Diárias de hotéis em Brasília chegam a R$ 25 mil na semana da posse de Lula
Alta procura por hospedagem para a cerimônia de 5 de janeiro de 2027 elevou preços em até 4.786% e já pressiona a disponibilidade de quartos na capital e no Entorno.

A procura por hospedagem para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 5 de janeiro de 2027, fez os preços das diárias dispararem em Brasília. Em hotéis da capital, os valores ultrapassam R$ 25 mil, enquanto estabelecimentos no Entorno também registram aumentos expressivos.
Levantamento em plataformas como Booking e Airbnb identificou pelo menos dez hotéis com diárias acima de R$ 9 mil no período. Os preços são muito superiores aos praticados em datas comuns e já há estabelecimentos sem disponibilidade para a semana da cerimônia.
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Hotéis cobram até R$ 25,3 mil por diária
O maior valor foi encontrado no Saint Moritz Hotel, na Asa Norte: R$ 25,3 mil por diária, sem contar taxas adicionais. Para duas noites, entre 4 e 6 de janeiro, o custo chega a R$ 50,6 mil.
Outros estabelecimentos também aparecem entre os mais caros. O Ozped Flats Particulares Cullinan cobra R$ 15.926, enquanto o Ozped Flats Particulares Saint Moritz anuncia diárias de R$ 12.396. Já o Ozped Flats Particulares Mercure Lider chega a R$ 11.697.
Os valores pesquisados incluem apartamentos inteiros para duas pessoas, com ar-condicionado, banheiro e pelo menos uma cama de casal grande. Algumas opções também oferecem café da manhã e área de lazer com piscina.
A alta não se restringe ao Plano Piloto. Em Taguatinga, um flat particular no Hotel Go Inn, que costuma cobrar R$ 185 por diária, aparece por R$ 9.040 no período da posse. A diferença representa um aumento de 4.786%.
Na Asa Norte, os reajustes também são expressivos:
- Ozped Flats Particulares Saint Moritz: de R$ 445 para R$ 12.396, alta de 2.686%;
- Ozped Flats Particulares Mercure Lider: de R$ 427 para R$ 11.697, aumento de 2.639%;
- Ozped Flats Particulares Cullinan: de R$ 632 para R$ 15.926, alta de 2.420%;
Saint Moritz Hotel: de R$ 2.277 para R$ 25.300, aumento de 1.011%.
Airbnb também registra aumento
Os preços elevados aparecem também nos imóveis anunciados para aluguel por temporada. Na Asa Norte, um apartamento que costuma custar R$ 844 passou a ser anunciado por R$ 2.419. No Sudoeste, duas diárias que normalmente ficam em torno de R$ 600 chegam a R$ 3.720.
Os primeiros levantamentos da Associação de Aluguel por Temporada de Brasília indicam ocupação próxima de 60% nos imóveis consultados no Distrito Federal e no Entorno para o período da cerimônia.
Procura por viagens para Brasília aumenta
O interesse pela posse também aparece nas buscas por viagens. Segundo o Google Trends, a procura pelo termo “passagem para Brasília” cresceu 70% em relação à semana anterior, com pico em 26 de outubro, logo após o segundo turno. As pesquisas por “caravana posse do Lula” também aumentaram.
Um voo direto de São Paulo para Brasília na véspera da cerimônia custa cerca de R$ 1.500. Para comparação, a tarifa média do mesmo trecho em janeiro de 2026 foi de R$ 444,63, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Nas redes sociais, excursões para acompanhar a posse já são anunciadas por valores entre R$ 390 e R$ 2 mil.
Aumento lembra impacto da COP 30 em Belém
A disparada nas hospedagens em Brasília lembra o que ocorreu em Belém durante a COP 30, em novembro de 2025. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram que o preço médio das hospedagens na capital paraense subiu mais de 155% no mês do evento, em comparação com o período anterior.
Na ocasião, a alta mobilizou o governo federal, o Itamaraty e órgãos de defesa do consumidor. Também foram discutidas alternativas de acomodação, como o uso de navios de cruzeiro e o aluguel de imóveis particulares.
Entidades e órgãos foram procurados
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis e as plataformas Airbnb e Booking ainda não se manifestaram sobre os preços. O Procon-DF e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, também não se pronunciaram sobre a legalidade dos valores.


