Palmeiras visita Cerro Porteño em duelo chave pela liderança do Grupo F
O Palmeiras enfrenta o Cerro Porteño nesta quarta-feira (29), às 21h30 (de Brasília), em Assunção, pela terceira rodada da fase de grupos da Libertadores. O líder do Grupo F tenta consolidar a ponta, enquanto os paraguaios apostam em velhos conhecidos do futebol brasileiro para embolar a disputa.
Cerro recorre a nomes conhecidos para segurar o favorito
O estádio La Nueva Olla, casa do Cerro Porteño, recebe um duelo que pode redesenhar a classificação da chave. O Palmeiras soma 4 pontos em dois jogos e abre a rodada na liderança. O time paraguaio aparece logo atrás, com 3 pontos, mesma pontuação do Sporting Cristal, e enxerga a partida como chance de virar o jogo no grupo.
O clima em Assunção mistura respeito e expectativa. O Cerro sabe que encara um dos elencos mais fortes do continente, mas tenta equilibrar a balança com experiência. O clube montou uma espinha dorsal formada por jogadores rodados no futebol brasileiro, acostumados a partidas de pressão e viagens pelo continente.
O ataque tem Pablo Vegetti, 37, velho conhecido da torcida vascaína. O argentino deixou o Vasco ao fim da última temporada com números expressivos: 141 jogos, 60 gols e 6 assistências. No Cerro, a realidade ainda não acompanha a lembrança. Em 18 partidas em 2026, Vegetti marca apenas 2 gols e distribui 2 assistências, mas segue como titular absoluto e referência de área.
No meio-campo, a condução passa por Piris da Motta, 31, volante paraguaio que defende o clube há cinco temporadas. Ele vive fase estável, com 13 jogos e 2 assistências no ano, e simboliza a tentativa de dar consistência ao time. Internamente, a avaliação é de que a experiência acumulada no Flamengo entre 2018 e 2021 ajuda a entender o estilo de jogo dos clubes brasileiros.
Pelas pontas, Juan Iturbe, 32, tenta reencontrar o protagonismo de tempos de Roma, Porto e River Plate. A passagem relâmpago pelo Grêmio, em 2023, com apenas seis jogos e nenhuma participação em gol, contrasta com o momento no Cerro. Em 2026, ele soma 9 partidas, 3 gols e 1 assistência, quase sempre como titular, e surge como uma das válvulas de escape do time de Ariel Holan.
O técnico argentino ainda conta com o uruguaio Rodrigo Bentancur, 27, que passou pelo Sport em 2024 e 2025 antes de ser contratado em definitivo. Em 14 jogos na temporada, ele marca 1 gol e dá 1 assistência, mas o papel vai além dos números. Bentancur oferece chegada ao ataque e pode ser uma das novidades na escalação inicial para tentar surpreender o Palmeiras.
No gol, o nome é familiar para a Série A, mas hoje ocupa o banco. Gatito Fernández, 38, ídolo recente do Botafogo, defende o Cerro desde o fim de 2023, mas soma apenas uma partida em 2026. O titular é o argentino Alexis Martin Arias, que assume a responsabilidade de segurar um dos ataques mais regulares do continente.
Grupo F em aberto e pressão dividida em Assunção
A matemática do grupo ajuda a explicar o peso da noite em La Nueva Olla. O Palmeiras lidera com 4 pontos, seguido por Sporting Cristal e Cerro Porteño, ambos com 3. O Junior Barranquilla fecha a tabela com 1 ponto. Uma vitória brasileira amplia a margem na ponta e deixa a classificação encaminhada ainda na primeira metade da fase de grupos.
O roteiro da chave até aqui favorece o time paulista. O Sporting Cristal derrota o Cerro na estreia, mas perde para o Palmeiras na segunda rodada. Já o clube paraguaio reage ao bater o Junior por 1 a 0 em casa, resultado que devolve a equipe à briga. O único tropeço alviverde é justamente o empate com o Junior na Colômbia, por 1 a 1, na primeira rodada.
A torcida do Cerro abraça a partida como uma espécie de final antecipada. O discurso interno é claro: pontuar contra o Palmeiras significa seguir vivo em condições reais de briga pela liderança. Um novo tropeço em casa, porém, devolve o time a uma zona de risco e reforça a leitura de que o grupo tende a ter um favorito isolado.
Para o Palmeiras, o jogo representa mais do que três pontos. A diretoria enxerga a Libertadores como prioridade esportiva e financeira de 2026. Avançar às oitavas em primeiro lugar garante, em tese, cruzamentos menos pesados no mata-mata e amplia a chance de decidir em casa nas fases seguintes. Em números, o clube sabe que cada avanço na competição movimenta premiações milionárias, bilheteria e exposição internacional.
Dentro de campo, o desafio passa por controlar o ritmo e reduzir o impacto do ambiente. A expectativa é de estádio lotado e pressão constante sobre a arbitragem. O histórico recente do time alviverde em estádios hostis, porém, alimenta a confiança. O elenco acumula campanhas consistentes na Libertadores desde 2020 e se acostuma a jogos decisivos longe de casa.
O que está em jogo para Palmeiras, Cerro e para o grupo
Um triunfo palmeirense em Assunção pode transformar o Grupo F em corrida por uma segunda vaga. Se vencer, o time brasileiro chega a 7 pontos e abre distância considerável para os rivais diretos, em especial o próprio Cerro. A partir daí, cada rodada passa a ter peso maior para Sporting Cristal e Junior Barranquilla, que já iniciam a noite em situação mais delicada.
Uma vitória do Cerro, por outro lado, embaralha as contas. O time paraguaio salta para 6 pontos e assume, no mínimo, a vice-liderança. Dependendo do resultado entre Sporting Cristal e Junior, a equipe de Ariel Holan pode até terminar a rodada no topo. Nesse cenário, o Palmeiras voltaria ao Brasil pressionado e com pouco espaço para novos tropeços, sobretudo nos jogos em casa.
O desempenho dos jogadores com passagem recente pelo futebol brasileiro tende a concentrar parte da atenção. Vegetti encara novamente uma defesa nacional depois da saída do Vasco. Piris da Motta mede forças com um meio-campo que conhece bem de outros confrontos. Iturbe e Bentancur tentam usar a familiaridade com o estilo de marcação e arbitragem para encontrar brechas.
Para os torcedores, o jogo também funciona como teste de elenco. A noite em Assunção ajuda a medir se o Palmeiras mantém a capacidade de decidir fora de casa diante de adversários organizados. Para o Cerro, serve como termômetro do investimento em jogadores experientes e de quanto esse pacote é suficiente para enfrentar um candidato ao título continental.
A rodada termina, mas as respostas não se esgotam nesta quarta-feira. A forma como Palmeiras e Cerro saem de campo, mais do que o placar, indica o tom da segunda metade da fase de grupos. A liderança do Grupo F pode mudar de lado em 90 minutos, e o torneio volta a lembrar que, na Libertadores, vantagem nunca é definitiva.
