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Brasil lidera ranking de pizzarias da América Latina em 2026

O Brasil lidera o ranking das melhores pizzarias da América Latina em 2026, divulgado nesta terça-feira (14/4), no Rio de Janeiro. O país emplaca 22 casas entre as 50 selecionadas pelo guia internacional 50 Top Pizza Latin America, consolidando a força da pizza artesanal brasileira no continente.

São Paulo domina o topo e Minas Gerais chega ao mapa

O primeiro lugar permanece com endereço paulistano. A Leggera Pizza Napoletana é eleita a melhor pizzaria da América Latina pelo terceiro ano consecutivo, um desempenho raro em rankings internacionais de gastronomia. A casa mantém a coroa em um ano em que a disputa fica mais acirrada e projeta o país para a etapa mundial, em Nápoles, ainda em 2026.

O pódio também tem presença brasileira. A QT Pizza Bar, de São Paulo, divide a terceira colocação com a colombiana Pizzardi Artigianale, enquanto a chilena Allería ocupa o segundo lugar. A sequência confirma São Paulo como capital latino-americana da pizza artesanal, mas não monopoliza o protagonismo nacional.

Minas Gerais volta a aparecer no mapa das melhores pizzas do continente. O Quintal 333, em Governador Valadares, figura na 25ª posição e integra o ranking pela terceira vez seguida. A permanência entre as melhores indica consistência e reforça a expansão da gastronomia de alto nível para além dos grandes eixos Rio-São Paulo.

A presença de uma casa de Governador Valadares numa lista continental simboliza uma mudança de rota. A pizza que ganha prêmios deixa de ser exclusividade de bairros nobres de grandes capitais e passa a brotar em cidades médias, com forte identidade regional e clientela fiel.

Guia rigoroso e impacto no turismo gastronômico

Criado em 2017, o 50 Top Pizza é hoje um dos principais termômetros da pizza artesanal no mundo. O guia opera com avaliadores anônimos, que visitam as casas sem se identificar, pagam a própria conta e analisam critérios como massa, ingredientes, serviço e experiência global. O modelo busca blindar o ranking de pressões comerciais e aproximá-lo da vivência real do cliente.

As notas não consideram apenas a receita em si, mas todo o ambiente criado em torno da pizza. Pesa a fermentação longa da massa, a origem dos insumos, a atenção ao salão, o tempo de espera, a carta de bebidas e até o cuidado com a sobremesa. O resultado é um retrato de tendência, que mostra como a pizza deixa de ser comida rápida e assume o papel de protagonista da mesa.

O desempenho brasileiro em 2026 confirma essa virada. Das 50 casas listadas, 22 estão no país, o que significa que praticamente uma em cada duas pizzarias de destaque na América Latina é brasileira. A concentração chama a atenção de turistas e reforça a pizza como um novo vetor de viagem, ao lado de praias, festas populares e restaurantes de alta gastronomia.

Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Governador Valadares tendem a sentir o efeito direto da lista. Reservas antecipadas, fila de espera maior nos fins de semana e aumento na visita de turistas estrangeiros são consequências esperadas quando um guia internacional carimba endereços específicos. Para empresários do setor, o selo vira ativo econômico e ajuda a atrair investimento, mão de obra qualificada e fornecedores interessados em associar a marca às casas premiadas.

Os prêmios especiais reforçam essa percepção. A Coltivi, no Rio de Janeiro, leva o troféu de “Melhor lista de sobremesas”, enquanto A Pizza da Mooca, em São Paulo, conquista o título de “Melhor lista de coquetéis”. A QT Pizza, já no pódio geral, emplaca ainda a “Melhor pizza do ano” com a Pomodori, que se torna vitrine de um estilo de pizza autoral, de ingrediente aparente e sabor direto.

Portas abertas para Nápoles e para o interior do país

As 15 primeiras colocadas do ranking latino-americano garantem vaga na disputa mundial do 50 Top Pizza, em Nápoles, na Itália, ainda em 2026. O desempenho brasileiro no topo da lista amplia as chances de o país voltar da Europa com novos reconhecimentos, o que pode redesenhar o mapa global da pizza, tradicionalmente dominado por Itália e Estados Unidos.

O efeito não se limita à elite do ranking. Além das 50 melhores, o guia divulga a seleção “Pizzarias de Excelência”, com 40 endereços recomendados. Desses, 22 são brasileiros, um segundo bloco de protagonismo que confirma a profundidade da cena nacional. Para consumidores, essa rede de casas premiadas oferece mais opções de qualidade espalhadas pelo território; para o mercado, sinaliza um ambiente competitivo em que a régua sobe ano após ano.

Minas Gerais, com o Quintal 333, ganha uma vitrine simbólica dentro desse movimento. Uma casa de Governador Valadares ausente dos roteiros turísticos tradicionais passa a dividir espaço com endereços consagrados de São Paulo, do Rio e de capitais estrangeiras. O reconhecimento incentiva outros negócios regionais a profissionalizar serviço, investir em fermentação natural, melhorar a seleção de queijos e embutidos e transformar a pizza em cartão de visita da cidade.

O avanço da pizza artesanal brasileira levanta uma disputa silenciosa com redes padronizadas e produtos industrializados. A diferença de preço, muitas vezes, ainda protege o consumo em massa das versões congeladas e de baixo custo. O crescimento, porém, indica que há espaço para um público disposto a pagar mais por massa leve, cobertura equilibrada e atendimento atento.

Com o novo ranking, o setor se movimenta em duas frentes. De um lado, as casas já premiadas correm para consolidar o padrão e absorver a demanda extra sem perder qualidade. De outro, pizzarias de bairros e cidades menores tentam entender o que torna uma casa elegível a um guia desse porte. O próximo ciclo de avaliações, até a edição de 2027, deve mostrar se o país mantém o fôlego e se novas regiões, além de São Paulo e Minas Gerais, conseguem entrar na roda de fogo dos fornos mais disputados da América Latina.

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