Coritiba vira sobre o Bahia, quebra jejum e se aproxima da Libertadores
O Coritiba vence o Bahia por 3 a 2, de virada, na noite desta segunda-feira (25), no Couto Pereira, pela 17ª rodada do Brasileirão. O resultado encerra um jejum de mais de 11 anos sem triunfos sobre os baianos e deixa o clube colado na zona de classificação para a Copa Libertadores.
Noite de festa vira pressão e reação no Couto Pereira
A segunda-feira começa em clima de celebração no Alto da Glória. Estreia de uniforme, show pirotécnico, casa cheia com 20.680 torcedores e a presença do astro da NBA Gui Santos transformam o Couto em palco de espetáculo. O roteiro, porém, desanda ainda no primeiro tempo.
O Bahia aproveita melhor os espaços e esfria o ambiente. Erick Pulga aparece com liberdade em jogada rápida pela esquerda e abre o placar aos 26 minutos, após desvio de Tiago Coser contra a própria meta. O gol expõe a dificuldade do Coritiba em marcar a saída de bola baiana e acende o sinal de alerta nas arquibancadas.
O time de Fernando Seabra se mostra travado. Falta intensidade na pressão, a equipe erra passes curtos e oferece contra-ataques. A festa da estreia de uniforme perde o brilho, e o Bahia leva a vantagem mínima para o intervalo com sensação de controle da partida.
O vestiário muda o jogo. O Coritiba volta com postura mais agressiva, adianta as linhas e passa a encurralar o adversário. A torcida percebe a mudança e empurra a equipe a cada dividida, em clima que remete a decisões recentes no estádio.
O empate sai aos 10 minutos do segundo tempo. Josué recebe pela direita, levanta a cabeça e cruza na medida. Bruno Melo surge como centroavante, se antecipa à zaga e completa para o gol. O estádio explode, e o gol vira combustível para uma virada construída em poucos minutos.
Nove minutos depois, Joaquin Lavega assume o protagonismo. O uruguaio se infiltra entre os zagueiros, aparece livre na área e finaliza firme para virar o placar: 2 a 1. A pressão que pesava sobre o Coritiba troca de lado. O Bahia se vê encurralado e não encontra saída.
Aos 22, a dupla repete a parceria. Lavega desarma no meio, conduz em velocidade e aciona Breno Lopes na entrada da área. O atacante domina com calma, escolhe o canto e amplia: 3 a 1. Em pouco mais de 10 minutos, o Coritiba transforma a noite tensa em afirmação diante da própria torcida.
O Bahia ainda desconta nos acréscimos, com Everaldo, após cruzamento pela direita. O 3 a 2 final, porém, não muda o sentimento no Couto Pereira: o Coritiba mostra capacidade de reação, controla o resultado até o apito final de Anderson Daronco e leva para a pausa do calendário a sensação de crescimento.
Tabus derrubados e salto na tabela esquentam disputa pela vaga
A vitória desta segunda-feira tem peso maior que os três pontos. O Coritiba coloca fim a um jejum de mais de 11 anos sem vencer o Bahia. O último triunfo havia acontecido em dezembro de 2014, também no Couto Pereira, em outra virada por 3 a 2, com gols de Zé Love, Dudu e Keirrison. Desde então, o confronto se transforma em pedra no sapato alviverde.
O resultado se encaixa em uma temporada marcada por quedas de tabus. Em casa, o Coritiba já havia derrotado o Atlético-MG por 2 a 0, voltando a vencer o clube mineiro no Couto após nove anos. Fora de casa, quebrou uma escrita de 22 anos sem vitória sobre o Cruzeiro no Mineirão e venceu o Corinthians pela primeira vez na Neo Química Arena, encerrando uma série de duas décadas sem triunfos como visitante diante dos paulistas.
A campanha também ganha consistência em números. Com os 3 a 2 sobre o Bahia, o Coritiba chega aos 26 pontos e assume a sexta colocação do Brasileirão, dentro da zona de classificação para a pré-Libertadores. A pontuação é a mesma do Bragantino, quinto colocado, e apenas um ponto abaixo do Athletico, que ocupa o quarto lugar. A disputa por vaga continental entra em um bloco apertado, em que qualquer tropeço altera posições.
O Bahia sente o golpe. A equipe estaciona nos 23 pontos, cai para a sétima posição e vê a aproximação de rivais diretos na briga por G-6. O time de Rogério Ceni (ou o treinador da vez, conforme o contexto da temporada) mostra volume ofensivo em parte do jogo, mas sofre com a instabilidade defensiva no segundo tempo e volta para casa com a sensação de oportunidade desperdiçada.
O recado do placar no Couto Pereira vai além da rivalidade recente. O Coritiba demonstra que aprende a lidar com cenários adversos, algo que não aparece com frequência em campanhas que flertam com a parte de baixo da tabela. Ao virar o jogo em 12 minutos, a equipe transforma um enredo de frustração em argumento de confiança para a sequência do campeonato.
Pausa para a Copa do Mundo chega com moral em alta no Alto da Glória
A tabela oferece agora um novo tipo de desafio. Antes da parada do Brasileirão para a Copa do Mundo, o Coritiba encara o Flamengo, no sábado (30), às 16h, no Maracanã. O duelo no Rio de Janeiro coloca frente a frente um time em ascensão, embalado por duas vitórias seguidas, e um dos elencos mais caros do país. A atuação diante do Bahia vira referência interna de postura e competitividade para encarar o rubro-negro em ambiente hostil.
O elenco alviverde entra na última semana pré-pausa com margem maior para trabalhar ajustes táticos e físicos. A virada tranquiliza o ambiente, fortalece o trabalho de Fernando Seabra e reduz a pressão por resultado imediato. Cada ponto até a interrupção do calendário pode se tornar decisivo em um segundo turno mais congestionado, com datas comprimidas após a Copa.
O Bahia também volta a campo no sábado, às 17h30, contra o Botafogo, na Fonte Nova. A derrota em Curitiba expõe a necessidade de correções rápidas na recomposição defensiva e na gestão de vantagem no placar. O desempenho ofensivo, com Erick Pulga e Everaldo decisivos, garante algum respaldo, mas o time sabe que não pode repetir a queda de intensidade mostrada no segundo tempo no Couto.
A pausa que se aproxima funciona como divisor de águas para ambos. O Coritiba tenta consolidar a imagem de candidato real à Libertadores, sustentado por vitórias em jogos grandes e pelo fim de tabus incômodos. O Bahia busca evitar que uma sequência negativa o empurre para o bloco intermediário da tabela. A virada desta segunda-feira, diante de quase 21 mil pessoas e renda de R$ 647.328, coloca o Couto Pereira novamente no centro das decisões e deixa uma pergunta em aberto: o embalo alviverde sobrevive à pausa do calendário ou a retomada redesenha a corrida por vaga na elite continental?
