Fibromialgia: Carol Castro, Lady Gaga, e mais famosos que foram diagnosticadas com doença crônica
Lady Gaga, Morgan Freeman e Deborah Blando estão entre as celebridades que já relataram a doença, caracterizada por dores persistentes, fadiga e alterações no sono.

A atriz Carol Castro, de 42 anos, voltou a falar sobre os desafios de conviver com a fibromialgia, condição crônica que provoca dores generalizadas pelo corpo. Em entrevista à revista Quem, divulgada nesta segunda-feira (2), a artista contou que sente dores diariamente, mesmo quando consegue manter sua rotina de trabalho e atividades físicas. A revelação reacendeu o interesse pela doença, que também afeta outras personalidades conhecidas, como Lady Gaga, Morgan Freeman e Deborah Blando.
Diagnosticada em 2025, durante o período em que trabalhava na novela Garota do Momento, da TV Globo, Carol explicou que passou por uma longa investigação médica até descobrir a origem dos sintomas. Inicialmente, associava as dores de cabeça ao excesso de trabalho ou à sinusite, enquanto os desconfortos no joelho pareciam relacionados ao uso de salto alto nas gravações. Somente após consultas e exames chegou ao diagnóstico com um reumatologista.
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A fibromialgia afeta entre 2,5% e 3% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Apesar de relativamente comum, ainda é cercada por dúvidas e dificuldades de diagnóstico. A condição não tem cura conhecida, mas existem tratamentos capazes de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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Carol Castro revela que sente dores 24 horas por dia
Em entrevista à revista Quem, Carol Castro contou que a fibromialgia passou a fazer parte de sua rotina de maneira constante. Segundo a atriz, a intensidade dos sintomas varia, mas o desconforto permanece ao longo do dia.
“Eu sinto dor 24 horas por dia. Tem dias que é mais, tem dias que é menos”.
A artista explicou que recebeu o diagnóstico após uma avaliação detalhada com um reumatologista, que analisou seu histórico de saúde, os sintomas apresentados e os resultados de exames anteriores.
A descoberta trouxe alívio por finalmente dar um nome às dores que vinha enfrentando.
“Foi um certo alívio porque me deu um nome. Eu não tô doida”.
Além das dificuldades relacionadas à saúde, Carol enfrentava um período emocionalmente delicado, marcado pela morte do pai, o ator Luca de Castro, em 2023, e pela recuperação de uma cirurgia no joelho.
Atualmente, a atriz procura controlar os sintomas com acompanhamento médico, exercícios físicos e adaptações na rotina.
Quais outros famosos têm fibromialgia?
A condição também faz parte da vida de artistas brasileiros e internacionais que decidiram compartilhar publicamente suas experiências.
Os relatos ajudam a mostrar que a fibromialgia pode afetar pessoas de diferentes idades e comprometer atividades profissionais, sociais e familiares.
1. Lady Gaga
A cantora norte-americana revelou publicamente que convive com fibromialgia e chegou a cancelar apresentações por causa das dores.

Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em setembro de 2017, quando Gaga cancelou sua participação no Rock in Rio, no Rio de Janeiro, por problemas de saúde relacionados à condição.
A artista também abordou o assunto no documentário Gaga: Five Foot Two, lançado pela Netflix, que mostrou momentos de sua rotina e os desafios enfrentados durante o tratamento.
A cantora já falou sobre os impactos físicos e emocionais da doença, contribuindo para ampliar a discussão sobre a dor crônica.
O NC News também abordou a condição de saúde da artista em uma reportagem sobre sua vida pessoal, destacando que não há evidências para relacionar a fibromialgia a decisões reprodutivas da cantora.
2. Morgan Freeman
O ator norte-americano Morgan Freeman também já relatou conviver com fibromialgia.
Em 2008, Freeman sofreu um grave acidente de carro que deixou sequelas, incluindo problemas de mobilidade na mão esquerda.

Durante uma entrevista à revista Esquire, em 2012, o ator descreveu episódios intensos de dor no braço e afirmou que sofria com a condição.
A doença passou a fazer parte de sua rotina, exigindo adaptações em atividades que antes realizava com frequência.
Freeman também utiliza uma luva de compressão na mão esquerda em razão das sequelas do acidente.
3. Deborah Blando
A cantora brasileira Deborah Blando, conhecida por sucessos como Unicamente e Innocence, revelou em novembro de 2024 que convive com fibromialgia desde os 19 anos.

Na ocasião, a artista contou que passou décadas trabalhando enquanto enfrentava dores que muitas pessoas ao seu redor desconheciam.
Em uma publicação nas redes sociais, Deborah relatou que sentia vergonha de falar sobre o problema por acreditar que outras pessoas poderiam duvidar de seu sofrimento.
“Por favor não julgue nunca ninguém que diz que está com dor”.
A cantora também explicou que precisou buscar diferentes formas de tratamento para tentar controlar os sintomas.
Seu relato chamou atenção para uma das principais dificuldades enfrentadas por pacientes com fibromialgia: a dor nem sempre apresenta sinais externos visíveis, mesmo quando interfere intensamente na qualidade de vida.
4. Franciely Freduzeski
A atriz e psicóloga Franciely Freduzeski, conhecida por trabalhos em novelas como O Clone e América, também enfrentou dificuldades até descobrir que tinha fibromialgia.

Os primeiros sintomas surgiram em 2018, mas o diagnóstico só foi confirmado em 2022.
Durante esse período, a atriz procurou diversos especialistas, passou por procedimentos cirúrgicos e enfrentou dores persistentes sem conseguir identificar a causa.
Em entrevista ao gshow, Franciely relatou que passou por 26 médicos antes de receber o diagnóstico correto na 27ª consulta.
Após a confirmação, ela iniciou um processo de reabilitação que incluiu exercícios físicos graduais e acompanhamento profissional.
Hoje, Franciely também utiliza sua experiência pessoal para falar sobre a doença e a importância do diagnóstico adequado.
O que é fibromialgia e quais são os principais sintomas?
A Sociedade Brasileira de Reumatologia define a fibromialgia como uma condição caracterizada por dor muscular generalizada e persistente, geralmente com duração superior a três meses.
Uma das principais características da doença é a alteração na maneira como o sistema nervoso processa os sinais de dor.
Isso significa que pessoas com fibromialgia podem experimentar sensações dolorosas mais intensas diante de estímulos que normalmente não provocariam tanto desconforto.
Entre os principais sintomas estão:
Dor generalizada: desconforto persistente em diferentes regiões do corpo, especialmente nos músculos.
Fadiga: sensação de cansaço intenso, mesmo após períodos de descanso.
Alterações no sono: dificuldade para dormir profundamente ou sensação de acordar sem disposição.
Problemas de memória e concentração: dificuldade para manter a atenção, organizar pensamentos e realizar determinadas tarefas.
Formigamento: sensações de dormência ou formigamento, principalmente nas mãos e nos pés.
Alterações emocionais: ansiedade e depressão podem estar associadas à condição, embora não sejam obrigatoriamente observadas em todos os pacientes.
Algumas pessoas também apresentam dores de cabeça frequentes, alterações intestinais e maior sensibilidade ao toque.
Os sintomas variam de intensidade e podem se agravar em determinados períodos.
O que pode desencadear crises de fibromialgia?
As causas exatas da fibromialgia ainda não são completamente conhecidas.
Pesquisadores investigam a participação de fatores genéticos, alterações na percepção da dor e influências ambientais.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, algumas pessoas desenvolvem a condição após situações como traumas físicos, doenças graves ou períodos de estresse intenso.
Entre os fatores que podem contribuir para o agravamento dos sintomas estão alterações na qualidade do sono, sobrecarga física e emocional e mudanças na rotina.
Entretanto, a fibromialgia não é simplesmente uma consequência do estresse ou de problemas psicológicos. Trata-se de uma condição clínica reconhecida, que exige avaliação e tratamento adequados.
Como é feito o diagnóstico da fibromialgia?
Uma das maiores dificuldades relacionadas à fibromialgia é que não existe um exame de sangue ou de imagem específico capaz de confirmar a doença isoladamente.
O diagnóstico é clínico, realizado com base no histórico do paciente, na duração das dores, nos sintomas associados e na avaliação médica.
Exames laboratoriais e de imagem podem ser solicitados para investigar outras condições que provocam manifestações semelhantes.
Doenças reumatológicas, alterações hormonais e outros problemas de saúde podem causar dores e cansaço, tornando importante uma investigação cuidadosa.
O reumatologista é um dos especialistas que podem participar desse processo.
Por isso, pessoas que apresentam dores persistentes por vários meses, especialmente quando acompanhadas de fadiga e alterações no sono, devem procurar avaliação profissional.
Fibromialgia tem cura? Saiba como funciona o tratamento
Até o momento, não existe cura conhecida para a fibromialgia, mas os sintomas podem ser controlados com tratamentos individualizados.
As diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Reumatologia destacam a importância de uma abordagem que combine diferentes estratégias terapêuticas.
Entre elas estão a prática regular e progressiva de exercícios físicos, a educação sobre a doença, o acompanhamento psicológico quando indicado e o uso criterioso de medicamentos.
Atividades como caminhada, hidroginástica e exercícios de fortalecimento podem contribuir para melhorar a capacidade funcional, desde que sejam adaptadas às condições de cada paciente.
A terapia cognitivo-comportamental também pode integrar o tratamento, especialmente quando existem dificuldades relacionadas ao sono, ao estresse ou ao enfrentamento da dor crônica.
Medicamentos podem ser utilizados em situações específicas, conforme avaliação médica.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) também recomenda uma abordagem multidisciplinar para ajudar os pacientes a controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.
Fibromialgia pode ser considerada deficiência no Brasil?
Desde janeiro de 2026, a legislação brasileira permite que pessoas com fibromialgia sejam reconhecidas como pessoas com deficiência, desde que atendam aos critérios legais.
A mudança foi estabelecida pela Lei nº 15.176, de 2025, que prevê a avaliação biopsicossocial para identificar limitações funcionais e dificuldades de participação na sociedade.
Isso significa que o diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante automaticamente o reconhecimento como pessoa com deficiência.
É necessário avaliar individualmente os impactos da condição sobre as atividades cotidianas, o trabalho e a autonomia do paciente.
A legislação representa um avanço no reconhecimento das dificuldades enfrentadas por pessoas que convivem com síndromes dolorosas crônicas.
Quando procurar ajuda médica?
Dores persistentes em diferentes partes do corpo, acompanhadas de cansaço constante, dificuldades para dormir e alterações na concentração, merecem investigação.
Embora esses sintomas possam estar associados à fibromialgia, também podem indicar outras condições que precisam ser identificadas.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado ajudam a estabelecer estratégias de controle da dor e a evitar prejuízos maiores à qualidade de vida.
Os relatos de Carol Castro e de outras celebridades reforçam a importância de levar a sério sintomas que nem sempre são percebidos pelas pessoas ao redor. Com orientação profissional e tratamento individualizado, é possível melhorar a funcionalidade e a convivência com a fibromialgia.


