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Ataque russo com mísseis e drones mata 13 na Ucrânia

As forças armadas da Rússia lançam, na madrugada desta terça-feira (2), um ataque maciço com mísseis e drones contra Kiev e outras regiões da Ucrânia. Pelo menos 13 pessoas morrem e mais de 100 ficam feridas, em uma das ofensivas mais intensas das últimas semanas.

Escalada após acusações de “atos terroristas”

Explosões cortam a madrugada em Kiev pouco depois da meia-noite. Sirenes de ataque aéreo soam em sequência, enquanto moradores correm para abrigos subterrâneos já acostumados à rotina de alarmes. Horas depois, equipes de resgate ainda vasculham escombros de prédios danificados por destroços de mísseis interceptados e por impactos diretos.

As autoridades ucranianas relatam que a capital e ao menos outras seis regiões são alvo de uma combinação de mísseis e drones russos. O governo fala em dezenas de alvos atingidos, entre bairros residenciais, instalações de combustível e estruturas de transporte. Hospitais em Kiev e em cidades do leste registram fila de ambulâncias e salas de emergência lotadas.

Em Moscou, o Ministério da Defesa descreve a operação como resposta direta ao que chama de “atos terroristas do regime de Kiev”. “Durante a noite, em resposta a atos terroristas do regime de Kiev, as forças armadas da Federação Russa realizaram um ataque maciço utilizando armamento de alta precisão e longo alcance, baseado em aeronaves, terra e mar”, afirma a pasta em comunicado oficial.

O Kremlin diz empregar mísseis hipersônicos e drones em uma ofensiva concentrada em sete regiões ucranianas, incluindo Kiev, Zaporíjia e Kharkiv. Segundo Moscou, os ataques acertam “com sucesso” instalações de combustível, estruturas de transporte e aeródromos militares considerados estratégicos para as forças ucranianas. As alegações não podem ser verificadas de forma independente de imediato.

A escalada não ocorre de forma inesperada. Na semana anterior, o governo russo já havia advertido que iniciaria “ataques sistemáticos” contra alvos em Kiev. A ameaça aparece como resposta ao bombardeio com drones a um dormitório estudantil em Luhansk, cidade ocupada pela Rússia no leste da Ucrânia, que, segundo Moscou, deixa 21 mortos.

A Ucrânia contesta a versão e afirma atingir um centro de comando de drones, não estudantes. Em discurso na noite de segunda-feira (1º), o presidente Vladimir Putin acusa Kiev de “abrir uma nova página em uma série de crimes” ao atacar o dormitório e, depois, um prédio residencial em área controlada pela Rússia na região de Kherson. Os dois lados insistem que não miram civis, embora o número de mortos em zonas urbanas continue a crescer.

Guerra prolongada, alvos mais profundos e pressão internacional

O ataque desta terça-feira se insere em uma guerra que entra no seu quinto ano desde a invasão em larga escala iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022. Moscou ocupa hoje cerca de 20% do território ucraniano e, ainda em 2022, anuncia a anexação de quatro regiões: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, decisão rejeitada pela maior parte da comunidade internacional.

O fronte se move pouco, mas o alcance dos ataques aumenta. A Ucrânia intensifica operações em território russo e passa a mirar refinarias, depósitos de combustível e bases aéreas, numa tentativa de desgastar a logística militar inimiga. Nos últimos dias, drones ucranianos atingem uma refinaria e um grande depósito de combustíveis em solo russo, em mais um sinal de que a guerra ultrapassa, cada vez mais, a linha da fronteira.

Moscou responde ampliando o uso de mísseis de longo alcance e drones, com ofensivas que deixam um rastro de destruição em usinas, estações de energia e depósitos de combustível na Ucrânia. As cidades vivem sob risco constante de blecautes e colapso de transporte. O governo ucraniano pede com urgência mais sistemas de defesa aérea, especialmente aos Estados Unidos, para tentar conter ondas de mísseis como a desta madrugada.

Zelensky reforça o apelo em conversas com Washington, em meio a um cenário geopolítico mais incerto. Donald Trump, de volta à Casa Branca, pressiona por um acordo de paz rápido, enquanto militares ucranianos e russos continuam a travar combates pesados no leste. O contraste entre a urgência diplomática e a realidade no campo de batalha expõe o impasse que mantém o conflito em alta intensidade.

Os custos humanos crescem. Os Estados Unidos estimam que 1,2 milhão de pessoas já morreram ou ficaram feridas desde o início da guerra. A maior parte das vítimas é ucraniana, civis que veem sua rotina interrompida por deslocamentos forçados, perda de casas e interrupção de serviços básicos. Estimativas sobre baixas militares permanecem em sigilo, mas analistas militares falam em dezenas de milhares de soldados mortos em ambos os lados.

Risco de nova rodada de retaliações e impasse nas negociações

O ataque de hoje amplia a sensação de que a guerra entra em uma fase ainda mais imprevisível. Ao mirar simultaneamente Kiev, Zaporíjia, Kharkiv e outras regiões, a Rússia sinaliza que pretende manter a pressão constante sobre centros urbanos e infraestrutura crítica. Cada refinaria ou estação de energia atingida repercute em falta de combustível, encarecimento do transporte e interrupção de serviços por dias.

Para a Ucrânia, a ofensiva reforça a narrativa de que o país precisa de mais armas de defesa aérea e mísseis de maior alcance para responder a Moscou. Para o Kremlin, o bombardeio desta terça-feira serve como demonstração de capacidade militar e recado político após os ataques ucranianos em Luhansk e dentro do território russo. O ciclo de ação e reação tende a se aprofundar.

Governos europeus e aliados da Otan acompanham a escalada com preocupação. Qualquer avanço russo adicional no leste ou no sul da Ucrânia pode pressionar ainda mais por novas sanções, mais pacotes de ajuda militar e um redesenho da segurança no continente. A guerra já redesenha rotas comerciais, desloca milhões de pessoas e mantém o preço da energia sob risco de sobressaltos.

No curto prazo, a atenção se volta para a capacidade ucraniana de absorver novos ataques e reparar danos em infraestrutura vital antes do próximo inverno. No médio prazo, cresce a dúvida sobre até quando Washington e capitais europeias manterão o nível atual de apoio militar e financeiro diante de orçamentos pressionados e disputas políticas internas.

Enquanto diplomatas discutem cessar-fogo e fórmulas de paz, Kiev e Moscou insistem em que não atacam civis de forma deliberada, mesmo diante de prédios queimados, hospitais sobrecarregados e cemitérios que se expandem. A madrugada desta terça-feira adiciona mais uma camada de destruição a uma guerra que já dura mais de quatro anos e deixa aberta a pergunta que orienta chancelerias e famílias sob bombardeio: quem estará disposto a recuar primeiro?

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