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PF faz buscas em Macapá em apuração de verba pública para ataques políticos

A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão, nesta terça-feira (26), em Macapá, em investigação sobre uso indevido de verba pública na gestão do ex-prefeito Dr. Furlan. O inquérito apura se a estrutura oficial de comunicação da prefeitura financiou ataques políticos e conteúdos manipulados para influenciar a opinião pública.

Operação mira verba de publicidade da prefeitura

Os mandados atingem endereços ligados a ex-integrantes da administração municipal e a prestadores de serviço de comunicação. A PF busca documentos, computadores e registros de pagamentos que possam comprovar o desvio da verba de publicidade institucional para ações de interesse político do então prefeito. As ordens judiciais são cumpridas desde as primeiras horas da manhã, sob supervisão do Ministério Público e da Justiça Federal.

Investigadores trabalham com a hipótese de que contratos de comunicação, assinados ao longo do mandato de Dr. Furlan, tenham sido usados para custear páginas, perfis e portais voltados a atacar adversários e fabricar narrativas favoráveis ao governo municipal. A suspeita é de que parte dos recursos destinados a campanhas oficiais de informação à população, como ações de saúde ou educação, tenha migrado para estruturas paralelas de propaganda e difamação.

Suspeita de aparato digital financiado com dinheiro público

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem sob reserva, a linha de apuração cruza notas fiscais, contratos e extratos bancários com a atividade de grupos organizados em redes sociais. A PF tenta medir o tamanho do suposto esquema, verificar há quanto tempo ele funciona e qual o volume de recursos envolvidos. Em cidades do porte de Macapá, contratos de publicidade e propaganda podem ultrapassar a casa de milhões de reais por ano, concentrando poder de influência e capacidade de direcionar o debate público.

Relatos iniciais indicam que conteúdos patrocinados com verba da prefeitura teriam sido usados tanto em períodos eleitorais quanto fora deles, o que ampliaria o alcance das irregularidades. Se confirmada a prática, os investigados podem responder por crimes como improbidade administrativa, peculato e uso indevido de bens e serviços públicos para fins eleitorais. “O objetivo é identificar se houve desvio de finalidade da comunicação institucional, que deve servir ao interesse público, e não a projetos pessoais ou de grupo”, afirma, em nota, uma fonte ligada à investigação.

Pressão por transparência na política local

A operação coloca sob holofotes a fragilidade dos mecanismos de controle sobre contratos de comunicação em prefeituras. Em Macapá, a investigação reacende o debate sobre a transparência no uso de verbas de publicidade e sobre a capacidade de órgãos de controle locais em acompanhar esses gastos em tempo real. Os desdobramentos podem impactar diretamente a imagem de Dr. Furlan, que deixa a prefeitura como figura influente no cenário político do Amapá e potencial articulador em disputas futuras.

Em caso de denúncia formal, o ex-prefeito e ex-colaboradores podem enfrentar ações criminais e processos por danos ao erário, com pedidos de ressarcimento integral dos valores e suspensão de direitos políticos por até oito anos, conforme prevê a legislação de improbidade. A repercussão tende a atravessar a burocracia jurídica e chegar às ruas. Líderes de movimentos por transparência no estado defendem regras mais rígidas para a contratação de publicidade, divulgação detalhada, em tempo real, de cada campanha e critérios claros para separar informação de interesse público de propaganda política.

Impacto sobre eleições e reformas na prefeitura

A investigação abre uma frente sensível em ano de articulações para as eleições municipais de 2028. Adversários de Furlan já calculam o efeito da operação sobre o capital político do ex-prefeito e de seus aliados. Em um cenário de descrença com a classe política, casos relacionados a dinheiro público e manipulação de informação costumam pesar no humor do eleitorado. “Quando a comunicação oficial vira arma política, a população paga duas vezes: com impostos e com informação contaminada”, resume um pesquisador de políticas públicas ouvido pela reportagem.

No plano institucional, o caso tende a acelerar propostas de reforma na estrutura de comunicação da prefeitura de Macapá, com maior controle interno, auditorias periódicas e participação do Tribunal de Contas em fases decisivas dos contratos. Organizações da sociedade civil cobram ainda a criação de conselhos locais de transparência e a publicação, em linguagem simples, de todos os gastos com publicidade, inclusive os realizados em redes sociais, impulsionamentos e contratos com influenciadores. A investigação da PF avança sem prazo divulgado para conclusão, mas já coloca uma pergunta no centro do debate: quem vigia o uso político da comunicação paga com dinheiro de todos?

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