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Após recuo de Pacheco, PT-MG abre disputa por candidatura própria

O PT de Minas Gerais decide abrir, nesta semana, o debate interno sobre uma candidatura própria ao governo do estado em 2026, após o recuo do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). A resolução, aprovada pela Executiva Estadual na quinta-feira 29 e divulgada neste sábado 30, recoloca o partido no centro da disputa pelo Palácio Tiradentes.

Vacância no campo governista acelera movimentos

A desistência de Pacheco, apontado por Luiz Inácio Lula da Silva como o nome preferencial para liderar uma frente ampla em Minas, desmonta o desenho articulado até aqui. Sem um candidato de consenso no campo governista, o PT mineiro avalia que o tabuleiro de 2026 fica aberto para o avanço de adversários e para o fortalecimento de forças ligadas ao bolsonarismo no segundo maior colégio eleitoral do país.

O texto aprovado pela Executiva Estadual afirma que a eleição de 2026 tende a repetir a polarização entre o projeto representado por Lula e os grupos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse cenário, a sigla considera que não ter um nome competitivo desde já poderia custar votos preciosos à campanha de reeleição do presidente. Em 2022, Lula venceu em Minas por margem apertada, com pouco mais de 50% dos votos válidos no segundo turno, e o resultado é tratado internamente como um alerta.

A resolução defende que a construção de uma candidatura própria ao governo não é apenas uma escolha local, mas parte de uma “estratégia nacional” para garantir maioria de votos a Lula no estado. A direção mineira sustenta que Minas funciona como uma espécie de fiel da balança nas disputas presidenciais desde a redemocratização e que, em 2026, essa condição tende a se repetir com ainda mais força.

Nos bastidores, dirigentes relatam que a decisão de abrir o debate não significa, por ora, o rompimento com a ideia de alianças amplas. A avaliação predominante é que o PT precisa ter, em prazo curto, um nome viável sobre a mesa para negociar em melhores condições. “Sem candidatura, a gente vira coadjuvante na própria base”, resume um integrante da Executiva, em conversa reservada.

Impacto nacional e disputa com bolsonarismo

O documento aprovado pelo PT-MG volta a enquadrar as eleições de 2026 como parte de uma disputa de fôlego mais longo com o bolsonarismo. O texto fala em confronto entre o “campo democrático e popular” e “forças autoritárias e antidemocráticas” e insiste que a vitória em Minas é condição para consolidar um segundo mandato de Lula. Na prática, a sigla tenta vincular o resultado estadual diretamente à correlação de forças em Brasília a partir de 2027.

Minas reúne hoje mais de 16 milhões de eleitores, cerca de 10% do total do país, e é vista pela cúpula petista como território-chave para frear o avanço da direita radical. O partido teme que um candidato apoiado por Bolsonaro repita o desempenho de 2018, quando Romeu Zema, então no Novo, surfou a onda antipetista e venceu no primeiro turno. A lembrança daquele pleito segue presente nas conversas internas e serve de contraponto para quem defende uma postura mais cautelosa.

A resolução também fixa prioridades claras: a reeleição de Lula ao Planalto, a candidatura da ex-prefeita de Contagem Marília Campos ao Senado e o crescimento das bancadas federal e estadual do PT e de partidos aliados. A menção nominal a Marília, que administrou o terceiro maior município mineiro até 2024, é lida como um recado de que o partido pretende testar lideranças com densidade regional e capilaridade eleitoral.

Dirigentes admitem, em reservado, que a disputa interna por espaço tende a se intensificar. Setores ligados ao governo federal defendem que o nome ao Palácio Tiradentes precisa dialogar com prefeitos, setores empresariais e movimentos sociais. Outros grupos pressionam por uma candidatura mais identificada com a militância histórica do partido. A direção estadual, por enquanto, tenta enquadrar o debate em termos de “viabilidade” e “compromisso com o projeto nacional”.

Quem ganha força e quais são os próximos passos

O início formal da discussão abre espaço para que quadros petistas testem seus nomes nas bases e em pesquisas internas ao longo de 2024 e 2025. O calendário eleitoral prevê que as convenções partidárias ocorram entre julho e agosto de 2026, o que dá ao PT cerca de dois anos para construir palanques, alianças e um discurso unificado no estado.

Aliados de Lula avaliam que a decisão mineira deve repercutir em outros diretórios estaduais que ainda não têm candidatos competitivos ao governo. A leitura é que, em um Congresso com forte presença de partidos do Centrão e da direita, a articulação de palanques comprometidos com o Planalto nos estados passa a ser decisiva para aprovar reformas econômicas e sociais a partir de 2027.

No curto prazo, a resolução produz efeito imediato dentro da base governista em Minas. Legendas que apostavam na liderança de Pacheco para organizar uma frente ampla agora precisam recalcular sua rota. O PSB, partido do senador, se vê diante do desafio de manter protagonismo sem oferecer uma cabeça de chapa ao governo estadual. Siglas como PSD, MDB e PSOL observam o movimento petista e avaliam se caminham para uma composição ou se lançam alternativas próprias.

O PT mineiro não estabelece prazos formais para bater o martelo sobre a candidatura ao Palácio Tiradentes, mas dirigentes admitem que 2025 será o ano decisivo. O avanço ou não de uma frente de centro-esquerda, o comportamento do bolsonarismo nas urnas municipais de 2024 e o desempenho da economia devem pesar na equação. Até lá, a disputa interna por um lugar na cabeça de chapa promete testar o equilíbrio da relação entre Lula e sua base em um dos estados mais decisivos do país.

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