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Rudy Giuliani é internado em estado crítico nos EUA

Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York e ex-advogado de Donald Trump, está internado em estado crítico nos Estados Unidos desde o início de maio de 2026. A causa da hospitalização não é divulgada por familiares nem por representantes oficiais.

Hospitalização em meio a pressão política e jurídica

Giuliani, de 81 anos, permanece no hospital em condição descrita como crítica, porém estável. O comunicado público mais detalhado vem do porta-voz Ted Goodman, que tenta afastar rumores sobre um possível colapso irreversível e reforça uma imagem de resistência. “O prefeito Giuliani é um lutador que enfrentou todos os desafios em sua vida com força inabalável, e está lutando com esse mesmo nível de força neste momento”, afirma em nota divulgada em 3 de maio na rede X.

O texto publicado por Goodman confirma que Giuliani está em estado grave, mas não menciona o motivo da internação. Não há indicação oficial de cirurgia, acidente recente ou doença específica. A ausência de informações alimenta especulações em Washington e em Nova York, onde o ex-prefeito segue como figura polarizadora desde a eleição presidencial de 2020.

A internação ocorre em um momento em que Giuliani encara algumas das batalhas mais difíceis de sua carreira. Ele responde a acusações criminais no Arizona ligadas a um suposto esquema para reverter o resultado das eleições de 2020. Em audiência recente, ele se declara inocente e nega ter participado de qualquer plano criminoso de subversão do processo eleitoral. Promotores da Geórgia, que investigavam um roteiro semelhante, arquivam o caso contra ele e outros aliados de Trump no ano passado, mas o desgaste político e financeiro permanece.

O presidente Donald Trump, que volta a usar a figura de Giuliani como símbolo de sua narrativa eleitoral, se manifesta rapidamente. Na plataforma Truth Social, ele chama o ex-prefeito de “verdadeiro guerreiro e o melhor prefeito da história da cidade de Nova York” e transforma a hospitalização em nova acusação contra adversários. “Que tragédia que ele tenha sido tratado tão mal pelos lunáticos da esquerda radical, todos democratas — E ELE ESTAVA CERTO SOBRE TUDO!”, escreve. Em seguida, repete alegações de fraude em 2020 e acusa opositores de “fazer de tudo para destruir nossa nação”.

Da “prefeito da América” a réu bilionário

O quadro clínico atual expõe também a fragilidade de uma biografia que já ocupou o centro do imaginário político americano. Giuliani ganha projeção mundial como prefeito de Nova York entre 1994 e 2001 e consolida sua imagem após os ataques de 11 de setembro. A atuação nos dias seguintes ao atentado lhe rende o apelido de “prefeito da América” e o coloca entre as vozes mais influentes do Partido Republicano no início dos anos 2000.

Duas décadas depois, o cenário é outro. Desde 2020, ele acumula derrotas judiciais e financeiras. Em dezembro de 2023, um júri federal determina que Giuliani pague US$ 148 milhões em indenização às ex-funcionárias eleitorais da Geórgia Ruby Freeman e Shaye Moss, alvo de acusações falsas sobre fraude eleitoral. A sentença, que o próprio Giuliani considera “absurda”, pressiona suas finanças e o força a enfrentar processos de cobrança e discussões sobre possível insolvência.

Os problemas não se limitam às cortes civis. Em Nova York, ele perde a licença para exercer a advocacia em decorrência de seu papel na disseminação de alegações infundadas sobre a eleição de 2020. A decisão atinge o núcleo de sua identidade profissional, construída ao longo de décadas como promotor federal e advogado de destaque.

Mesmo sob cerco jurídico, Giuliani mantém espaço no entorno de Trump. Em junho do ano passado, o ex-presidente o indica para um conselho consultivo ligado ao Departamento de Segurança Interna, num aceno político a apoiadores que veem o ex-prefeito como mártir da disputa eleitoral. A nomeação provoca críticas de setores democratas, que apontam conflito entre o histórico de acusações e a função de aconselhar uma área sensível do governo.

A saúde do ex-prefeito se torna motivo recorrente de atenção. Em agosto de 2025, ele é hospitalizado após um acidente de carro em New Hampshire. De acordo com a polícia estadual, três pessoas, incluindo Giuliani, são levadas de ambulância com ferimentos sem risco de morte. Cinco anos antes, em 2020, ele passa quatro dias internado em tratamento para covid-19, num período em que o vírus ainda provoca milhares de mortes diárias nos Estados Unidos.

Impacto na disputa política e incerteza sobre o futuro

A nova internação reforça a sensação de que o tempo político de Giuliani se choca agora com limites físicos mais evidentes. Advogados, aliados e críticos avaliam nos bastidores como um eventual agravamento de seu estado pode afetar processos em curso, especialmente no Arizona. Audiências, depoimentos e prazos podem ser adiados caso médicos atestem incapacidade temporária de participação, o que altera estratégias tanto da defesa quanto da acusação.

Trump tenta capitalizar o momento ao reforçar o discurso de perseguição contra aliados que contestam o resultado de 2020. A mensagem pública sobre Giuliani busca mobilizar eleitores fiéis, que veem no ex-prefeito um personagem central na versão trumpista da história recente dos Estados Unidos. A reação, porém, reabre também o debate sobre responsabilidade de líderes políticos na propagação de teorias falsas de fraude eleitoral e na corrosão de confiança em instituições.

Setores do Partido Republicano acompanham com cautela. Parte da sigla considera que a associação constante a figuras envolvidas em processos criminais dificulta a reconquista de eleitores moderados nas eleições de 2026 e 2028. Outro grupo, mais alinhado a Trump, enxerga em Giuliani um exemplo de lealdade a ser exaltado em comícios e campanhas na internet.

A família de Giuliani mantém silêncio sobre detalhes médicos e não indica previsão de boletins atualizados. Médicos ou hospitais não se pronunciam publicamente, o que deixa a opinião pública dependente de declarações políticas. Esse vazio de informação técnica alimenta versões conflitantes nas redes sociais e pressiona o círculo próximo do ex-prefeito a calibrar cada palavra.

O que está em jogo nos próximos dias

Aliados esperam que, superada a fase crítica, Giuliani possa retomar alguma rotina e se preparar para novas etapas dos processos judiciais que enfrenta. Advogados avaliam cenários que vão de acordos parciais a longas disputas em instâncias superiores, caso ele permaneça apto a participar ativamente de sua própria defesa. A idade avançada e o acúmulo de problemas de saúde, porém, aumentam a incerteza.

Nos bastidores republicanos, estrategistas discutem se a figura de Giuliani seguirá como ativo político ou se tende a se transformar em símbolo de um ciclo que se aproxima do fim. A resposta depende tanto da evolução clínica quanto da capacidade de Trump e de seus aliados de manter o ex-prefeito no centro de sua narrativa. Enquanto isso, a pergunta que paira sobre Washington, Nova York e os tribunais estaduais é direta: até que ponto a saúde de Rudy Giuliani permitirá que ele continue a ser protagonista de uma história que ainda está em disputa?

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