Grêmio testa defesa remodelada e meio-campo em disputa contra o Corinthians
Luís Castro encaminha uma escalação do Grêmio com até cinco mudanças para enfrentar o Corinthians neste sábado, às 17h30, na Arena, pela 18ª rodada do Brasileirão. A reformulação atinge sobretudo o sistema defensivo, obrigado a se virar sem convocados e lesionados. O meio-campo também entra em disputa, com reservas ganhando espaço após a maratona de jogos.
Treino fecha porta e abre vaga
O desenho da nova formação surge no treino desta sexta-feira, no CT Presidente Luiz Carvalho, em Porto Alegre. Em pouco mais de 90 minutos de atividade, o técnico português reorganiza a base do time que vem de empate com o City Torque e indica uma defesa praticamente inédita para encarar um dos rivais mais tradicionais do país.
As ausências forçam a mão de Luís Castro. Weverton se apresenta à Seleção Brasileira e desfalca o clube na reta final do primeiro turno. Pavon e Luís Eduardo, com lesões musculares confirmadas pelo departamento médico, saem de cena às vésperas de um confronto direto que pode mexer nas posições de meio de tabela.
Nesse contexto, o gol se torna vitrine para a base gremista. O jovem Thiago Beltrame, de 21 anos, treinado desde o início da temporada com os profissionais, assume o lugar de Weverton e ganha a chance mais importante da carreira. O clube trata a estreia como etapa planejada, mas a responsabilidade cresce quando o primeiro jogo como titular acontece em um sábado à tarde de Brasileirão, diante de mais de 40 mil torcedores esperados na Arena.
À frente dele, a linha defensiva muda quase por completo. Marcos Rocha, lateral experiente com passagens por grandes centros e títulos nacionais, entra para dar lastro a um sistema em reconstrução. Wagner Leonardo compõe a zaga, ao lado de Viery, enquanto Pedro Gabriel mantém a vaga na esquerda, tentando dar alguma continuidade a um setor desmontado pelas baixas de última hora.
Meio-campo em disputa e efeito na tabela
As outras duas alterações miram o coração do time. Arthur e Gabriel Mec, reservas no empate internacional desta semana, deixam boa impressão e se credenciam a começar a partida contra o Corinthians. No treino, eles alternam posições com Noriega e Braithwaite, em um ensaio que deixa aberta a dúvida até a divulgação oficial da escalação.
A formação mais repetida por Luís Castro traz Thiago Beltrame; Marcos Rocha, Wagner Leonardo, Viery e Pedro Gabriel; Leonel Pérez, Arthur ou Noriega e Gabriel Mec ou Braithwaite; Tetê, Amuzu e Carlos Vinícius. O plano é reforçar a capacidade de retenção de bola no meio e acelerar a transição ofensiva pelos lados, explorando a velocidade de Tetê e Amuzu.
No vestiário, o discurso é de adaptação rápida. Arthur, um dos nomes mais comentados na janela, vive negociação para definir o futuro, mas o estafe trabalha com a permanência em Porto Alegre. “Espero que sim”, diz o empresário, ao ser questionado sobre a continuidade no clube. A resposta, curta, indica confiança, mas também revela que o meio-campista entra em campo sob avaliação permanente, técnica e financeira.
A partida de sábado encerra, para o Grêmio, uma sequência de três jogos em sete dias. O time chega ao duelo com a pressão de pontuar para não se afastar do bloco que mira a parte de cima da tabela. Cada ponto pesa em um Brasileirão de 38 rodadas, e a 18ª jornada tende a reposicionar quem ainda oscila entre a zona intermediária e a briga por vaga em competições continentais em 2025.
No lado corintiano, o adversário tenta aproveitar o momento de transição gremista, especialmente na defesa. A Arena, porém, tradicionalmente impõe ambiente hostil para quem visita Porto Alegre. Desde a inauguração, em 2012, o estádio se consolida como trunfo esportivo e econômico, com média que supera 25 mil torcedores em partidas de maior apelo, cenário que o clube espera repetir neste fim de semana.
Pressão sobre os novatos e próximos passos
A escolha por uma defesa praticamente nova traz riscos imediatos e possíveis ganhos de médio prazo. Para Thiago Beltrame, a oportunidade vale como exame final depois de anos na base e treinos com o grupo principal. Para Wagner Leonardo e Marcos Rocha, veterano de decisões nacionais, o jogo serve como teste de entrosamento e leitura rápida de um Corinthians que gosta de explorar bolas aéreas e contragolpes.
A torcida gremista observa com curiosidade e desconfiança. A prata da casa no gol desperta identificação, mas a lembrança de campanhas recentes irregulares aumenta a cobrança sobre qualquer falha, sobretudo em jogos televisivos no horário nobre do sábado. Um erro individual pode custar posições na tabela; uma boa atuação pode consolidar novos titulares e reduzir a urgência por reforços na janela de agosto.
Luís Castro tenta equilibrar urgência e planejamento. As mudanças obrigatórias revelam a fragilidade de um elenco que perde referências para a Seleção e para o departamento médico, mas também abrem espaço para testes que, em outro cenário, talvez ficassem adiados. A forma como o time reage a esse sábado de pressão ajuda a definir a estratégia para o segundo turno, seja na manutenção da espinha dorsal, seja na busca de reposições específicas.
O duelo com o Corinthians fecha uma semana de ajustes finos no CT Presidente Luiz Carvalho e inicia, na prática, a contagem regressiva para o fim do primeiro turno, previsto para meados de agosto. O clube sabe que não há muito espaço para tropeços em casa se quiser voltar a disputar as primeiras colocações da Série A ainda em 2024.
Resta saber se a defesa remontada e o meio-campo em disputa conseguem, em 90 minutos, dar uma resposta que vá além do resultado imediato e ofereça a Luís Castro um esboço confiável de Grêmio para o restante da temporada.
