Trump repreende Netanyahu por plano de ofensiva israelense contra o Líbano
Donald Trump se irrita em telefonema com Benjamin Netanyahu em 2026 e reage com palavrões ao plano de ofensiva israelense contra o Líbano, segundo fontes. O ex-presidente dos Estados Unidos alerta que o ataque pode isolar Israel e atrapalhar negociações sensíveis com o Irã.
Ligação tensa expõe fissuras entre aliados
A conversa, realizada em meio à escalada de violência na fronteira entre Israel e Líbano, ocorre enquanto ataques israelenses já deixam mais de 3.400 mortos em território libanês, de acordo com autoridades locais. O tom do telefonema, descrito como “aceso” por pessoas a par do conteúdo, contrasta com a imagem pública de alinhamento quase automático entre Trump e o governo israelense durante seu mandato.
Segundo essas fontes, Trump reage com fúria ao ser informado dos planos de uma ofensiva mais ampla, incluindo a possibilidade de avanço sobre Beirute. Em alguns momentos, ele recorre a palavrões para rechaçar a ideia e lembra Netanyahu de que, em seus quatro anos na Casa Branca, tomou decisões consideradas de alto impacto para Israel, como o reconhecimento de Jerusalém como capital, em 2017, e o apoio aberto à política de pressão máxima sobre o Irã.
Temor de isolamento e acordo com Irã em risco
O núcleo da irritação de Trump está no cálculo geopolítico. Ele avalia que uma ofensiva em larga escala contra o Líbano pode enterrar as negociações de um acordo preliminar com o Irã e aprofundar o isolamento internacional de Israel. “Bombardear o Líbano agora só vai deixar vocês mais sozinhos”, diz o ex-presidente, segundo o relato de uma das fontes consultadas pela reportagem.
O temor não é apenas diplomático. Uma operação terrestre em direção a Beirute, somada aos ataques aéreos em curso desde o início da nova onda de violência, tende a ampliar o balanço de mortos — hoje acima de 3.400, segundo o governo libanês — e a provocar uma crise humanitária em escala ainda maior. Analistas ouvidos por chancelerias da região veem risco real de arrastar o Irã de forma mais direta para o conflito, em apoio ao Hezbollah, o que poderia acender vários outros focos de tensão no Oriente Médio em poucas semanas.
Versões públicas destoam do bastidor
A Casa Branca, informada sobre o teor da ligação, evita comentar o tom da conversa e não confirma o uso de palavrões. O site Axios revela primeiro a existência do telefonema e descreve a troca como dura. Em resposta, Trump vai à sua rede Truth Social e tenta enquadrar o episódio em outro registro: afirma que a ligação é “produtiva” e diz esperar o fim dos ataques entre Israel e o Hezbollah.
Na mesma mensagem, ele assegura que tropas israelenses “não avançariam sobre Beirute”, o que é lido por assessores como tentativa de mostrar influência direta sobre a estratégia militar de um aliado central dos Estados Unidos. Netanyahu, porém, divulga nota própria em tom diferente. O primeiro-ministro afirma que as Forças de Defesa de Israel continuarão atacando o sul do Líbano “conforme planejado”, sinal de que a pressão de Washington, mesmo vinda de uma figura com o peso político de Trump, encontra limites claros.
Pressão sobre Netanyahu em meio a alta de mortes
O impasse ocorre enquanto a ofensiva israelense já redesenha o mapa político da região. Com mais de 3.400 mortos no Líbano e sucessivas denúncias de ataques contra áreas densamente povoadas, cresce a percepção, em capitais europeias e árabes, de que Israel ultrapassa linhas vermelhas humanitárias. Chancelarias calculam custos de apoiar, criticar ou se afastar de Tel Aviv, num cenário em que imagens de destruição circulam em tempo real.
Trump tenta se colocar como freio tático, ao menos sobre o avanço até Beirute, mas não questiona a lógica mais ampla da campanha militar. Para parte da diplomacia ocidental, a diferença é relevante, porém insuficiente para conter a deterioração no terreno. A continuidade dos bombardeios e a promessa de manter operações “conforme planejado” reforçam a leitura de que Netanyahu aposta no uso máximo da força para tentar enfraquecer o Hezbollah, ainda que isso signifique mais atritos com antigos aliados.
Escalada regional e incertezas à frente
O episódio expõe a complexidade da aliança entre Estados Unidos e Israel num momento em que o tabuleiro do Oriente Médio volta a se mover em alta velocidade. Se a pressão de Trump fracassar e a ofensiva se ampliar, cresce o risco de resposta assimétrica do Irã, seja por meio do Hezbollah, seja por grupos aliados em outros países, como Síria e Iraque. Em questão de meses, um conflito concentrado na fronteira sul do Líbano pode ganhar contornos de guerra regional.
Diplomatas ouvidos reservadamente avaliam que as próximas semanas serão decisivas para definir se prevalece a lógica da dissuasão ou a da escalada. Uma retomada consistente de conversas com Teerã, ainda neste semestre, depende diretamente do desfecho dessa fase da crise. O telefonema tenso entre Trump e Netanyahu, embora não mude por si só a correlação de forças no campo de batalha, deixa uma pergunta aberta: até que ponto aliados tradicionais de Israel estão dispostos a bancar o custo político de uma nova ofensiva em grande escala no Líbano?
