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Russell faz pole no Canadá e lidera dobradinha da Mercedes

George Russell conquista neste sábado (23) a pole-position do GP do Canadá de 2026, em Montreal, ao superar o novato Kimi Antonelli nos segundos finais do Q3. A Mercedes confirma a boa fase com uma dobradinha na primeira fila, enquanto McLaren, Red Bull e Ferrari se alinham logo atrás em um grid apertado, com apenas 0s329 separando o pole de Max Verstappen em sexto.

Mercedes domina, McLaren reage e Ferrari sofre

O treino classificatório no circuito Gilles Villeneuve expõe um cenário de equilíbrio raro na Fórmula 1 recente. Russell marca 1min12s578 na última volta rápida e derruba Antonelli, que vinha na frente com 1min12s646, por apenas 0s068. O resultado devolve à Mercedes um controle de sessão que parecia escapar rodada a rodada, e coloca o novato italiano em sua melhor posição de largada na categoria.

Lando Norris confirma a fase competitiva da McLaren e garante o terceiro lugar com 1min12s729, seguido de perto pelo companheiro Oscar Piastri, quarto com 1min12s781. As duas McLaren ocupam a segunda fila e se colocam como ameaça direta à estratégia da Mercedes para a corrida de domingo. Em um traçado de 4,361 km em que a diferença de desempenho aparece em milésimos, largar na zona limpa faz diferença concreta de posicionamento na primeira chicane.

Lewis Hamilton vive uma sessão mais turbulenta com a Ferrari. O sete vezes campeão arrisca demais na última tentativa, erra o ponto de frenagem e aborta o que poderia ser uma volta para a primeira fila. Termina em quinto, com 1min12s868, a 0s290 de Russell, e deixa no ar um sentimento de frustração dentro da equipe italiana, que já vinha sob pressão após resultados irregulares nas últimas etapas.

Max Verstappen, atual referência da categoria, sente o peso do novo equilíbrio entre as equipes. O holandês leva a Red Bull ao sexto lugar, com 1min12s907, enquanto o companheiro Isack Hadjar confirma um sábado sólido e larga logo atrás, em sétimo, com 1min12s935. A equipe austríaca não sobra em ritmo de volta rápida e entra no domingo cercada por rivais, um cenário bem diferente do domínio amplo de 2022 e 2023.

A Ferrari volta a enfrentar um velho fantasma. Charles Leclerc reclama muito do comportamento do carro durante todo o fim de semana, especialmente da traseira instável nas frenagens fortes. O monegasco não encontra aderência suficiente nos pneus macios e fecha apenas em oitavo, com 1min12s976, a 0s398 de Russell. O resultado reforça a sensação de que a equipe ainda não traduz o potencial do conjunto em volta lançada e perde terreno no campeonato de construtores.

Grid compacto, surpresa de Bortoleto e pressão crescente

A formação do grid em Montreal mostra um pelotão intermediário mais próximo da ponta. Arvid Lindblad, da Racing Bulls, coloca o carro derivado da Red Bull oficial em nono com 1min13s280, enquanto o argentino Franco Colapinto leva a Alpine ao décimo lugar com 1min13s697, já mais de 1s atrás da pole. Nico Hülkenberg, com a Audi, abre o grupo dos eliminados no Q2 em 11º, com 1min13s886, seguido de Liam Lawson em 12º, com 1min13s897, e de Gabriel Bortoleto em 13º, com 1min14s071.

Bortoleto vive uma classificação de altos e baixos. O brasileiro escapa da eliminação no fim do Q1 e avança ao Q2 com uma volta sob forte pressão, depois de flertar com a zona de corte. Na segunda parte do treino, chega a aparecer entre os primeiros nos minutos iniciais, enquanto as equipes ainda aquecem pneus e ajustam freios, mas não sustenta a posição quando os rivais colocam tudo na pista. Fecha em 13º, a 1s493 de Russell, mas ganha espaço na conversa do paddock como um dos novatos mais consistentes de 2026.

Pierre Gasly, também de Alpine, sai em 14º, com 1min14s187, logo à frente de Carlos Sainz, 15º com a Williams, em 1min14s273. Oliver Bearman, da Haas, larga em 16º, após marcar 1min14s416. Esteban Ocon, companheiro de Bearman, não passa do 17º tempo, com 1min14s845, em um sábado que expõe as limitações do chassi com motor Ferrari em ritmo de uma volta.

A parte final do grid traz mais sinais de desconforto. Alexander Albon coloca a outra Williams em 18º, com 1min14s851, enquanto Fernando Alonso fica apenas em 19º, com 1min15s196, em um fim de semana difícil para a Aston Martin com motor Honda. Sergio Pérez, agora na Cadillac equipada com Ferrari, marca 1min15s429 e larga em 20º, seguido por Lance Stroll, 21º com 1min16s195, e por Valtteri Bottas, 22º com 1min16s272. A diferença de 3s694 entre o pole e o último colocado reforça o abismo entre o bloco da frente e as equipes que ainda buscam um acerto mínimo.

Corrida promete múltiplos protagonistas em Montreal

O resultado da classificação redesenha o tabuleiro do GP do Canadá. A Mercedes entra na corrida em posição de controle, com Russell e Antonelli protegendo a linha interna da primeira curva. A McLaren aparece como principal ameaça direta, com Norris e Piastri prontos para pressionar em ritmo de corrida, especialmente em stints mais longos com pneus médios, que costumam nivelar as diferenças de potência entre motores.

A Red Bull precisa reagir em estratégia. Com Verstappen em sexto e Hadjar em sétimo, a equipe tende a apostar em undercut, quando o piloto para antes para tentar ganhar posições nos boxes, ou em janelas alternativas de pit stop, aproveitando possíveis entradas do safety car, frequentes nas 70 voltas em Montreal. A Ferrari entra no domingo com a missão dupla de recuperar terreno com Hamilton e tirar Leclerc do meio do pelotão, zona em que toques e danos em asa dianteira são comuns e podem comprometer toda a prova.

Gabriel Bortoleto larga no coração do grid e ganha uma vitrine importante para mostrar ritmo de corrida e capacidade de gestão de pneus. Uma chegada nos pontos, entre os dez primeiros, muda de patamar a conversa sobre seu futuro na Audi e no mercado de pilotos para 2027. O desempenho deste fim de semana se soma a uma sequência de classificações seguras e tende a aumentar o interesse de equipes que buscam renovação.

O domingo em Montreal começa com mais perguntas do que respostas. A pole de Russell e a dobradinha da Mercedes indicam força renovada, mas o equilíbrio de tempos entre Mercedes, McLaren e Red Bull abre espaço para múltiplos protagonistas. A corrida dirá se a equipe alemã assume de vez o papel de favorita em 2026 ou se o Canadá será apenas mais um capítulo em um campeonato decidido nos detalhes.

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