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Lesionado, Neymar domina o Maracanã e segue central na Seleção

Neymar não entra em campo no amistoso do Brasil contra o Panamá, no Maracanã, em 31 de maio de 2026, mas dita o clima da noite às vésperas da Copa. Lesionado na panturrilha direita, o camisa 10 assiste à vitória por 6 a 2 do banco de reservas e mesmo assim se torna o personagem principal, cercado por cânticos, câmeras e expectativa.

Um ídolo em volta olímpica sem chute a gol

Horas antes de a bola rolar, o entorno do estádio já indica quem ocupa o centro da cena. A camisa amarela com o nome de Neymar domina camelôs, lojas oficiais e ombros de crianças e adultos que se espalham pelas rampas do Maracanã. Em meio ao vaivém, um torcedor ergue uma placa em homenagem ao atacante e transforma em imagem o que se sente no ar: a atração principal da noite não está escalada, mas continua no foco.

Dentro do estádio, a lógica se repete. As vitrines destacam o número 10 acima dos demais. As primeiras filas das arquibancadas se enchem de camisas novas e antigas com o nome do jogador, do Santos ao Paris Saint-Germain, numa coleção improvisada da carreira que o levou a ser o rosto mais conhecido da Seleção nesta geração.

A lesão na panturrilha direita, confirmada pelo departamento médico da CBF com prazo de recuperação estimado entre duas e três semanas, impede qualquer risco em campo. A comissão técnica preserva o atacante e ajusta a estratégia para que ele chegue em condições à Copa do Mundo. O amistoso vira, na prática, um teste para o time e um termômetro para o peso simbólico de Neymar no grupo.

Quando surge no gramado, pouco antes do aquecimento, o efeito é imediato. Ele caminha devagar, conversa com integrantes da comissão, troca palavras com o médico Rodrigo Lasmar, observa o trabalho dos companheiros. Não toca na bola, mas a movimentação das arquibancadas indica que é esse o momento mais esperado do pré-jogo. Os celulares se levantam em bloco e a primeira onda de gritos com seu nome percorre o anel superior.

Bastidores, amigos e a confiança de Ancelotti

A noite também expõe o entorno que acompanha Neymar fora de campo. Nas áreas destinadas a convidados, aparecem amigos próximos como Thiaguinho, Rafael Zulu e Ludmilla. O cantor relembra a convocação para o Mundial, anunciada em meio a dúvidas sobre a forma física do atacante desde o retorno ao futebol brasileiro. “Eu estava na casa dele durante a convocação, demos um abraço de satisfação e vitória. Ele sabe o quanto se dedicou nesse tempo”, diz Thiaguinho, antes de cravar seu palpite. “O craque da Copa? Eu gostaria que fosse o Neymar.”

Rafael Zulu tenta dissipar qualquer leitura de abatimento. “Todo mundo foi pego de surpresa com essa lesão dele, mas a gente sabe exatamente o grau que é a lesão. Daqui a pouco ele está bem. Sem o Neymar na Copa, não faz sentido nenhum”, afirma. Ele insiste na imagem de um jogador inteiro por dentro. “Se tu olhar, o Neymar não tem ninguém abatido ali, não, muito pelo contrário. O mesmo Neymar animado de sempre, afimzaço da Copa do Mundo.”

A família reforça o tom de noite especial. O pai do jogador chega sozinho, cumprimenta a imprensa e some rapidamente pelo corredor interno. A esposa e as filhas assistem à partida das tribunas, em meio a convidados e dirigentes. Em campo, o camisa 10 participa como pode: a cada gol brasileiro, levanta do banco, vibra, abraça companheiros, se destaca no enquadramento das câmeras oficiais.

No gol de Rayan, jovem que marca pela primeira vez com a Seleção principal, Neymar é um dos primeiros a pular para comemorar. A cena funciona como um retrato de hierarquia e passagem de bastão: o veterano ídolo se mistura à euforia do estreante e ajuda a legitimar o novato diante do estádio cheio. Minutos depois, no gol de Casemiro, ele gesticula irritado com a demora da checagem do árbitro de vídeo, acompanha a imagem no telão e aplaude com força quando o juiz aponta para o meio-campo.

A entrevista de Carlo Ancelotti depois da partida coloca a participação à beira do gramado em perspectiva. O técnico se recusa a tratar o camisa 10 apenas como líder simbólico. “Ele tem que jogar na posição em que tem que jogar. Dentro de campo. Não pode jogar por fora”, afirma o italiano, ao ser questionado sobre o papel do atacante. O treinador deixa claro que ainda vê em Neymar um jogador decisivo. “Como ponta ou como meia-atacante. Como jogaram Vini e Raphinha. Uma dessas posições.”

Impacto na Seleção e pressão às vésperas da Copa

O amistoso termina, mas o roteiro da noite ainda gira em torno do camisa 10. A torcida volta a cantar seu nome depois do apito final. Neymar retribui com gestos e acenos, caminha lentamente, conversa com colegas e, por alguns minutos, rompe o protocolo. Enquanto o elenco se organiza para a volta olímpica, ele permanece próximo ao campo e passa a atender o outro lado do jogo.

Jogadores do Panamá deixam a roda de conversa com o técnico e se aproximam do brasileiro para fotos rápidas. A cena, comum em amistosos europeus, ganha contornos particulares no Maracanã. O atleta que não chutou uma bola na noite é o mais procurado pelos adversários, num estádio em que o Brasil volta a vencer por quatro gols de diferença diante de mais de 60 mil pessoas.

A repercussão extrapola o estádio. As imagens de Neymar sorrindo com Vini Jr, orientando companheiros no banco e abraçando jovens convocados circulam em redes sociais no Brasil e no exterior. Em portais internacionais, o recorte da noite enfatiza o contraste entre a ausência por lesão e a permanência como figura central da equipe. Em uma Seleção que mistura veteranos e atletas ainda em ascensão, a presença dele funciona como cola entre gerações.

O impacto esportivo da lesão, porém, é concreto. A avaliação do departamento médico prevê retorno entre duas e três semanas, janela que inclui a estreia do Brasil na Copa, em 13 de junho, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, e se estende até a partida contra o Haiti, em 19 de junho, na Filadélfia. Internamente, o planejamento considera mais realista contar com o camisa 10 a partir da segunda rodada da fase de grupos, para evitar recaídas.

A situação amplia a responsabilidade de nomes como Vini Jr, Raphinha e Rayan no início do torneio e testa a profundidade do elenco montado por Ancelotti. O treinador precisa equilibrar minutos, preservar quem chega de temporadas longas na Europa e ao mesmo tempo administrar a expectativa de um país que, mais de uma década após a Copa de 2014, ainda vê em Neymar o principal rosto de sua Seleção.

Recuperação, Copa e o lugar de Neymar no futuro

O caminho de volta ao protagonismo dentro de campo passa agora pelo departamento médico e pela gestão de carga nos primeiros treinos em solo americano. A comissão técnica trabalha com a meta de ter o atacante apto para, pelo menos, alguns minutos contra o Haiti, em 19 de junho, no Lincoln Financial Field, e plenamente liberado até o último jogo da fase de grupos, diante da Escócia, em 24 de junho, em Miami.

O roteiro não é inédito na carreira do camisa 10. Em 2014, ele deixa a Copa lesionado nas quartas de final. Em 2018, desembarca na Rússia em meio à recuperação de uma cirurgia no pé direito. Em 2022, sofre entorse no tornozelo logo na estreia. A sucessão de golpes físicos alimenta o debate sobre até quando o corpo do jogador acompanha o talento que o colocou entre os principais nomes de sua geração.

Neste ciclo, porém, o amistoso no Maracanã oferece um recorte ligeiramente diferente. Neymar não está no auge técnico dos tempos de Barcelona, tampouco vive a sequência de jogos de quando despontou no Santos. Mesmo assim, mobiliza amigos, familiares, adversários e uma multidão de torcedores numa noite em que não participa de um único lance.

O desfecho do domingo no Rio sinaliza dois movimentos simultâneos. Dentro de campo, a Seleção mostra que consegue construir uma goleada por 6 a 2 sem seu principal astro, com participação decisiva de jogadores mais jovens. Fora de campo, a reação das arquibancadas e o discurso de Carlo Ancelotti indicam que o time ainda se organiza em torno da figura do camisa 10.

As próximas semanas, entre sessões de fisioterapia, treinos controlados e os primeiros jogos da Copa, vão revelar se a noite de Maracanã será lembrada apenas como a confirmação de um ídolo popular ou como o prólogo de uma retomada técnica. A resposta, desta vez, depende menos das luzes e mais da panturrilha direita que manteve Neymar sentado no banco e, ainda assim, no centro da Seleção Brasileira.

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