Neymar vai a campo na Granja, mas segue fora dos amistosos da Seleção
Neymar deixa a academia, atravessa a chuva fina e aparece à beira do gramado da Granja Comary na manhã desta sexta-feira (29). Em recuperação de lesão grau 2 na panturrilha direita, o camisa 10 assiste ao treino da Seleção Brasileira sem poder tocar na bola, mas faz questão de acompanhar cada movimento do grupo que se prepara para a Copa do Mundo.
Chuva, cautela e presença no campo
O relógio se aproxima das 11h quando Carlo Ancelotti reúne o elenco no centro do campo encharcado em Teresópolis. Sob chuva constante, o treinador inicia a atividade tática enquanto Neymar observa ao lado da comissão técnica, com casaco pesado e semblante concentrado. O craque já cumpriu sua parte do dia na academia da Granja, em um trabalho específico para proteger a panturrilha direita.
O cenário sintetiza o momento da Seleção a pouco mais de um mês da estreia na Copa. O principal jogador do time não treina com o grupo, mas se mantém inserido no ambiente, perto das conversas e das decisões que moldam o time titular. Na prática, a presença à beira do gramado indica que o processo de recuperação avança dentro do previsto, sem que o departamento médico abra qualquer brecha para risco desnecessário.
A lesão acontece em 17 de maio, no confronto entre Santos e Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro. Depois de exames iniciais no clube, Neymar se apresenta à Seleção e passa por nova bateria de imagens em Teresópolis. Os testes confirmam a gravidade intermediária da lesão muscular, classificada como de grau 2, que costuma exigir de duas a três semanas de afastamento completo das atividades de alta intensidade.
Plano médico e impacto imediato na preparação
A partir do diagnóstico fechado, o departamento médico traça um cronograma rígido para o camisa 10. O médico da Seleção, Rodrigo Lasmar, estima um prazo de recuperação entre 14 e 21 dias, intervalo que inclui fisioterapia diária, reforço muscular e transição gradual para o campo. Nesse período, a ordem é clara: nada de treinos com contato, arrancadas ou finalizações fortes, mesmo que a dor diminua.
O impacto é imediato no planejamento da comissão. Neymar está vetado dos dois amistosos que abrem a fase final de preparação. Contra o Panamá, neste domingo (31), e diante do Egito, em 6 de junho, em Cleveland, Ancelotti precisa testar alternativas ofensivas sem o jogador que organiza e decide a maior parte das jogadas da Seleção. A ausência força ajustes na formação, na bola parada e até na liderança em campo, papel que Neymar exerce desde a última Copa.
Entre analistas e torcedores, o gesto de ir ao gramado mesmo sem treinar é lido como sinal de compromisso. A imagem do camisa 10 encostado na mureta, atento às orientações do técnico, contrasta com críticas antigas sobre comportamentos extracampo. Ele acompanha conversas, participa de breves trocas com auxiliares e volta para a parte interna do centro de treinamento sem mancar, mas ainda protegido, em respeito às recomendações médicas.
Nos bastidores, a avaliação é de que a Seleção ganha em coesão ao manter o principal nome próximo do restante do grupo desde o início do ciclo de treinos. Médicos e comissão técnica reforçam o discurso de unidade e cautela, evitando qualquer sinal de afobação diante da proximidade da Copa. O entendimento é de que 100% de Neymar na fase de grupos vale mais do que alguns minutos em amistosos de preparação.
Reta final antes da Copa e expectativa pelo retorno
A agenda de jogos pressiona o relógio da recuperação. Com a previsão de até três semanas longe do gramado em intensidade máxima, Neymar deve voltar a entrar em campo apenas no decorrer da fase de grupos da Copa do Mundo. O plano ideal da comissão técnica projeta que, próximo da segunda partida, ele esteja liberado para ao menos parte do treino com bola, ainda sob controle rigoroso de carga.
Até lá, a Seleção precisa ganhar minutos e confiança com outras peças. Os amistosos contra Panamá e Egito se transformam em laboratório para variações de ataque sem o camisa 10, algo que o Brasil pouco pratica nos últimos anos. A forma como o time se comporta nesses jogos pode definir se Neymar retorna em um time já encaixado ou ainda em formação, o que interfere diretamente em seu protagonismo logo na estreia.
Nos próximos dias, cada boletim médico sobre a panturrilha direita do jogador tende a ganhar peso de notícia principal. O histórico recente de lesões musculares em anos de Copa alimenta a cautela de torcedores e especialistas. O quadro atual, porém, é tratado como administrável. A lesão de grau 2 não exige cirurgia, responde bem a repouso controlado e costuma permitir retorno em alto nível quando o cronograma é respeitado.
O fim da manhã na Granja Comary reforça essa estratégia. Enquanto o treino acaba e a chuva perde força, Neymar deixa discretamente a lateral do campo e volta para a parte interna do centro de treinamento. O foco está em completar, dia após dia, o protocolo que pode devolvê-lo à Copa em condições de decidir. A pergunta que acompanha a Seleção até a estreia não é mais se ele joga o Mundial, mas em que rodada estará pronto para, de novo, assumir o comando do time.
