Brasil testa time sem Neymar contra Panamá no último jogo antes da Copa
A seleção brasileira enfrenta o Panamá neste domingo (31), às 18h30, no Maracanã, no último amistoso em solo nacional antes da Copa do Mundo. Carlo Ancelotti testa uma formação próxima da ideal sem Neymar, ainda em recuperação de lesão muscular.
Ancelotti ajusta time titular com Neymar fora
O amistoso no Rio de Janeiro abre a reta final de preparação do Brasil para o Mundial e funciona como um ensaio geral diante de casa cheia. A comissão técnica trata o jogo como laboratório decisivo para definir titulares, combinações ofensivas e soluções para desfalques que podem se repetir durante o torneio.
Neymar, de 34 anos, é o principal ausente. O atacante do Santos sofreu uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita e tem previsão de recuperação entre duas e três semanas. O prazo deixa o camisa 10 em situação incômoda para a estreia na Copa, embora a CBF reforce, nos bastidores, a confiança em sua presença ao longo da competição.
O jogador permanece integrado ao ambiente da seleção. Na sexta-feira (29), acompanha parte do treino na Granja Comary depois de sessões de fisioterapia e fortalecimento físico. A cena, com o craque à beira do campo de boné e chuteira sem poder treinar, resume o momento da equipe: a Copa se aproxima, mas o time ainda precisa se provar sem sua referência técnica.
Ancelotti monta o Brasil com Alisson; Wesley, Bremer, Léo Pereira e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Matheus Cunha, Raphinha, Vinícius Júnior e Luiz Henrique. A base é a mesma pensada para o Mundial, com mudanças pontuais na defesa por causa do calendário europeu. Marquinhos e Gabriel Magalhães, zagueiros que disputam vaga lado a lado, estão fora deste amistoso após jogarem a final da Champions League entre PSG e Arsenal no sábado (30). O atacante Gabriel Martinelli, também finalista, segue o mesmo protocolo.
O treino de sexta mostra um técnico disposto a testar ao limite. Fabinho e Danilo Santos recebem minutos no meio-campo. Ibañez e Douglas Santos aparecem entre as alternativas na linha defensiva. A ideia, repetida pela comissão em conversas reservadas, é colocar em campo o maior número possível de atletas, sem forçar ninguém logo nos primeiros dias de preparação.
Bruno Guimarães, peça central no esquema, ainda é monitorado por causa de desgaste físico leve. O volante do Newcastle termina a temporada europeia em alta, mas a carga de jogos preocupa. Se houver qualquer sinal de incômodo, Danilo Santos assume a vaga para evitar risco desnecessário a menos de um mês da Copa.
Panamá usa Maracanã como teste para segunda Copa
O amistoso também tem peso histórico para o Panamá. A seleção busca consolidar a segunda participação em Copa do Mundo, oito anos após a estreia no Mundial de 2018. A equipe encara o Brasil como medidor de nível antes da estreia contra Gana, marcada para 17 de junho.
O técnico panamenho leva ao Maracanã um time base com Orlando Mosquera; Amir Murillo, Fidel Escobar, José Córdoba e Eric Davis; Aníbal Godoy, Cristian Martínez e Adalberto Carrasquilla; Yoel Bárcenas, Ismael Díaz e José Fajardo. O grupo chega embalado pela vitória por 2 a 1 sobre a África do Sul em amistoso disputado no fim de março.
O histórico recente entre os dois países não intimida os visitantes. Em 2019, o Panamá segura um empate por 1 a 1 com o Brasil, também em amistoso, resultado que ainda circula nas conversas internas como exemplo de atuação competitiva. Agora, a comissão panamenha quer usar o palco do Maracanã para testar a resistência da defesa e a velocidade dos contra-ataques diante de um ataque que reúne Vinícius Júnior, Raphinha e Luiz Henrique.
O Brasil, por sua vez, chega com moral. No fim de março, a seleção vence a Croácia por 3 a 1, em amistoso nos Estados Unidos, e abre a janela de 2026 com desempenho convincente, apesar da irregularidade nos últimos ciclos. A partida deste domingo serve para medir se aquela atuação foi ponto fora da curva ou sinal de evolução sob o comando de Ancelotti.
O ambiente na seleção mistura cautela com confiança. A presença do presidente da CBF em treinos na Granja Comary, nos últimos dias, indica o peso político do momento. A entidade sabe que o desempenho nas próximas semanas influencia de forma direta patrocínios, audiência e a própria gestão após um ciclo sem títulos mundiais desde 2002, há 24 anos.
Último ensaio no Brasil antes da viagem e das escolhas finais
O Maracanã se torna, neste domingo, um palco de avaliação coletiva. Cada movimento importa: do encaixe entre Casemiro e Bruno Guimarães à sintonia de Vinícius Júnior com Matheus Cunha e Luiz Henrique. A ausência de Neymar força protagonismos distribuídos e pode redesenhar hierarquias dentro do elenco caso o time renda bem sem o camisa 10.
Para o Panamá, o duelo oferece a chance de medir até onde a equipe pode ir na Copa. Um bom desempenho diante do Brasil aumenta a confiança de um elenco que ainda busca espaço no mapa do futebol mundial. Depois de encarar os brasileiros, os panamenhos ainda enfrentam Bósnia-Herzegovina e República Dominicana antes de embarcar para o torneio.
O Brasil deixa o país logo após o amistoso. A delegação viaja para os Estados Unidos, onde permanece até a estreia no Mundial. O próximo compromisso está marcado para 6 de junho, em Cleveland, contra o Egito, em novo teste de caráter competitivo e logístico. A comissão promete repetir a lógica do rodízio, mas com menos espaço para experiências radicais.
As próximas duas semanas devem consolidar decisões que se refletem não só na escalação, mas também na forma de jogar. Ancelotti precisa responder a uma pergunta que atravessa torcida, dirigentes e elenco: o Brasil chega à Copa dependente de Neymar ou pronto para se reinventar em torno de um coletivo mais imprevisível? A primeira parte da resposta passa, inevitavelmente, pelo que acontecer neste domingo no Maracanã.
