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Trump põe em dúvida acordo com Irã após nova proposta via Paquistão

Donald Trump volta a questionar, em 2 de maio de 2026, a possibilidade de um acordo com o Irã, mesmo após nova proposta enviada a mediadores no Paquistão. O presidente americano afirma ver “tremenda discórdia” em Teerã e diz não estar convencido de que as negociações avancem para um entendimento duradouro.

Pressão política e impasse diplomático

O presidente faz as declarações em conversa com jornalistas, na Casa Branca, em um momento em que Washington tenta manter viva uma negociação de alto risco com Teerã. A nova proposta iraniana chega aos Estados Unidos por meio de mediadores paquistaneses, mas Trump demonstra irritação com os termos e com o ritmo do diálogo.

Ele evita detalhar o conteúdo do plano, mas deixa claro o ceticismo. “Eles fizeram progressos, mas não tenho certeza se algum dia chegarão lá”, afirma, ao ser questionado sobre a chance de um acordo. O comentário atinge diretamente a liderança iraniana, que há semanas alterna sinais de conciliação e recados duros à Casa Branca.

Trump insiste que o Irã concorda com “a maior parte” de um plano americano de 15 pontos, apresentado no início do ano como base de entendimento. Ainda assim, o presidente acusa Teerã de manter exigências que considera inaceitáveis. Esse contraste alimenta a percepção de que, mesmo quando há avanços pontuais, a distância política permanece grande.

Do lado iraniano, autoridades classificam as propostas dos Estados Unidos como “fora da realidade e injustificáveis”. Teerã não divulga o texto completo do plano, mas deixa vazar trechos em que critica exigências ligadas ao programa nuclear e à presença militar na região. O resultado é um jogo de versões em que cada lado tenta mostrar disposição para negociar, enquanto responsabiliza o outro pelo impasse.

Tensões regionais e impacto econômico

As palavras de Trump repercutem além de Washington e Teerã. O ceticismo do presidente afeta a leitura de investidores sobre o Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações mundiais de petróleo. Qualquer sinal de ruptura nas tratativas costuma refletir em alta nos preços do barril e em maior volatilidade nos mercados de energia.

A interlocução do Paquistão acrescenta uma camada de complexidade. Islamabad tenta se posicionar como ponte entre as duas potências desde o agravamento da crise, em 2025, quando uma sequência de incidentes navais no Golfo Pérsico eleva o risco de confronto direto. Ao aceitar mediar novas propostas em 2026, o governo paquistanês aposta no papel de articulador regional, mas ainda esbarra na desconfiança mútua entre americanos e iranianos.

Trump afirma que a principal barreira, neste momento, está dentro do próprio Irã. “Há tremenda discórdia entre os líderes iranianos”, diz, sugerindo que facções rivais em Teerã bloqueiam concessões mais amplas. O diagnóstico reforça a ideia, entre aliados dos Estados Unidos, de que o regime iraniano enfrenta uma disputa interna sobre até onde pode ceder sem parecer fraco diante da opinião pública doméstica.

O clima de indefinição também pesa sobre países que dependem diretamente da estabilidade no Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. Em 2025, um aumento de 15% no preço médio do petróleo em poucos meses força governos a rever subsídios e políticas fiscais. Com negociações ainda frágeis em 2026, capitais europeias e asiáticas acompanham com atenção cada frase de Trump e de líderes iranianos, em busca de sinais sobre o rumo das conversas.

Negociações em risco e próximos movimentos

A desconfiança pública de Trump coloca pressão adicional sobre diplomatas americanos, que tentam manter as portas abertas para um acordo gradual. A Casa Branca sinaliza que aceita avançar em etapas, desde que Teerã ofereça garantias verificáveis em relação ao programa nuclear e à atuação de grupos aliados em conflitos regionais. O governo iraniano, por sua vez, exige alívio mais rápido nas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e por parceiros ocidentais.

O histórico recente pesa contra um desfecho rápido. Após a saída americana de acordos anteriores, o Irã amplia atividades sensíveis e fortalece laços com Rússia e China, o que reduz o espaço para concessões unilaterais. A nova rodada de propostas, mediada pelo Paquistão, surge como tentativa de destravar esse quadro, mas as falas de Trump expõem o quanto a confiança segue abalada.

Consultores próximos ao presidente defendem que o republicano mantenha o tom duro em público, enquanto preserva, em canais fechados, alguma margem para ajustes no plano de 15 pontos. A estratégia busca pressionar Teerã e, ao mesmo tempo, mostrar a aliados no Oriente Médio que Washington não está disposto a recuar sem contrapartidas concretas. A equação é delicada, porque qualquer gesto percebido como fraqueza pode ter custo político interno para Trump em um ano em que a política externa volta ao centro do debate americano.

As próximas semanas devem mostrar se a nova proposta intermediada pelo Paquistão ganha fôlego ou se se torna apenas mais um capítulo em uma sequência de negociações frustradas. Em público, Trump diz que o Irã “fez progressos”, mas repete que não está certo de que “algum dia chegarão lá”. Entre diplomatas e analistas, a dúvida agora é se essa descrença funciona como instrumento de pressão ou se acaba por afastar, de forma definitiva, a chance de um acordo capaz de reduzir a tensão no Oriente Médio e trazer alguma previsibilidade aos mercados globais.

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