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33 países orientam população a estocar água e comida; entenda o motivo

Brasil, Estados Unidos e países europeus estão entre as nações com recomendações para manter suprimentos em casa por até dez dias; medidas buscam preparar famílias para apagões, guerras, ataques cibernéticos e desastres naturais

33 países orientam população a estocar água e comida; entenda o motivo

Governos de 33 países possuem orientações para que a população mantenha reservas de água potável, alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais em casa. As recomendações, reunidas em um levantamento internacional divulgado em 28 de outubro, ganharam destaque nesta terça-feira (3) diante das preocupações com conflitos armados, ataques cibernéticos, apagões e desastres naturais. O Brasil também aparece entre as nações que adotam medidas de preparação para emergências.

Entre os países citados estão Reino Unido, França, Alemanha, Suécia, Noruega, Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália, Brasil, Argentina e Chile. O tempo recomendado para manter os suprimentos varia de três a dez dias, dependendo das orientações de cada governo. O objetivo é permitir que as famílias consigam atender às necessidades básicas caso serviços como energia elétrica, abastecimento de água e transporte sejam interrompidos.

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Apesar da repercussão, as recomendações não representam um alerta conjunto sobre uma guerra iminente ou uma catástrofe prestes a acontecer. O número de 33 países foi reunido em um levantamento jornalístico, que considera orientações de proteção civil adotadas em momentos diferentes. Algumas dessas medidas existem há anos e foram reforçadas diante de novos riscos.

Países da Europa orientam população a estocar alimentos e água para emergências

Por que 33 países recomendam estocar alimentos e água?

A principal preocupação dos governos é preparar a população para situações em que os serviços essenciais possam deixar de funcionar temporariamente.

Uma tempestade intensa, por exemplo, pode interromper o fornecimento de energia elétrica, bloquear estradas e dificultar o abastecimento de supermercados. Da mesma forma, ataques cibernéticos podem comprometer sistemas de comunicação, transporte e distribuição de água.

Em regiões afetadas por conflitos armados, a disponibilidade de alimentos, medicamentos e combustível também pode ser prejudicada.

Por isso, autoridades de proteção civil recomendam que as famílias mantenham uma quantidade básica de suprimentos em casa, suficiente para enfrentar os primeiros dias de uma emergência sem depender imediatamente de ajuda externa.

A ideia não é incentivar compras exageradas, mas criar uma reserva preventiva que possa ser utilizada quando necessário.

Organização de um kit de emergência com água, alimentos e produtos essenciais é uma das medidas recomendadas por autoridades para enfrentar possíveis interrupções no abastecimento.

Quais países estão adotando as recomendações?

O levantamento internacional divulgado pela revista Newsweek reúne orientações de países da Europa, América, Ásia, África e Oceania.

Na Europa, a lista inclui Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha, Países Baixos, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Áustria, Suíça e Croácia.

Na América do Norte, aparecem Estados Unidos, Canadá e México. Já na América do Sul, são citados Brasil, Argentina, Chile e Colômbia.

A África é representada pela África do Sul. Na Ásia, o levantamento inclui Japão, Taiwan, Israel, Índia, Filipinas e Singapura.

Austrália e Nova Zelândia completam a relação.

As medidas não são iguais em todos esses locais. Cada governo estabelece orientações de acordo com os riscos mais frequentes em seu território.

Enquanto países europeus consideram cenários relacionados a conflitos e ataques contra infraestruturas, nações como Japão e Brasil também concentram esforços na preparação para terremotos, enchentes, tempestades e outros desastres naturais.

 

Por quantos dias as famílias devem manter reservas?

O período varia conforme as recomendações nacionais.

No Reino Unido e na França, a orientação é manter um kit de emergência com suprimentos suficientes para pelo menos 72 horas, o equivalente a três dias.

No Japão, a recomendação básica também considera três dias, embora a preparação para períodos mais longos possa ser indicada em determinadas situações.

Na Suécia e na Noruega, os governos orientam que as famílias estejam preparadas para enfrentar aproximadamente uma semana de interrupções.

A Alemanha possui uma das recomendações mais extensas. O Escritório Federal de Proteção Civil e Assistência em Desastres orienta os moradores a manter reservas para, preferencialmente, dez dias.

O órgão alemão também reconhece que um estoque para três dias já representa uma medida importante e pode ser ampliado gradualmente.

Não existe, portanto, uma determinação internacional única. Os prazos levam em consideração diferentes cenários de risco e a capacidade de resposta dos serviços de emergência.

 

União Europeia reforça preparação para crises

A preocupação com a segurança da população levou a União Europeia a apresentar, em março de 2025, uma estratégia de preparação para situações de emergência.

O plano reúne 30 ações destinadas a fortalecer a capacidade de resposta dos países integrantes do bloco diante de crises.

Uma das principais metas é incentivar a população a desenvolver condições de autonomia durante pelo menos 72 horas, período considerado especialmente importante quando há interrupção de serviços essenciais.

Nesta terça-feira (3), a Comissão Europeia anunciou novas orientações para ajudar cidadãos e comunidades a se prepararem para emergências.

As medidas incluem recomendações sobre suprimentos básicos, bolsas de emergência e procedimentos de proteção durante os primeiros três dias de uma crise.

A iniciativa também prevê ações educativas e o fortalecimento da comunicação entre autoridades responsáveis pela proteção civil.

O planejamento envolve ameaças como conflitos, ataques digitais, crises sanitárias, eventos climáticos extremos e falhas em estruturas essenciais.

 

O que deve ter em um kit de emergência?

As recomendações de proteção civil apresentam diferenças entre os países, mas alguns itens aparecem com frequência.

Entre os produtos considerados essenciais estão água potável, alimentos não perecíveis, medicamentos de uso contínuo, materiais de primeiros socorros e itens de higiene pessoal.

Também são recomendados lanternas, pilhas extras, rádio portátil, carregadores de celular e dinheiro em espécie.

Documentos pessoais devem permanecer organizados e protegidos, preferencialmente com cópias disponíveis para situações que exijam uma saída rápida da residência.

Alimentos que não dependem de refrigeração ou preparo complexo são mais adequados para esse tipo de reserva.

As famílias também precisam considerar necessidades específicas de crianças, idosos, pessoas com deficiência e moradores que dependem de tratamentos médicos contínuos.

Quem possui animais domésticos deve incluir ração e outros suprimentos necessários aos cuidados dos animais.

O ideal é organizar os produtos aos poucos, verificar os prazos de validade e evitar compras em quantidade superior à necessidade da família.

 

Quanto de água é recomendado armazenar?

A quantidade de água necessária depende do número de pessoas, das condições climáticas e das necessidades de cada família.

No Brasil, a Defesa Civil do Paraná recomenda, em sua lista de preparação para emergências, uma reserva de dois litros de água por pessoa por dia.

Seguindo essa referência, uma família de quatro pessoas precisaria manter pelo menos 24 litros para três dias.

A quantidade considera uma orientação básica e pode precisar ser ampliada para incluir higiene, preparo de alimentos e necessidades especiais.

O armazenamento também exige cuidados para evitar contaminação. A água deve permanecer em recipientes adequados, limpos, fechados e protegidos do calor excessivo.

 

O Brasil também recomenda estocar alimentos?

Sim. No Brasil, órgãos de Defesa Civil orientam a população a manter kits de emergência, principalmente em regiões sujeitas a enchentes, deslizamentos, tempestades e outros eventos extremos.

A Defesa Civil do Paraná, por exemplo, recomenda que moradores organizem água, alimentos não perecíveis, medicamentos, documentos, lanternas, rádio a pilhas e materiais de primeiros socorros.

O objetivo é facilitar a saída de uma área de risco ou garantir condições básicas de sobrevivência quando uma comunidade fica temporariamente isolada.

A Defesa Civil de Mato Grosso do Sul também orienta os moradores a conhecerem os riscos de sua região, cadastrarem-se para receber alertas e elaborarem um plano familiar de emergência.

Essas medidas são especialmente importantes em situações nas quais o acesso a supermercados, farmácias e serviços de saúde pode ficar comprometido.

Entretanto, a inclusão do Brasil no levantamento internacional não significa que o governo federal tenha emitido um novo alerta nacional sobre guerra ou desabastecimento iminente.

As orientações brasileiras estão principalmente relacionadas à prevenção de desastres e à redução dos riscos enfrentados pela população.

 

As recomendações indicam risco de uma guerra mundial?

Não há confirmação oficial de que os 33 países estejam se preparando para uma guerra mundial ou tenham identificado uma ameaça conjunta e imediata.

A divulgação das recomendações ocorre em um contexto de tensões internacionais, especialmente na Europa, onde a guerra entre Rússia e Ucrânia ampliou as discussões sobre segurança e proteção de infraestruturas estratégicas.

No entanto, muitos dos mesmos procedimentos recomendados para situações de conflito também são úteis durante apagões, enchentes, terremotos e interrupções no abastecimento.

A existência de um kit de emergência não significa que uma crise esteja prestes a acontecer.

O levantamento internacional também reúne orientações publicadas em períodos diferentes. Por isso, não é correto interpretar a lista como se 33 governos tivessem emitido um alerta simultâneo nesta semana.

 

Como se preparar sem fazer compras exageradas?

A principal orientação é começar com produtos que já fazem parte da rotina doméstica.

Alimentos de longa duração, água potável e medicamentos necessários à família podem ser organizados gradualmente, sem a necessidade de grandes compras de uma só vez.

Também é importante manter documentos acessíveis, conhecer rotas de saída da residência e acompanhar os canais oficiais de alerta da Defesa Civil.

A preparação deve considerar os riscos locais. Em regiões sujeitas a enchentes, por exemplo, pode ser necessário manter documentos e medicamentos em uma bolsa fácil de transportar.

Já em locais onde há maior risco de interrupção de energia elétrica, lanternas, baterias e fontes alternativas de comunicação podem ser especialmente importantes.

A recomendação dos órgãos de proteção civil é transformar a preparação em uma medida cotidiana de segurança, e não em uma reação de pânico diante de notícias sobre possíveis crises.

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