Bobadilla decide sob chuva e São Paulo estreia com vitória na Sul-Americana
O São Paulo estreia com vitória na Copa Sul-Americana de 2026. Com gol de Damián Bobadilla no segundo tempo, o time vence o Boston River por 1 a 0 nesta terça-feira (7), no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Vitória em noite de vento, chuva e time alternativo
O resultado fora de casa coloca o São Paulo na liderança do Grupo C, empatado com o O’Higgins, que bate mais cedo o Millonarios por 2 a 0. A estreia em Montevidéu acontece sob chuva constante e vento tão forte que bolas alçadas chegam a planar após tiros de meta, mudando a trajetória no meio do caminho.
Roger Machado escolhe poupar parte dos titulares e usa um time alternativo na abertura da campanha continental. Jogadores como Arthur, Luciano e Calleri começam no banco, enquanto nomes em busca de espaço, caso de Bobadilla e Ferreira, assumem o protagonismo no Centenário. A decisão dialoga com o calendário apertado: o São Paulo é vice-líder do Brasileirão, com 20 pontos e cinco atrás do Palmeiras, e volta a campo já no sábado, às 16h30 (de Brasília), contra o Vitória, no Barradão.
O primeiro tempo reflete o peso das condições climáticas. As equipes trocam passes curtos, evitam lançamentos longos e sofrem com o controle da bola em um gramado encharcado. Ainda assim, o time brasileiro encontra brechas. Em transição rápida, Bobadilla acha Ferreira aberto pela direita; o atacante corta para dentro e chuta de perna direita, mas o goleiro Antúnez espalma e salva o Boston River.
A resposta uruguaia vem por dentro, em jogada de Cauly, que aproveita espaço na faixa central, dribla o marcador e arrisca de canhota de média distância. A bola passa rente à trave de Antúnez e mantém o placar zerado, em um jogo em que cada finalização exige cálculo extra por causa do vento.
Gol nasce da insistência e da adaptação ao clima
O segundo tempo começa com o São Paulo mais à vontade, adiantando as linhas e pressionando a saída de bola do Boston River. Danielzinho encontra Ferreira na entrada da área, e o atacante finaliza tentando surpreender Antúnez. O vento muda a trajetória e quase transforma o chute em golaço, mas o goleiro se recompõe a tempo e faz a defesa.
O gol parece maduro. Ferreira cruza da direita, Tapia tenta concluir por dentro e a bola sobra limpa para Cauly, que só toca para o fundo da rede. A comemoração dura pouco: após análise do VAR, o árbitro argentino Leandro Rey Hilfer anula o lance por impedimento de Tapia, o camisa 80, na origem da jogada. O placar insiste em permanecer em 0 a 0, mesmo com o controle territorial tricolor.
Aos 16 minutos da etapa final, o roteiro muda de vez. Ferreira recebe por dentro e aciona Bobadilla na entrada da área. O paraguaio aplica um drible curto, ganha do marcador no corpo e bate firme, rasteiro, sem chances para Antúnez. A bola entra seca, e o São Paulo enfim abre 1 a 0 no Centenário, premiando a atuação mais organizada em meio ao temporal.
O gol reforça a boa fase de Bobadilla, que se firma como alternativa real no meio-campo e oferece a Roger Machado a chance de rodar o elenco com menor perda técnica. A entrada de peças como Pablo Maia, Pedro Ferreira, Tetê, Artur e Rafael Tolói ao longo da etapa final ajuda a controlar o ritmo e fechar espaços. O Boston River tenta reagir, lança bolas na área aproveitando o vento, mas esbarra na defesa bem postada, com atuação segura de Matheus Dória, Alan Franco e do goleiro Rafael.
O apito final confirma três pontos importantes e uma estreia que cumpre mais do que a meta mínima. O São Paulo volta de Montevidéu com vitória, porta fechada atrás e a sensação de que o elenco suporta a maratona de jogos sem depender apenas dos titulares mais conhecidos.
Confiança em alta e grupo embolado
A classificação na fase de grupos da Sul-Americana depende de cada ponto conquistado fora de casa. A vitória por 1 a 0, em campo neutro emocionalmente e sob forte pressão climática, vale mais do que o placar sugere. O resultado coloca o São Paulo com três pontos, mesma pontuação do O’Higgins, e deixa Millonarios e Boston River em desvantagem logo na largada.
O equilíbrio do Grupo C exige regularidade. Em cenário de calendário congestionado, começar com triunfo, usando uma equipe alternativa, oferece margem para gestão física e tática ao longo da temporada. Roger Machado ganha argumento para seguir alternando formações na competição sul-americana, sem abrir mão da disputa no Brasileiro, em que o time ocupa a vice-liderança após as primeiras rodadas.
O desempenho em Montevidéu também alimenta debates internos e externos. A atuação segura de Bobadilla, decisivo no gol, e de Ferreira, envolvido nas principais jogadas ofensivas, tende a pressionar por mais minutos em jogos grandes. A linha defensiva, com a estreia de combinações entre Cédric Soares, Matheus Dória, Alan Franco e Enzo Díaz, responde bem, mesmo testada por cruzamentos e bolas paradas afetadas pelo vento.
O Boston River deixa o Centenário com a frustração de estrear em casa sem pontuar e com dificuldades claras para se adaptar ao ritmo mais intenso do adversário brasileiro. A equipe uruguaia precisa reagir já na próxima rodada para não ver a vaga se distanciar ainda em abril. A presença de jogadores experientes, como Gastón Ramírez e Franco Pérez, mostra um elenco capaz de competir, mas a execução falha nos momentos-chave pesa.
Calendário apertado e próximos capítulos
O São Paulo retorna ao Brasil com pouco tempo para descanso. No sábado, às 16h30, encara o Vitória, no Barradão, pela sequência do Brasileirão. A tendência é que Roger Machado recoloque em campo a base titular, com Arthur, Luciano e Calleri retomando espaço, enquanto os destaques de Montevidéu se credenciam a mais minutos e funções estratégicas.
O desenho do Grupo C ainda é incerto, mas a estreia em Montevidéu oferece ao torcedor um recado claro: o clube trata a Sul-Americana como prioridade, mesmo ajustando escalações jogo a jogo. A forma como o técnico equilibra ambição continental e disputa nacional nas próximas semanas pode definir o tom da temporada. A noite chuvosa no Centenário, com Bobadilla como protagonista, abre uma caminhada que ainda promete novos testes de elenco, de nervos e de fôlego.
