Ancelotti banca Neymar na Copa e afasta chance de corte
Carlo Ancelotti descarta cortar Neymar da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, mesmo com lesão na panturrilha, e mantém confiança na recuperação do camisa 10 às vésperas do Mundial.
Ancelotti banca o camisa 10 mesmo com lesão
No centro de treinamento da Granja Comary, em Teresópolis, o técnico repete a mesma mensagem para a comissão, jogadores e direção da CBF: Neymar está na Copa. O atacante, com lesão grau dois na panturrilha direita e previsão de até três semanas de afastamento, segue na lista final de 26 convocados e não há, hoje, qualquer plano de substituição.
Ancelotti expõe essa decisão com naturalidade. Recorda que, ainda antes da convocação, recebeu do Santos um comunicado sobre um “pequeno problema, um pequeno edema”. Mesmo assim, insiste que a presença de Neymar na relação era inegociável. “O jogador foi convocado porque, para a comissão, teria que ser convocado”, afirma. O treinador diz que, desde 27 de maio, a Seleção assume o controle do tratamento e passa a monitorar cada passo da recuperação.
Recuperação monitorada e aposta de alto risco
No gramado da Granja, Neymar aparece em corridas leves, exercícios específicos e conversas demoradas com o médico Rodrigo Lasmar. O camisa 10 não entra em campo contra o Panamá, neste domingo, nem diante do Egito, no sábado, 6 de junho. Ficará fora também dos treinos com contato mais intenso, pelo menos enquanto a panturrilha direita segue em processo de cicatrização.
Lasmar fala em afastamento de até três semanas, prazo que empurra Neymar para a reta final da preparação e, possivelmente, além do jogo de abertura contra o Marrocos. Dentro da CBF, porém, o discurso se mantém alinhado. Segundo apuração da CNN Brasil, fontes garantem que “não há chance de corte de Neymar na Seleção”. A avaliação interna é simples: a Copa dura mais de um mês, e vale esperar alguns jogos para ter em campo o jogador mais decisivo da equipe.
Ancelotti verbaliza essa estratégia. “Para ser claro, ele vai estar conosco até o dia que estiver pronto”, diz. Aposta que Neymar se recupera a tempo do primeiro jogo. Se não der, projeta retorno no segundo compromisso, contra o Haiti, no dia 19 de junho. “Não temos dúvida que não vamos trocar ninguém. Os jogadores escolhidos são esses 26, e são esses que vão jogar a Copa”, reforça, ao lado da comissão técnica.
Impacto no time, no vestiário e nas expectativas
A escolha de manter Neymar na lista não afeta apenas o departamento médico. Muda o desenho tático da equipe, o espaço para alternativas e a dinâmica do vestiário. Sem o camisa 10 nos amistosos, Ancelotti testa diferentes formações, com mais mobilidade no ataque e responsabilidades divididas na criação de jogadas. Os treinos desta semana expõem uma Seleção que precisa se acostumar a jogar sem seu principal foco ofensivo, ao menos no início do torneio.
Ao mesmo tempo, a presença do atacante no grupo preserva um capital simbólico importante. Neymar continua sendo o principal nome do elenco, o jogador em torno do qual se organizam expectativas de torcedores e adversários. Deixá-lo fora, por precaução, abriria espaço para um substituto mais inteiro fisicamente, mas reduziria a margem para uma arrancada com seu retorno nas fases decisivas. A comissão escolhe o risco calculado e segura a vaga para o astro.
O debate, inevitável, se espalha entre torcedores, ex-jogadores e comentaristas. Parte enxerga em Neymar uma aposta necessária, mesmo com limitações físicas recentes. Outra parte teme repetir o roteiro de Copas anteriores, em que lesões atrapalham a plena utilização do camisa 10 em momentos-chave. O histórico pesa, mas não é suficiente para mudar o plano de Ancelotti neste momento.
Passado recente, lições e próximos passos
Neymar chega a mais um Mundial cercado por dúvidas físicas, cenário que já se repete desde 2014, quando a lesão nas costas tirou o jogador da semifinal. Em 2018 e 2022, problemas no tornozelo limitaram o rendimento e alimentaram a discussão sobre a dependência da Seleção em relação ao camisa 10. Hoje, a diferença está no discurso. A comissão técnica fala em grupo, repete que os 26 convocados são protagonistas e tenta reduzir o peso sobre o atacante, mesmo enquanto preserva seu espaço.
Na prática, a Seleção vive dias de espera e ajustes. Os próximos treinos em Teresópolis serão decisivos para medir a resposta de Neymar à carga física progressiva. A comissão acompanha exames, relatórios diários e a própria reação do jogador ao esforço. A decisão de não cogitar o corte, agora, não impede uma reavaliação mais perto da estreia, mas a mensagem enviada ao elenco é cristalina: o plano A continua sendo com o camisa 10 em campo.
Enquanto isso, Ancelotti precisa preparar duas Seleções em uma: uma com Neymar, desenhada para quando a panturrilha permitir explosão e ritmo de competição, e outra sem ele, pronta para estrear sob pressão internacional. A Copa começa com essa dúvida pendurada sobre a principal estrela brasileira. A resposta definitiva virá não dos microfones da Granja Comary, mas do relógio biológico de um jogador que ainda tenta provar que pode ser decisivo em mais um Mundial.
