Henry” e punição máxima aos acusados. Em mais de uma ocasião, movimentos de defesa da infância usam o caso como símbolo da necessidade de reforço de protocolos em escolas particulares, hospitais e conselhos tutelares para identificar sinais de violência doméstica contra crianças.

O impacto da fala de Medina também se projeta sobre o próprio Ministério Público e sobre a forma como casos de violência de gênero são lidos em processos criminais. A tese de manipulação, frequentemente associada a relações abusivas, entra em choque com a expectativa social de que mães devem proteger seus filhos em qualquer circunstância. Esse choque se reflete nas reações em tempo real aos trechos da sustentação oral, compartilhados em redes que somam milhões de visualizações em poucas horas.

A cada novo depoimento e a cada intervenção de acusação e defesa, o júri composto por sete cidadãos precisa equilibrar provas materiais, laudos periciais, contradições de testemunhas e a carga emocional que chega ao plenário. O julgamento da morte de uma criança de 4 anos, em um apartamento de classe média alta, expõe fissuras de um sistema que muitas vezes reage tarde aos alertas de violência doméstica e maus-tratos.

Próximos passos do julgamento e pressão por uma resposta definitiva

Nos dias seguintes à fala de Cristiano Medina, o Tribunal do Júri segue com a oitiva de testemunhas e os esclarecimentos de peritos que participam do caso desde 2021. Ainda estão previstas as sustentações finais da defesa de Monique e de Jairinho, antes de o juiz presidente submeter aos jurados os quesitos que vão orientar a votação sobre culpa ou inocência de cada réu.

A expectativa é que o julgamento se estenda por mais alguns dias, com sessões que podem avançar até a noite, diante do volume de provas e da necessidade de ouvir todas as partes. Em um país em que, segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 30 mil crianças e adolescentes são internados por agressões físicas por ano, a definição do caso Henry tende a ser usada como parâmetro simbólico para outros processos envolvendo violência doméstica contra menores.

Organizações de direitos da infância defendem que, qualquer que seja o veredito, o processo sirva de gatilho para mudanças concretas em protocolos de denúncia, atendimento hospitalar e acompanhamento psicológico de crianças em situação de risco. A discussão sobre o papel de mães e pais em contextos de violência, e sobre o limite entre manipulação e corresponsabilidade, deve seguir nos tribunais, nas universidades e nas redes.

Quando os sete jurados se recolherem à sala secreta para decidir o destino de Monique Medeiros e de Jairinho, levarão não apenas as provas dos autos, mas o peso de um caso que há mais de cinco anos desafia a confiança da sociedade na capacidade do sistema de Justiça de proteger suas crianças. A resposta que sair do tribunal no Rio de Janeiro não encerra a discussão, mas define o ponto de partida para o próximo capítulo desse debate.

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