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Maré alta alaga vias do Sul da Ilha e trava trânsito em Florianópolis

A maré alta alaga ruas da região Sul de Florianópolis e provoca longos congestionamentos na tarde deste domingo (3). A Defesa Civil mantém alerta para ressaca e mar agitado até segunda-feira (4).

Cidade sente efeito imediato da maré e do vento

O fim de tarde em Florianópolis começa com motoristas parados, faróis refletidos na água e pressa contida no trânsito. Na Avenida da Saudade, um dos principais acessos à região continental, o asfalto some sob uma lâmina marrom e espessa. Na SC-401 Sul, na saída da Ponte Pedro Ivo em direção à Ilha e na Avenida Gustavo Richard, o cenário se repete: pistas alagadas, filas extensas e buzinas impacientes.

Os pontos ficam praticamente intrafegáveis por volta das 18h. O acúmulo de água toma faixas inteiras e obriga carros, motos e ônibus a avançar em baixa velocidade, muitas vezes pela contramão, na tentativa de escapar dos trechos mais fundos. Em alguns acessos, veículos menores desistirem e retornam, com medo de danificar o motor. O reflexo é imediato em todo o sistema viário do Sul da Ilha, que entra em colapso parcial em plena volta para casa do domingo.

Defesa Civil já monitora desde sábado

A Defesa Civil estadual informa que o quadro não é surpresa. O órgão emite alerta ainda no sábado (2), prevendo alagamentos costeiros em Florianópolis e em municípios do Norte de Santa Catarina. A combinação de maré astronômica, ligada à fase da lua, com ventos persistentes do quadrante sul fortalece a ação do mar sobre a costa. A passagem de uma frente fria intensifica o cenário.

Em nota técnica, a Defesa Civil descreve um fim de semana sob influência de chuva intensa em curto período, descargas elétricas e rajadas fortes de vento em várias regiões do Estado. O órgão classifica o risco para ocorrências associadas à agitação marítima e à ressaca como moderado a alto, principalmente entre a manhã de domingo (3) e a segunda-feira (4). “Estamos monitorando marés e ventos desde o início da frente fria. A orientação é evitar áreas alagadas e redobrar a atenção no trânsito”, afirma a Defesa Civil.

O fenômeno que atinge Florianópolis neste início de maio se encaixa em um padrão já conhecido pelos moradores de áreas costeiras da capital. Em episódios anteriores, como em 2023 e 2024, marés de sizígia — quando sol, lua e terra se alinham — já provocam avanço do mar sobre ruas, calçadas e ciclovias da orla. A diferença, agora, está na coincidência com um fim de semana de chuva pesada e rajadas de vento mais fortes, o que agrava o impacto sobre a mobilidade urbana.

Trânsito travado, rotina interrompida

O resultado aparece na prática para quem depende do carro ou do ônibus. Linha que cruza a região Sul da Ilha leva quase o dobro do tempo habitual para completar o trajeto, segundo relatos de passageiros. Motoristas contam que trechos que costumam ser percorridos em 10 a 15 minutos exigem mais de 40 minutos neste domingo, sobretudo na saída da Ponte Pedro Ivo em direção à Ilha, onde o encontro da maré com a drenagem deficiente cria um gargalo permanente.

Com o mar avançando sobre a pista, qualquer irregularidade no asfalto se converte em poça funda. A orientação de técnicos é clara: não atravessar trechos alagados sem saber a profundidade. O risco vai de pane elétrica a perda total do veículo. Para pedestres e motociclistas, o perigo é ainda maior, com possibilidade de queda, arrastamento e contato com água misturada a esgoto e resíduos. A Defesa Civil insiste que, em situações assim, a prioridade deve ser a segurança, não a pressa para chegar em casa.

As condições do mar também afetam a rotina de quem trabalha diretamente com a água. Pescadores artesanais reduzem a saída de embarcações menores, e atividades ligadas ao turismo náutico tendem a ser suspensas ou encurtadas até que o vento sul perca força. Em alguns pontos da orla, bares e restaurantes precisam improvisar barreiras com tábuas e sacos de areia para conter a água que avança até as fachadas.

Fim de semana de risco e próximos dias em alerta

O quadro de instabilidade se prolonga ao longo do domingo (3). A previsão indica mar agitado até a segunda-feira (4), com ondas mais altas e possibilidade de ressaca em trechos expostos da costa catarinense. Embora o vento sul perca intensidade durante a noite, a Defesa Civil mantém o alerta para novas ocorrências em áreas vulneráveis a alagamentos e erosão costeira. A recomendação é que moradores acompanhem as atualizações oficiais e evitem circulação desnecessária em horários de maré cheia.

Os episódios deste fim de semana reacendem o debate sobre a preparação de Florianópolis para lidar com extremos climáticos, que se tornam mais frequentes nos últimos anos. Especialistas em clima apontam que a combinação de marés mais intensas, ocupação desordenada da orla e infraestrutura de drenagem limitada tende a ampliar os impactos de cada novo evento. Enquanto motoristas ainda enfrentam os reflexos do alagamento nas principais vias de acesso ao Sul da Ilha, a pergunta que fica é se a cidade vai conseguir antecipar soluções antes da próxima maré alta.

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